Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial sóbria sobre fundo azul-marinho, com o contorno em linhas luminosas de uma silhueta feminina vista de lado e, sobreposta a ela, a mudança de posição de uma área destacada, que sai da região dos quadris para a região abdominal. Ao lado, uma fita métrica estilizada em linha contínua. Sem texto, sem rostos, sem medicamentos.

A barriga mudou na menopausa e a balança não mexeu. Por que isso acontece?

Em resumo: o corpo muda de forma na menopausa mesmo quando o peso não muda, e isso está medido. A gordura visceral, a que fica dentro do abdome envolvendo os órgãos, praticamente não crescia antes e passa a crescer cerca de 6,2% ao ano durante a transição, desacelerando para 1,5% ao ano depois 1. No mesmo período a cintura medida com fita cresce quase igual antes, durante e depois, o que explica por que a fita e a balança não registram o que a pessoa está vendo no espelho 1. Quem comanda essa mudança de endereço é a queda do estrogênio 3. A gordura visceral pesa mais no risco de pressão alta, triglicerídeos altos e síndrome metabólica do que a gordura sob a pele 4. A terapia hormonal atenua esse ganho enquanto é usada, mas não é tratamento de barriga 5,6. Exercício tem efeito medido mesmo sem perda de peso 8.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 08/09/2026

Contexto: o que saiu na mídia

Circulou nos últimos dias a expressão pochete da menopausa, batizando a mudança de forma do abdome que aparece nessa fase mesmo em quem não engordou. O apelido é novo e o fenômeno é antigo, bem descrito e razoavelmente bem medido. Vale separar as duas coisas: o nome de efeito não acrescenta nada, mas a observação por trás dele está certa, e é bom que tenha virado conversa, porque muita mulher passa anos achando que está exagerando ou que relaxou sem perceber.

O que a reportagem popular costuma deixar de fora é a parte que muda a conduta: qual gordura é essa, por que ela importa além da estética, e o que de fato tem efeito sobre ela.

O que muda não é o peso, é o endereço da gordura

O ganho de peso do meio da vida acompanha mais a idade do que a menopausa. A redistribuição da gordura, essa sim, acompanha a menopausa 2.

Um estudo americano mediu a composição corporal de 380 mulheres por quase 12 anos, com exame de imagem em vez de fita métrica 1. A gordura da região abdominal alta, chamada androide, já vinha crescendo devagar antes da menopausa, cerca de 1,2% ao ano, e acelerou para 5,5% ao ano durante a transição. A gordura visceral tinha comportamento diferente: ela não crescia de forma detectável antes e só começou a subir na transição, a 6,2% ao ano. Depois da menopausa as duas desaceleram, a visceral para cerca de 1,5% ao ano.

Traduzindo para o que se sente: existe uma janela de poucos anos, em torno da última menstruação, em que o corpo redistribui gordura numa velocidade que ele nunca teve antes e não terá depois. Dura uma fase, não a vida inteira.

A declaração científica da American Heart Association sobre a transição menopausal chega à mesma leitura por outro caminho, ao reunir os estudos que acompanharam mulheres ao longo dessa passagem: as alterações de composição corporal, de colesterol e de saúde vascular se organizam em torno do envelhecimento ovariano, e não apenas do envelhecimento cronológico 2.

Por que o estrogênio decide onde a gordura fica

Aqui está o fato que faz o resto do artigo se encaixar: depois da menopausa, a própria gordura passa a ser a principal fonte de estrogênio do corpo 3. O ovário para, e o tecido adiposo assume, sendo a única fonte apreciável do hormônio em mulheres depois da menopausa e em homens.

Isso muda a forma de enxergar o assunto. A gordura é um órgão que conversa com o resto do corpo por hormônios, e não só um depósito de energia mal colocado. E o estrogênio, do lado de dentro dessa conversa, é um dos sinais que mantêm a gordura preferencialmente na região dos quadris e das coxas, além de manter o tecido funcionando bem. Quando o sinal cai, o depósito preferencial muda para dentro do abdome 3.

É por isso que a mudança acontece sem culpa alimentar nenhuma. A pessoa não passou a comer diferente, o corpo passou a guardar diferente.

Por que a balança e a fita métrica enganam nessa fase

A fita métrica é um instrumento pior do que parece para esta pergunta específica. No mesmo estudo de quase 12 anos, a cintura cresceu em todos os períodos, antes, durante e depois da transição, e as velocidades não foram estatisticamente diferentes entre si 1. Quer dizer: enquanto a gordura visceral disparava, a fita registrava o mesmo crescimento lento de sempre. Os próprios autores concluem que cintura e quadril são pouco sensíveis a mudanças de distribuição da gordura.

A balança é ainda pior. Existe uma metanálise que separou o efeito de exercício e o de dieta sobre a gordura visceral, com imagem, em mais de 100 estudos 8. Ela mostrou algo que vale para além da menopausa: a mudança de peso nem sempre reflete a mudança de gordura visceral, e por isso o peso pode ser um marcador ruim para julgar o benefício de uma mudança de estilo de vida.

Na prática, é isso que sustenta a queixa de quem diz que nada mudou nos números e tudo mudou na roupa. A pessoa está certa e o instrumento está errado.

Isso é saúde ou é estética?

É saúde, e a diferença entre os dois tipos de gordura é medida.

O estudo de Framingham acompanhou pouco mais de mil pessoas de meia-idade por cerca de 6 anos, com tomografia repetida, e comparou o que acontece quando cresce a gordura de dentro e quando cresce a gordura sob a pele 4. Para cada 500 cm³ a mais de gordura, a de dentro pesou mais em todos os desfechos: a chance de aparecer hipertensão foi 30% maior quando o volume que cresceu era o visceral, contra 21% quando era o subcutâneo; a de triglicerídeos altos, 56% contra 15%; a de síndrome metabólica, 82% contra 43%. A maior parte dessas associações continuou de pé depois de considerar a mudança de peso e a de cintura.

Duas ressalvas honestas. Esse estudo é de população geral de meia-idade, homens e mulheres, não de mulheres na menopausa, então ele explica por que a gordura visceral importa, e deixa em aberto quanto ela importa nesse grupo específico. E associação medida ao longo de anos não é o mesmo que garantia individual.

Somando com o que se sabe da transição, a leitura fica clara: a menopausa é também a fase em que a resistência à insulina e o risco cardiometabólico aceleram, além dos fogachos e do sono ruim, com a gordura visceral no meio do caminho 2,6.

A reposição hormonal resolve a barriga?

Atenua, enquanto é usada, e não é para isso que ela serve.

Um estudo suíço avaliou mais de mil mulheres entre 50 e 80 anos com exame de composição corporal 5. Quem estava usando terapia hormonal no momento tinha menos gordura visceral que quem nunca usou, índice de massa corporal cerca de 0,9 kg/m² menor, e o ganho de gordura visceral e abdominal ao longo de dez anos foi evitado nesse grupo. Três detalhes que o resultado positivo não pode esconder: não houve benefício nenhum sobre a massa magra, nenhum efeito residual sobrou em quem já tinha parado, e o desenho é de observação, comparando grupos que escolheram usar ou não, e não um sorteio.

Do lado das diretrizes, a posição é consistente. A revisão sobre menopausa e diabetes conclui que a terapia hormonal pode reduzir o risco de diabetes tipo 2 e melhorar o controle glicêmico em quem já tem, e ainda assim declara que não há evidência suficiente para indicá-la com o objetivo de prevenir ou controlar o diabetes 6. As Diretrizes Brasileiras sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicadas em 2024 pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) junto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), organizam a decisão em torno da janela de oportunidade, isto é, o início nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos, quando o balanço cardiovascular é mais favorável 9.

Na minha leitura, isso resolve uma confusão comum na consulta. A composição corporal entra na conversa como consequência esperada de repor, e não como motivo para repor. Quem tem indicação por sintoma vasomotor, por saúde óssea ou por menopausa precoce ganha esse efeito de brinde; quem não tem indicação não começa a tomar hormônio por causa da barriga.

O que o exercício faz, e qual exercício

A metanálise que separou exercício de dieta mediu o cenário exato de quem está frustrada com a balança: na ausência de perda de peso, o exercício se associou a uma queda de 6,1% na gordura visceral, enquanto a dieta, também sem perda de peso, praticamente não mexeu nela, 1,1% 8. A dieta produziu mais perda de peso total, e o exercício apenas tendeu a reduzir mais a gordura visceral, uma diferença que não se firmou estatisticamente. Treinar sem emagrecer não é esforço perdido: é justamente o cenário em que o exercício continua trabalhando onde interessa.

Sobre qual exercício, uma comparação em rede reuniu 84 ensaios sorteados, com quase 5 mil pessoas com sobrepeso ou obesidade 7. Aeróbico de pelo menos intensidade moderada, treino de força, os dois combinados e o intervalado de alta intensidade reduziram a gordura visceral. Na comparação entre eles, o aeróbico vigoroso e o intervalado tiveram a maior probabilidade de ser a melhor escolha para gordura visceral, e o treino de força isolado foi o menos eficaz para esse desfecho específico. A análise por subgrupos traz o detalhe que muda a orientação para mulheres: o treino de força melhorou a gordura visceral em homens e em quem tinha percentual de gordura abaixo de 40%, e não em mulheres nem em quem tinha percentual igual ou acima de 40%.

Isso não rebaixa a musculação. Massa muscular e força são o que protege osso, autonomia e metabolismo da glicose ao longo das próximas décadas, e a massa magra é justamente o que a terapia hormonal não protege 5. O que a evidência diz é mais estreito: se o alvo específico é a gordura de dentro do abdome, o motor é o aeróbico. O plano que faz sentido tem os dois, por razões diferentes.

Um aviso sobre a população desses estudos: eles foram feitos em pessoas com sobrepeso e obesidade em geral, não especificamente em mulheres na transição menopausal. A direção do efeito é sólida, a magnitude exata nesse grupo não está medida com a mesma precisão.

Como essa escolha é feita na consulta

Quando a queixa é essa, existe mais de um caminho legítimo, e eles custam coisas diferentes.

Uma mulher com fogachos, sono picado e essa mudança de forma tem indicação de discutir terapia hormonal pelos sintomas, e a atenuação do ganho de gordura visceral vem junto 5. O que essa escolha custa é o compromisso com um tratamento contínuo, com acompanhamento, com contraindicações a checar, e com a informação honesta de que o efeito sobre a composição corporal desaparece quando se para. O que ela poupa é a soma de sintomas que ninguém mede num exame: as noites inteiras de sono, a irritabilidade que a pessoa acha que é personalidade, o calor no meio de uma reunião.

Já uma mulher sem sintomas, cuja única queixa é a mudança da cintura, tem um caminho diferente e igualmente legítimo: mexer no exercício, com aeróbico de verdade somado à força, e vigiar glicemia, pressão e lipídios com mais frequência nessa fase. O que esse caminho custa é tempo, semanas de constância, e a paciência de continuar quando a balança não recompensa. O que ele poupa é o próprio tratamento hormonal, com tudo que ele implica, para quem não tem motivo para tomá-lo.

Minha preferência pessoal, e digo isso sabendo que preferência não é recomendação, é começar pela parte que serve a todo mundo, que é o exercício estruturado, e decidir sobre hormônio pelo sintoma e pela janela, nunca pela cintura. Mas essa ordem depende do quanto os sintomas estão atrapalhando a vida agora, e isso quem sabe é quem está vivendo.

O erro que eu corrijo com frequência nessa conversa não tem a ver com remédio: é a pessoa concluir que falhou. Não falhou. Ela está diante de uma mudança fisiológica de endereço de gordura, num corpo que perdeu o hormônio que decidia esse endereço, e continuar fazendo a mesma coisa de antes com o mesmo esforço de antes realmente não devolve o corpo de antes.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

O que dá para esperar: a mudança de forma na menopausa é real, tem velocidade medida, cerca de 6,2% ao ano de aumento da gordura visceral durante a transição, e se concentra numa janela de poucos anos em torno da última menstruação, desacelerando depois 1. Não é falha de disciplina, é a queda do estrogênio mudando onde o corpo guarda gordura 3.

O que fazer com os riscos: a gordura visceral pesa mais no aparecimento de hipertensão, triglicerídeos altos e síndrome metabólica do que a gordura sob a pele 4, então esta é a fase de acompanhar glicemia, pressão e perfil lipídico com regularidade, mesmo sem mudança de peso. Terapia hormonal atenua o ganho enquanto é usada, e a indicação dela continua sendo sintoma, osso e janela de oportunidade, não medida de cintura 5,6. Exercício funciona, e funciona mesmo sem emagrecer 8; o aeróbico é o que mexe na gordura de dentro, e a força fica pela massa muscular e pelo osso 7.

A frase para levar embora: nesta fase, a balança é o pior instrumento para julgar o que está acontecendo com você.

E se você se reconheceu aqui, sabendo que o peso é o mesmo e a roupa não fecha, essa conversa cabe inteira numa consulta, com os exames na mão.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar avaliação se a mudança de forma na cintura veio acompanhada de glicemia de jejum subindo em exames de rotina, de pressão que passou a aparecer alterada, de triglicerídeos ou colesterol piorando sem mudança de hábito, ou de aumento rápido da circunferência abdominal em poucos meses. Fogachos, sono fragmentado e alterações do ciclo que atrapalham a vida também são motivo de consulta por si só, porque abrem a discussão sobre terapia hormonal dentro da janela em que ela é mais favorável. Procure atendimento sem esperar por consulta se houver dor no peito, falta de ar aos esforços habituais ou sangramento vaginal depois de um ano sem menstruar. Nada aqui substitui uma avaliação individual, e nenhuma conduta hormonal ou medicamentosa se decide pela internet.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem o tratamento individualizado. Terapia hormonal da menopausa tem indicações, contraindicações e riscos que precisam ser avaliados caso a caso por um médico.

Se você está passando pela transição da menopausa e quer entender o que está acontecendo com o seu metabolismo, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Greendale GA, Han W, Finkelstein JS, Burnett-Bowie SM, Huang M, Martin D, et al. Changes in Regional Fat Distribution and Anthropometric Measures Across the Menopause Transition. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. 2021;106(9):2520-2534. doi:10.1210/clinem/dgab389.
    https://doi.org/10.1210/clinem/dgab389 · PubMed 34061966
  2. El Khoudary SR, Aggarwal B, Beckie TM, Hodis HN, Johnson AE, Langer RD, et al. Menopause Transition and Cardiovascular Disease Risk: Implications for Timing of Early Prevention: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2020;142(25):e506-e532. doi:10.1161/CIR.0000000000000912.
    https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000000912 · PubMed 33251828
  3. Vieira-Potter VJ, Mishra G, Townsend KL. Health of adipose tissue: oestrogen matters. Nature Reviews Endocrinology. 2026;22(2):76-91. doi:10.1038/s41574-025-01180-2.
    https://doi.org/10.1038/s41574-025-01180-2 · PubMed 41006902
  4. Lee JJ, Pedley A, Hoffmann U, Massaro JM, Fox CS. Association of Changes in Abdominal Fat Quantity and Quality With Incident Cardiovascular Disease Risk Factors. Journal of the American College of Cardiology. 2016;68(14):1509-1521. doi:10.1016/j.jacc.2016.06.067.
    https://doi.org/10.1016/j.jacc.2016.06.067 · PubMed 27687192
  5. Papadakis GE, Hans D, Gonzalez Rodriguez E, Vollenweider P, Waeber G, Marques-Vidal P, et al. Menopausal Hormone Therapy Is Associated With Reduced Total and Visceral Adiposity: The OsteoLaus Cohort. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. 2018;103(5):1948-1957. doi:10.1210/jc.2017-02449.
    https://doi.org/10.1210/jc.2017-02449 · PubMed 29596606
  6. Lambrinoudaki I, Paschou SA, Armeni E, Goulis DG. The interplay between diabetes mellitus and menopause: clinical implications. Nature Reviews Endocrinology. 2022;18(10):608-622. doi:10.1038/s41574-022-00708-0.
    https://doi.org/10.1038/s41574-022-00708-0 · PubMed 35798847
  7. Chen X, He H, Xie K, Zhang L, Cao C. Effects of various exercise types on visceral adipose tissue in individuals with overweight and obesity: A systematic review and network meta-analysis of 84 randomized controlled trials. Obesity Reviews. 2024;25(3):e13666. doi:10.1111/obr.13666.
    https://doi.org/10.1111/obr.13666 · PubMed 38031812
  8. Verheggen RJHM, Maessen MFH, Green DJ, Hermus ARMM, Hopman MTE, Thijssen DHT. A systematic review and meta-analysis on the effects of exercise training versus hypocaloric diet: distinct effects on body weight and visceral adipose tissue. Obesity Reviews. 2016;17(8):664-690. doi:10.1111/obr.12406.
    https://doi.org/10.1111/obr.12406 · PubMed 27213481
  9. Diretrizes Brasileiras sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. FEBRASGO, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), 2024.
    https://www.febrasgo.org.br/noticia/febrasgo-apresenta-novas-diretrizes-para-a-terapia-de-reposicao-hormonal-durante-climaterio-e-menopausa/

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Se eu não ganhei peso nenhum, por que preciso me preocupar com isso?

Porque o que mudou de lugar não é neutro. A gordura que se acumula dentro do abdome, entre os órgãos, tem comportamento diferente da que fica sob a pele: ela libera substâncias inflamatórias e ácidos graxos que atrapalham a ação da insulina. No estudo que acompanhou pessoas de meia-idade por seis anos, o mesmo aumento de volume de gordura pesou mais quando era visceral do que quando era subcutânea, e a diferença se manteve depois de considerar o peso e a cintura 4. Ou seja, a balança estável não garante que o risco metabólico ficou parado. Isso não quer dizer que toda mulher na menopausa vai desenvolver diabetes ou pressão alta, e sim que essa é a fase de olhar glicemia, colesterol e pressão com mais atenção, mesmo com o peso de sempre.

Fazer abdominal resolve a barriga da menopausa?

Não. Exercício abdominal fortalece o músculo da parede do abdome, mas não determina de onde o corpo tira gordura, e a gordura visceral fica atrás dessa parede, envolvendo os órgãos. O que tem efeito medido sobre ela é o volume total de exercício, principalmente o aeróbico de intensidade pelo menos moderada e o intervalado de alta intensidade 7. O treino de força continua valendo muito na menopausa, pela massa muscular e pelo osso, mas na análise por subgrupos ele não reduziu a gordura visceral em mulheres quando feito isolado 7. A combinação é o caminho mais completo: aeróbico pelo efeito na gordura de dentro, força pelo músculo e pelo esqueleto.

Tomar hormônio faz engordar ou emagrecer?

Nenhum dos dois de forma marcante. O medo de engordar é uma das razões mais comuns para recusar ou abandonar a terapia hormonal, e os dados apontam na direção contrária: usuárias atuais tinham menos gordura visceral e índice de massa corporal um pouco menor que quem nunca usou, e o ganho de gordura ao longo de dez anos foi evitado nelas 5. O efeito é de atenuar um ganho, não de produzir uma perda, some depois que se para, e o estudo é de observação, não de sorteio entre tratar e não tratar. É por isso que a indicação da terapia hormonal continua sendo sintoma e saúde óssea e cardiovascular dentro da janela certa, nunca a barriga.

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