
Fogacho sem hormônio: o que funciona, o que não funciona e o que mudou no Brasil este ano
Em resumo: entre metade e três quartos das mulheres têm ondas de calor na transição da menopausa, e elas tipicamente duram mais de sete anos 1. O estrogênio continua sendo o tratamento mais eficaz, reduzindo a frequência em cerca de 75% 1. Quem não pode ou não quer tomá-lo não fica sem nada: antidepressivos em dose baixa e gabapentina reduzem os fogachos entre 40% e 65% 1, e desde junho de 2026 o Brasil tem o primeiro remédio criado especificamente para esse problema sem ser hormônio 7. O que quase não funciona é justamente o que mais se vende para isso: a maior revisão de terapias de origem vegetal encontrou cerca de um fogacho a menos por dia, com qualidade de evidência ruim 3, e a sociedade que revisa esse campo classifica suplementos e fitoterápicos como não recomendados 2.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 26/08/2026
Contexto: o que saiu na mídia
Duas notícias sobre menopausa circularam nesta semana em veículos de saúde. Uma divulgou uma pesquisa universitária brasileira que avalia plantas medicinais para alívio do fogacho. A outra alertava para o risco de tomar suplemento por conta própria nessa fase. Postas lado a lado, elas desenham exatamente a confusão que chega ao consultório: existe um campo enorme de produtos oferecidos para o calor da menopausa, e a distância entre o que é estudado e o que é vendido raramente aparece na mesma reportagem.
Uma pesquisa em andamento não é a mesma coisa que um tratamento com eficácia demonstrada. Investigar uma planta é legítimo e necessário. O que não se pode fazer é ler "está sendo pesquisado" como "funciona": entre as duas coisas existe todo o processo que este texto vai percorrer.
O fogacho não é calor a mais, é um termostato desregulado
O corpo mantém a temperatura dentro de uma faixa estreita, e um grupo de neurônios no hipotálamo funciona como o termostato dessa faixa. O estrogênio participa da calibragem. Quando ele cai, esses neurônios ficam maiores e mais ativos, e a faixa em que o corpo se considera confortável encolhe. Uma variação mínima de temperatura, que antes passava despercebida, passa a ser lida como superaquecimento, e o corpo dispara o programa de emergência para se resfriar: vasodilatação na pele, rubor, suor.
Duas consequências vêm daí. A primeira é por que o fogacho vem em crise e não como um calor constante: é um alarme disparando, não um aquecimento. A segunda é que dá para tratar o problema sem repor hormônio nenhum: se o alvo é o termostato, é possível agir diretamente nele, e foi esse o caminho da classe de medicamentos que bloqueia o receptor de neurocinina B, a que chegou ao Brasil este ano 5,6.
Quem chega procurando alternativa, e por três motivos diferentes
Na prática, a mulher que pede tratamento não hormonal cai em um de três grupos, e a conduta muda conforme o grupo. Há quem tenha contraindicação real, com câncer de mama à frente das causas. Há quem tenha tentado o hormônio e não tenha se dado bem, por efeito indesejado ou por resposta insuficiente. E há quem simplesmente não queira, por convicção própria.
A cena que eu vejo com frequência é a terceira misturada com uma quarta que não é bem um grupo: a paciente chega dizendo que não pode tomar hormônio e, quando eu pergunto por quê, a razão não é uma contraindicação, é o eco de um estudo dos anos 2000 que assustou uma geração inteira e cuja leitura mudou bastante desde então. Vale separar as duas coisas antes de escolher o tratamento, porque quem tem contraindicação precisa de alternativa e quem tem receio precisa de conversa. As duas conversas são legítimas; só não são a mesma.
Uma pergunta que eu faço logo no começo, e que muda o plano mais do que parece: quantos por dia, e qual deles atrapalha. Fogacho que acorda de madrugada é um problema diferente de fogacho que aparece numa reunião, e há opções que resolvem melhor um do que o outro.
A régua: o hormônio resolve 75%, e é com isso que se compara
Nenhuma opção não hormonal alcança o estrogênio. Ele reduz a frequência das ondas de calor em cerca de 75%, e as formas oral e transdérmica têm eficácia semelhante 1. Saber esse número não serve para desanimar quem não pode usá-lo: serve para calibrar a expectativa e para reconhecer uma boa alternativa quando ela aparece.
O grupo dos antidepressivos em dose baixa e da gabapentina reduz a frequência entre 40% e 65% 1. É menos que o hormônio e é muito, quando se lembra que a comparação real não é com o tratamento ideal, e sim com não tratar. Usar antidepressivo aqui não é tratar depressão disfarçada de calor. As doses usuais são menores que as psiquiátricas e o efeito aparece em uma a duas semanas 9, bem antes das quatro a seis semanas habituais quando o alvo é o humor.
O que a revisão internacional recomenda, e o que ela recusa
A sociedade norte-americana de menopausa publicou em 2023 um posicionamento dedicado só às opções não hormonais, classificando cada uma pelo nível de evidência 2. Como recomendados ficaram a terapia cognitivo-comportamental, a hipnose clínica, os antidepressivos das classes ISRS e IRSN (inibidores seletivos da recaptação de serotonina e inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina), a gabapentina e o fezolinetanto, todos com o melhor nível de evidência; a oxibutinina com evidência um pouco menor; e a perda de peso com evidência mais limitada 2.
A lista dos não recomendados é a que costuma surpreender, e por isso vale lê-la inteira: respiração pausada, suplementos e fitoterápicos, técnicas de resfriamento, evitar gatilhos, exercício, ioga, meditação de atenção plena, relaxamento, alimentos e extratos de soja, canabinoides, acupuntura, quiropraxia, clonidina, modificação da dieta e pregabalina 2.
Aqui é preciso um cuidado que o documento faz e a manchete não faria. "Não recomendado" ali significa uma coisa estreita: os estudos não mostraram efeito sobre a frequência das ondas de calor. Não significa que exercício e meditação sejam inúteis, e eu não gostaria de ser lido assim. Exercício regular continua sendo uma das melhores coisas que uma mulher faz por si nessa fase, pelo osso, pelo coração, pelo sono e pelo humor, e o guia brasileiro de oncologia registra benefício de atividade física supervisionada em dor articular, qualidade de vida e adesão ao tratamento 9. O que a evidência diz é apenas que o fogacho, especificamente, não é o desfecho que ele resolve. Prometer isso à paciente e depois ela não ver resultado é o caminho mais curto para ela abandonar a atividade física por inteiro.
O remédio novo: aprovado no Brasil em junho, com uma condição
Em 18 de junho de 2026 a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o fezolinetanto (Veoza) para sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa, com publicação da resolução em 23 de junho 7. É o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para esse problema a ter registro no país. Ele age bloqueando o receptor de neurocinina no termostato hipotalâmico, e a própria agência cita redução média de 53% nas ondas diárias de calor em quatro semanas de tratamento 7. A dose usual publicada em guia brasileiro é de 45 mg por dia, e o efeito costuma começar em três a sete dias 9.
O alerta hepático que veio depois do lançamento
Essa é a condição, e ela é séria. Depois do lançamento internacional foram relatados casos de lesão hepática grave, e em revisão europeia isso gerou uma comunicação oficial aos profissionais de saúde com regras novas 8. Antes de iniciar, é preciso dosar as enzimas do fígado, e o tratamento não deve começar se elas ou a bilirrubina estiverem em duas vezes o limite superior da normalidade ou mais. Nos três primeiros meses o exame se repete mensalmente e depois conforme o julgamento clínico. O tratamento deve ser interrompido se as enzimas passarem de cinco vezes o limite, ou atingirem três vezes o limite quando houver aumento de bilirrubina ou sintomas de lesão no fígado 8. E a paciente precisa sair do consultório sabendo o que relatar imediatamente: cansaço fora do comum, coceira no corpo, pele ou olhos amarelados, urina escura, fezes claras, náusea, vômito, perda de apetite ou dor na barriga 8. O documento europeu registra que as alterações costumaram ser reversíveis com a suspensão 8.
Na minha leitura, isso não desqualifica o medicamento, e sim define quem é bom candidato. Ele existe para uma condição que acontece em mulheres saudáveis, e é essa a razão que a própria agência europeia dá para o rigor: quando o problema tratado não ameaça a vida, a tolerância a risco grave é menor 8. Traduzindo para a consulta: quem tem fígado saudável, aceita fazer os exames e entende os sinais de alarme tem uma opção muito boa. Quem já tem doença hepática ou não vai conseguir manter o acompanhamento tem opções melhores na mesma lista.
Um detalhe que mostra a velocidade dessa mudança: o guia brasileiro de oncologia, publicado em março de 2026, registra o fezolinetanto como aprovado nos Estados Unidos e ainda não aprovado pela Anvisa 9. Isso não é erro do guia nem discordância dele: é defasagem de três meses entre o documento e o fato. Quem procurar orientação escrita antes de junho vai encontrar a informação antiga. Existe um segundo medicamento da mesma família, o elinzanetant, com ensaio de 52 semanas publicado em 2025 e resultado favorável também sobre o sono 4; em agosto de 2026 ele ainda não tinha registro no Brasil.
A parte que o mercado não conta sobre isoflavona e fitoterápicos
Prefiro decepcionar aqui do que a paciente descobrir sozinha depois de meses gastando. A maior revisão do assunto reuniu 62 estudos e 6.653 mulheres 3. O achado: fitoestrógenos em geral reduziram cerca de 1,3 fogacho por dia em comparação com o grupo de controle, e a isoflavona de soja especificamente reduziu cerca de 0,8 fogacho por dia 3. Nos suores noturnos não houve redução significativa 3. E o dado que pesa mais que os três anteriores: 46 dos 62 estudos, ou seja quase três quartos deles, tinham alto risco de viés em três ou mais aspectos de qualidade 3.
Um fogacho a menos por dia é pouco para quem tem muitos, e vem de uma literatura frágil. É por isso que o posicionamento internacional classifica suplementos, fitoterápicos, alimentos e extratos de soja como não recomendados 2, e é por isso que a regional paulista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) publica que a isoflavona não trata os sintomas da menopausa, apontando que os resultados de eficácia comparados com placebo não são consistentes 10.
O erro comum que eu corrijo com frequência não é usar isoflavona, que é escolha da pessoa e raramente causa dano. É a conclusão que vem depois: a mulher tenta o suplemento da farmácia, passa três meses sem melhora relevante e conclui que o caso dela não tem solução. Ela testou a opção mais fraca da lista e generalizou o resultado para a lista inteira.
Quando há câncer de mama na história, a escolha muda de nome
Nesse cenário a conversa deixa de ser sobre preferência e passa a ser sobre interação. O guia da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) de 2026 é direto: o tamoxifeno depende de uma enzima específica do fígado para ser convertido na substância que age, e a paroxetina e a fluoxetina, que são inibidores potentes dessa enzima, reduzem essa conversão e devem ser evitadas 9. As opções descritas como mais seguras nessa companhia são venlafaxina, desvenlafaxina, citalopram e escitalopram, com a venlafaxina apontada como preferencial em quem usa tamoxifeno 9.
O mesmo guia coloca a terapia cognitivo-comportamental como opção de primeira linha em mulheres sintomáticas, especialmente quando o uso de medicamento é contraindicado, apoiada em ensaios clínicos que mostraram redução da frequência e do impacto dos fogachos, com melhora do sono 9. Isso vale a pena ser dito com todas as letras, porque terapia costuma ser oferecida à paciente como consolo e aqui ela é tratamento com nível de evidência próprio.
A escolha, quando existe mais de um caminho
Quase sempre há duas ou três opções defensáveis, e a decisão entre elas não é técnica. Um antidepressivo em dose baixa custa pouco, age em uma a duas semanas, tem décadas de uso conhecido, e pode trazer enjoo, sonolência ou boca seca 9. A gabapentina dá sonolência, o que é defeito de manhã e vantagem para quem acorda várias vezes à noite 9. O fezolinetanto não mexe em serotonina e não é hormônio, e cobra em troca exames de sangue antes e durante, além de vigilância a sintomas 8. A terapia cognitivo-comportamental não é medicamento e não traz efeito adverso farmacológico, e cobra tempo, dinheiro e disponibilidade emocional semanal.
O que nenhum estudo mede é o que costuma decidir: quanto incomoda tomar um comprimido todo dia, o que significa fazer coleta de sangue de mês em mês para quem tem horror a agulha, se existe espaço na agenda e no orçamento para terapia semanal, e o quanto a palavra antidepressivo pesa para aquela mulher, mesmo com a explicação de que ali ela não trata humor. Eu tenho preferência pessoal, e ela costuma ser começar pelo mais simples e barato para o padrão de sintoma que ela descreveu. Isso não é a recomendação, e sim o meu ponto de partida: a recomendação é a opção que você vai conseguir manter, porque tratamento não usado tem eficácia zero em qualquer tabela.
O quadro inteiro, em ordem de eficácia
| Opção | Quanto reduz o fogacho | Pontos principais |
|---|---|---|
| Estrogênio (com progesterona se há útero) | Cerca de 75% da frequência 1 | O mais eficaz, e a régua com que os outros se comparam. Oral e transdérmica têm eficácia semelhante 1. Fora de cogitação quando há contraindicação. |
| Fezolinetanto (Veoza) | Cerca de 53% das ondas diárias em quatro semanas 7 | Único não hormonal criado para este problema com registro no Brasil, desde junho de 2026 7. Efeito em três a sete dias 9. Exige exame de fígado antes de começar e mensal nos três primeiros meses 8. |
| Venlafaxina, desvenlafaxina, citalopram, escitalopram, paroxetina | 40% a 65% da frequência, medidos como grupo com a gabapentina 1 | Baratos, conhecidos, efeito em uma a duas semanas 9. Em quem usa tamoxifeno, evitar paroxetina e fluoxetina e preferir venlafaxina 9. Podem dar enjoo, sonolência e boca seca 9. |
| Gabapentina | Mesmo grupo de 40% a 65% 1 | A sonolência é defeito de manhã e vantagem para quem acorda várias vezes à noite 9. |
| Oxibutinina | Recomendada, com evidência um pouco menor 2 | Fica um degrau abaixo dos antidepressivos no posicionamento internacional 2. Boca seca e constipação são os incômodos típicos. |
| Terapia cognitivo-comportamental e hipnose clínica | Recomendadas com o melhor nível de evidência 2 | Não são medicamento e não trazem efeito adverso farmacológico. A terapia cognitivo-comportamental é primeira linha quando o medicamento é contraindicado 9. Cobram tempo, dinheiro e constância. |
| Perda de peso | Recomendada, com evidência mais limitada 2 | Entra como parte do cuidado, não como tratamento isolado do sintoma. |
| Isoflavona de soja e outros fitoestrógenos | Cerca de 0,8 a 1,3 fogacho a menos por dia 3 | Quase três quartos dos estudos tinham alto risco de viés 3. Não recomendados pelo posicionamento internacional 2, e a regional paulista da SBEM registra que a isoflavona não trata os sintomas 10. Não reduziram os suores noturnos 3. |
| Demais suplementos e fitoterápicos | Sem benefício demonstrado 2 | Não recomendados 2, e formam a maior fatia do que se vende para menopausa. |
| Exercício, ioga, meditação, relaxamento, acupuntura, evitar gatilhos | Sem efeito demonstrado sobre o fogacho 2 | Não recomendados para este sintoma específico 2, o que não os torna inúteis: exercício continua valendo por muitas outras razões, e o guia brasileiro de oncologia registra benefício em dor articular, qualidade de vida e adesão ao tratamento 9. |
Os números da coluna do meio vêm de estudos diferentes, com desenhos e formas de medir diferentes: uns expressam porcentagem de redução da frequência, outros o número de fogachos a menos por dia. Eles servem para dar a ordem de grandeza de cada opção, não para uma comparação direta linha a linha. Onde a fonte não traz número de redução, a coluna registra o nível de recomendação em vez de inventar um valor.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
O que dá para esperar: redução importante do número de ondas de calor, não o desaparecimento delas. Nenhuma das opções zera o sintoma, e a distância entre a primeira e a última linha da tabela acima é grande o bastante para que quem começa pela última conclua, de dentro da própria experiência, que nada funciona.
O que cuidar em cada caminho: o antidepressivo pede atenção à escolha da molécula em quem usa tamoxifeno 9; a gabapentina, ao horário, por causa da sonolência 9; o fezolinetanto, ao fígado, com exame antes de começar, mensal nos três primeiros meses e a lista de sinais de alarme sabida de cor 8. Nenhum deles se inicia por conta própria.
Se você levar uma frase daqui, que seja esta: não poder tomar hormônio não é o mesmo que não ter tratamento, e concluir que nada funciona depois de testar só o suplemento da farmácia é a forma mais comum de desistir cedo demais.
E se você se reconheceu na mulher que não dorme direito há meses porque acorda encharcada, essa não é a sua nova normalidade nem algo a atravessar com resignação. É queixa tratável, com mais de uma porta de entrada.
Quando procurar um endocrinologista
Vale marcar uma avaliação se as ondas de calor acontecem várias vezes ao dia, se elas acordam você à noite de forma repetida, se o sono ruim já está cobrando no humor, na memória ou no trabalho, se você tem contraindicação ao hormônio e nunca discutiu as alternativas, se já tentou suplemento por meses sem resultado, ou se você usa tamoxifeno ou inibidor de aromatase e ninguém revisou com você quais opções combinam com esse tratamento. Também vale se você já toma alguma dessas medicações e apareceu qualquer sintoma novo, principalmente cansaço fora do comum, coceira ou pele amarelada. Nenhuma das opções descritas aqui deve ser iniciada, trocada, ajustada ou suspensa a partir da leitura de um texto: elas exigem avaliação individual, e a escolha depende do seu histórico, do que você já usa e do que incomoda mais em você.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem a prescrição individualizada. Os medicamentos citados exigem prescrição e acompanhamento: nenhum deles deve ser iniciado, ajustado ou interrompido por conta própria, e o fezolinetanto em particular exige exames de função do fígado antes e durante o tratamento.
Se as ondas de calor estão atrapalhando o seu sono ou o seu dia, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
- Crandall C, Mehta J, Manson J. Management of Menopausal Symptoms: A Review. JAMA. 2023;329(5):405-420. doi:10.1001/jama.2022.24140.
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→ https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2025.4421 · PubMed 40920404 - Christ J, Navarro V, Reed S. Nonhormonal Therapies for Menopausal Vasomotor Symptoms. JAMA. 2023;330(13):1278-1279. doi:10.1001/jama.2023.15965.
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→ https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2025.0990 · PubMed 40323611 - Anvisa. Anvisa autoriza medicamento não-hormonal que trata sintomas da menopausa (Resolução 2.430/2026, de 18/06/2026; publicada em 23/06/2026)
→ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/anvisa-autoriza-medicamento-nao-hormonal-que-trata-sintomas-da-menopausa - European Medicines Agency. Comunicação direta aos profissionais de saúde: Veoza (fezolinetanto), risco de lesão hepática induzida por medicamento e novas recomendações de monitoramento da função hepática
→ https://www.ema.europa.eu/en/documents/dhpc/direct-healthcare-professional-communication-dhpc-veoza-fezolinetant-risk-drug-induced-liver-injury-new-recommendations-monitoring-liver-function-during-treatment_en.pdf - Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Guia da SBOC em terapia hormonal e anticoncepção nas mulheres com e sem histórico de câncer (2026)
→ https://sboc.org.br/wp-content/uploads/2026/03/GUIA_DE_TERAPIA_HORMONAL_v2.pdf - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional São Paulo. Isoflavona não trata os sintomas da menopausa
→ https://www.sbemsp.org.br/isoflavona-nao-trata-os-sintomas-da-menopausa/
Fontes jornalísticas
- Terra. Pesquisa avalia uso de plantas medicinais para alívio do fogacho durante a menopausa → https://www.terra.com.br/
Dúvidas dos leitores
Tomo isoflavona há meses e sinto que melhorou. Isso quer dizer que está funcionando para mim?
Quer dizer que você melhorou, e isso é real. O que não dá para saber por dentro da própria experiência é quanto veio da isoflavona. Nos estudos de fogacho, o grupo que recebe o tratamento sem efeito melhora muito: no ensaio de 52 semanas com o remédio novo, quem recebeu o comprimido sem princípio ativo passou de uma média de fogachos por dia para três e meio a menos, sem tomar nada de verdade 4. Some a isso o fato de que o fogacho diminui sozinho com o tempo em boa parte das mulheres, e você tem duas explicações concorrentes para a mesma melhora. Se você está bem, não há motivo para parar por causa deste texto. O motivo para conhecer os números é outro: se um dia a isoflavona não bastar, não conclua que nada funciona, porque o que falhou foi justamente a opção mais fraca da lista.
Não posso tomar hormônio por causa de um câncer de mama. O que sobra para mim?
Sobram opções, e o guia brasileiro de oncologia trata disso com nome e dose 9. Duas coisas mudam nesse cenário. A primeira é que a escolha do antidepressivo deixa de ser indiferente: quem usa tamoxifeno precisa evitar paroxetina e fluoxetina, porque elas atrapalham a transformação do tamoxifeno na substância que de fato age, e a venlafaxina aparece como a preferida justamente por não fazer isso 9. A segunda é que a terapia cognitivo-comportamental deixa de ser um complemento e passa a ser opção de primeira linha, com respaldo de sociedade 9. Nada disso se decide por texto: leve as duas informações para quem acompanha o seu caso, porque a interação com o tratamento oncológico é o eixo da conversa.
Vale a pena esperar o remédio novo chegar à farmácia ou começo com o que já existe?
Depende de quanto o sintoma está atrapalhando agora. Os antidepressivos em dose baixa e a gabapentina começam a agir em uma a duas semanas, custam pouco e têm décadas de uso conhecido 9. O fezolinetanto é mais recente, foi aprovado no Brasil em junho de 2026 7 e exige exame de sangue antes de começar e acompanhamento da função do fígado nos primeiros meses, por causa de casos graves relatados depois que ele foi lançado lá fora 8. Nenhum dos dois caminhos é errado. O que eu não recomendo é ficar esperando enquanto se dorme mal há meses, porque privação de sono cobra caro por conta própria.
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