Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial sóbria sobre fundo azul-marinho, com raios de luz solar em tons dourados atravessando o contorno estilizado de um osso longo em corte, ao lado de um discreto motivo de estrutura molecular em linhas finas. Sem texto, sem pessoas, sem medicamentos, sem embalagens.

Vitamina D: para que serve de verdade e quem precisa suplementar

Em resumo: a vitamina D é indispensável para o osso, e quem realmente tem falta dela precisa repor. O que os estudos não confirmaram foi a outra promessa, a de que tomar o suplemento protegeria pessoas saudáveis de fratura, queda, câncer e problema de coração. Não protegeu. Dosar no sangue quem não tem motivo também não é recomendado, nem pelas sociedades brasileiras nem pelas internacionais. E tomar dose alta não protege mais: pode inclusive fazer mal.

Por Dr. Márcio Gester, Endocrinologista, CRM-PA 14727, RQE 9424. Atualizado em 31/07/2026.

Uma curiosidade que explica muita coisa: ela não é bem uma vitamina

Vitamina, por definição, é uma substância que o corpo não fabrica e por isso precisa vir da comida. A vitamina D não é assim: você a produz na própria pele quando toma sol, e depois ela é transformada pelo fígado e pelo rim até virar a forma ativa.

Essa forma ativa circula no sangue, chega em vários órgãos e dá ordens a eles. Ou seja, ela se comporta como hormônio, não como vitamina1,4. O nome pegou por um acidente histórico: quando ela foi descoberta, há cerca de cem anos, ainda não se sabia disso, e o nome ficou.

Isso não é curiosidade inútil. É o que explica duas coisas que você vai ler adiante: por que faz diferença tomar sol, e por que dose exagerada pode causar problema.

O que ela faz de verdade

A função principal é bem estabelecida e ninguém discute: a vitamina D é o que permite ao intestino absorver o cálcio da comida. Sem ela, você pode comer cálcio à vontade que boa parte passa direto. E sem cálcio disponível, o osso não se forma nem se renova direito.

Quando falta de forma grave e por muito tempo, o osso fica mole. Em criança, isso se chama raquitismo. Em adulto, osteomalácia, que causa dor pelo corpo e fraqueza muscular. Isso é doença de verdade e precisa de tratamento.

O que cresceu muito além disso foi a expectativa. Nos últimos vinte anos apareceram centenas de estudos mostrando que quem tinha vitamina D baixa adoecia mais de quase tudo: mais câncer, mais infarto, mais infecção, mais depressão.

Só que existe uma armadilha nesse tipo de estudo, e ela se repete em muitos assuntos de saúde. Esses estudos só observam: pegam um grupo de pessoas, medem a vitamina D e veem quem adoece. Aí encontram que os doentes tinham vitamina D mais baixa. Mas a pergunta que interessa a quem vai tomar o comprimido é outra: dar vitamina D melhora alguma coisa? E não é a mesma pergunta.

Pense assim: quem já está doente sai menos de casa e pega menos sol. Quem tem obesidade tem a vitamina D espalhada num corpo maior, então o exame dá mais baixo. Quem é mais idoso produz menos na pele. Nesses três casos, a vitamina D baixa é uma consequência da situação, não a causa dela. Baixar o número com suplemento não faria a pessoa deixar de estar doente, de ter obesidade ou de ter envelhecido.

Para separar as duas coisas só existe um jeito: sortear. Pegar milhares de pessoas parecidas, dar o suplemento para metade e um comprimido sem efeito para a outra metade, sem ninguém saber quem tomou o quê, e acompanhar por anos. É esse tipo de estudo que responde a pergunta certa, e é exatamente aí que a história da vitamina D ficou bem menos grandiosa.

Quem precisa fazer o exame

A dosagem de vitamina D no sangue virou um dos exames mais pedidos do país, muitas vezes em check-up de pessoa que está bem e não tem queixa nenhuma. As diretrizes atuais, brasileiras e internacionais, não apoiam essa prática1,2,3.

O motivo é mais simples do que parece. Para valer a pena procurar um problema em quem está bem, é preciso que achar esse problema mude alguma coisa. Como você vai ver adiante, tratar o número alterado de quem está bem não mudou nada nos estudos.

O exame faz sentido quando existe um motivo concreto para desconfiar. Os principais1,3,4:

Se você não se encaixa em nada dessa lista, provavelmente não precisa desse exame.

No consultório, a cena que mais se repete é justamente a oposta: a pessoa chega com a vitamina D já dosada num check-up de rotina, sem queixa nenhuma, preocupada com um número que apareceu em vermelho no papel. A conversa então deixa de ser sobre a saúde dela e passa a ser sobre o exame. É a diferença entre um exame que responde uma pergunta e um exame que cria uma.

O que é considerado normal no Brasil

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, junto com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, publicou um posicionamento oficial definindo como os laboratórios brasileiros devem informar esse exame3. A leitura é esta:

Isso resolve a dúvida mais comum de quem recebe o resultado: se você não está nos grupos de risco e seu exame deu entre 20 e 30, isso é normal. Não é "insuficiente", não é meia-doença, não precisa de tratamento. Essa mudança foi justamente a novidade que as sociedades brasileiras trouxeram: antes, esse intervalo era classificado como insuficiência, e muita gente saía do laboratório achando que tinha um problema.

Essa faixa entre 20 e 30 é a que mais me rende conversa em consulta. Muito laboratório ainda imprime o resultado com a régua antiga, então o paciente lê "insuficiente" no próprio papel e chega convencido de que precisa tratar. Nesses casos eu costumo devolver a pergunta que interessa: existia um motivo para pedir esse exame? Quando não existia, quase sempre a conduta certa é não tratar o número, e sim parar de persegui-lo.

Onde o Brasil e as internacionais discordam

Vale ser transparente: não existe consenso mundial sobre o número ideal2, e as posições divergem em um ponto específico.

Para a população geral, praticamente todo mundo concorda hoje: abaixo de 20 é falta, e acima disso está bom. Brasil e internacionais alinhados.

Para os grupos de risco, aí diverge. As sociedades brasileiras recomendam mirar entre 30 e 603. Já a diretriz internacional da Endocrine Society, de 2024, faz uma ressalva franca: o alvo de 30 é uma sugestão baseada na experiência dos especialistas, e não existe estudo de boa qualidade mostrando que atingir esse número traz um resultado melhor do que ficar um pouco abaixo1.

Não é que uma esteja certa e a outra errada. É que a brasileira preferiu manter uma margem de segurança para quem tem osso frágil, e a internacional preferiu dizer com todas as letras que essa margem é uma escolha prudente, não uma certeza comprovada. Na prática do consultório, isso significa que perseguir um número específico à custa de dose alta não se justifica, e é bom saber disso antes de embarcar numa reposição agressiva.

Sobre quantidade diária, a recomendação nutricional de referência é de 600 unidades por dia dos 1 aos 70 anos, e 800 acima dos 705. São quantidades modestas, o que chama a atenção quando você compara com as cápsulas de 50.000 unidades que circulam com naturalidade por aí.

Fratura: o que aconteceu quando testaram

O maior estudo já feito nessa área acompanhou quase 26 mil adultos por mais de cinco anos. Metade tomou 2.000 unidades de vitamina D por dia, metade tomou comprimido sem efeito, e ninguém sabia quem estava em qual grupo. O número de fraturas foi praticamente o mesmo nos dois grupos6. E, o que mais importa, isso valeu também para as pessoas que começaram o estudo com a vitamina D baixa. Uma revisão de 2026 que juntou 36 estudos e mais de 92 mil pessoas chegou ao mesmo lugar: nenhuma diferença7.

Existe uma exceção, e ela é útil. Quando a vitamina D é dada junto com cálcio, aparece um benefício pequeno mas real: uma revisão de 6 estudos com quase 50 mil pessoas encontrou menos fraturas, com redução em torno de 6% no total e de 16% nas fraturas de quadril8. Só que é importante saber quem eram essas pessoas: em boa parte, idosos morando em casas de repouso e com alimentação pobre em cálcio. Ou seja, o benefício aparece onde falta os dois nutrientes, e não em quem já se alimenta bem.

Na prática, é por isso que, quando avalio uma paciente com osteoporose, eu me interesso menos pelo número da vitamina D isolado e mais pelo quanto de cálcio ela come por dia. Reposição de vitamina D em quem mal consome laticínio, e sem corrigir isso, é meio caminho feito.

Queda: pouco ou nenhum efeito

A revisão de 2026 não encontrou benefício relevante para prevenir quedas, nem com vitamina D, nem com cálcio, nem com os dois juntos7.

Um detalhe desses estudos se repete em vários assuntos de suplemento. Quando se olhou separadamente os estudos bem-feitos e os estudos com falhas de método, o resultado mudou: a proteção contra quedas só aparecia nos estudos mais frágeis. Entre os bem-feitos, o efeito sumia1. É um padrão clássico: quanto melhor o estudo, menor o benefício encontrado.

Câncer: incidência não mudou, e há uma pista em aberto

Tomar vitamina D não fez menos gente ter câncer. No mesmo estudo grande de quase 26 mil pessoas, quem tomou vitamina D teve a mesma quantidade de casos de câncer que quem tomou o comprimido sem efeito, incluindo os cânceres de mama, próstata e intestino9. Um estudo finlandês, com dose ainda maior, encontrou o mesmo11. Revisões que juntaram mais de 91 mil pessoas confirmam1.

Há uma pista, e é honesto dizer que ela ainda é só uma pista. Nesse mesmo estudo, morreram um pouco menos pessoas de câncer no grupo da vitamina D. Foi uma diferença pequena, que só ficou consistente quando os pesquisadores olharam apenas a partir do terceiro ano de acompanhamento9. Uma análise posterior encontrou algo parecido: menos casos de câncer que se espalhou pelo corpo ou levou à morte10.

Como eu leio isso na prática: é uma hipótese interessante, que precisa de um estudo desenhado especificamente para testá-la. Ela não é motivo para ninguém começar a tomar vitamina D pensando em prevenir câncer. Se fosse um efeito forte, teria aparecido de forma clara no resultado principal, e não apareceu.

Coração e mortalidade: sem efeito

Coração: o suplemento não reduziu infarto, derrame nem morte por causa cardíaca9. Uma revisão de 21 estudos com mais de 83 mil pessoas confirmou, e os resultados foram muito parecidos entre si, o que aumenta a confiança na conclusão12. A revisão da própria diretriz internacional, com mais de 80 mil pessoas, chegou ao mesmo1.

Morrer por qualquer causa: também não houve diferença9. Uma revisão de 27 estudos com mais de 117 mil pessoas encontrou o mesmo resultado13.

Por que dose alta não é "mais proteção"

Existe uma intuição muito comum de que, se um pouco faz bem, muito faz melhor. Com hormônio, isso não funciona assim, e a vitamina D é um hormônio.

Quando os pesquisadores compararam as doses altas com as doses habituais, o resultado não foi melhor: foi pior. Na revisão que acompanha a diretriz internacional de 2024, quem recebeu dose alta teve mortalidade maior do que quem recebeu dose padrão, enquanto a dose padrão ficou neutra1. Isso não é prova definitiva de que a dose alta mata, porque a comparação foi feita entre estudos diferentes. Mas é mais do que suficiente para derrubar a ideia de que exagerar protege.

O limite considerado seguro para uso contínuo em adultos é de 4.000 unidades por dia. Acima disso, mantido por muito tempo, o risco é o cálcio subir demais no sangue, o que pode causar enjoo, prisão de ventre, sede excessiva, vontade de urinar o tempo todo, pedra nos rins e, nos casos mais sérios, perda de função dos rins.

Um alerta específico sobre a ampola ou o comprimido de dosagem altíssima tomado uma vez por mês: é cômodo, mas não foi nesse esquema que os benefícios apareceram, e ele se encaixa justamente naquele padrão de dose alta que preocupa. Quando há indicação de repor, pouco todo dia é o que tem melhor respaldo.

Esse é o ajuste que eu mais faço em consulta: gente que vem tomando dose alta por conta própria há anos, muitas vezes por indicação de conhecido, e que nunca teve o cálcio do sangue conferido nesse período. Não digo isso para assustar ninguém, porque a maioria está bem. Digo porque conferir o cálcio é simples, e é a única forma de saber se está tudo certo.

Quem realmente se beneficia

Juntando tudo, a reposição faz sentido nestas situações1,3:

Para o adulto saudável, com menos de 75 anos, que se alimenta razoavelmente e sai de casa: a orientação é não tomar suplemento por rotina, e conversar caso a caso se houver alguma particularidade.

O que levar desta leitura

Vitamina D não é moda passageira nem solução para tudo. É um hormônio com uma função clara no osso, cuja falta de verdade precisa ser corrigida, e cuja suplementação em quem não precisa não entregou nada do que se prometeu em prevenção. O exame vale quando existe uma pergunta por trás dele. A reposição vale quando existe falta comprovada ou um grupo de risco identificado. E a dose que tem respaldo é a pequena e regular, não a heroica.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação se você se encaixa em alguma destas situações: já quebrou um osso depois de uma queda simples, da própria altura, ou tem diagnóstico de osteoporose; tem doença que atrapalha a absorção pelo intestino, incluindo quem fez cirurgia bariátrica; tem doença nos rins; usa corticoide ou anticonvulsivante de forma contínua; recebeu resultado alterado de cálcio, fósforo ou paratormônio; sente dor pelo corpo com fraqueza muscular, que é o quadro que faz pensar em osso mole; ou vem tomando vitamina D em dose alta por conta própria, principalmente aquela ampola mensal, e nunca teve o cálcio conferido no sangue. Nada do que está escrito aqui substitui essa consulta: o texto explica o que os estudos mostram na média das pessoas, e decidir se você deve dosar, repor e em que dose depende do seu caso, dos seus exames e da sua história.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico individualizado. As doses e os esquemas de reposição citados aqui vêm de diretrizes e estudos científicos e não valem como prescrição: quem define se você precisa repor, em que dose e por quanto tempo é o médico que conhece o seu caso.

Se você tem osteoporose, doença que atrapalha a absorção, alteração no cálcio ou dúvida sobre a vitamina D que já vem tomando, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Demay M, Pittas A, Bikle D, Diab D, Kiely M, Lazaretti-Castro M, et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2024;109(8):1907-1947. doi:10.1210/clinem/dgae290.
    https://doi.org/10.1210/clinem/dgae290 · PubMed 38828931
  2. Krist A, Davidson K, Mangione C, Cabana M, Caughey A, Davis E, et al. Screening for Vitamin D Deficiency in Adults: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2021;325(14):1436-1442. doi:10.1001/jama.2021.3069.
    https://doi.org/10.1001/jama.2021.3069 · PubMed 33847711
  3. Ferreira C, Moreira C, Vasconcellos L. Template for the laboratory's report of 25-hydroxyvitamin D: recommendations from the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. 2020;56:e1622020. doi:10.5935/1676-2444.20200052.
    https://doi.org/10.5935/1676-2444.20200052
  4. Ye C, Ebeling P, Kline G. Osteoporosis. The Lancet. 2025;406(10514):2003-2016. doi:10.1016/S0140-6736(25)01385-6.
    https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)01385-6 · PubMed 40946719
  5. Allen L. Micronutrients: Assessment, Requirements, Deficiencies, and Interventions. New England Journal of Medicine. 2025;392(10):1006-1016. doi:10.1056/NEJMra2314150.
    https://doi.org/10.1056/NEJMra2314150 · PubMed 40043238
  6. LeBoff M, Chou S, Ratliff K, Cook N, Khurana B, Kim E, et al. Supplemental Vitamin D and Incident Fractures in Midlife and Older Adults. New England Journal of Medicine. 2022;387(4):299-309. doi:10.1056/NEJMoa2202106.
    https://doi.org/10.1056/NEJMoa2202106 · PubMed 35939577
  7. Massé O, Mercurio C, Dupuis S, Al Sahwi M, Arruda A, Dallaire G, et al. Calcium, vitamin D, or combined supplementation to prevent fractures and falls: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2026;393:e088050. doi:10.1136/bmj-2025-088050.
    https://doi.org/10.1136/bmj-2025-088050 · PubMed 42161415
  8. Yao P, Bennett D, Mafham M, Lin X, Chen Z, Armitage J, et al. Vitamin D and Calcium for the Prevention of Fracture: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network Open. 2019;2(12):e1917789. doi:10.1001/jamanetworkopen.2019.17789.
    https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2019.17789 · PubMed 31860103
  9. Manson J, Cook N, Lee I, Christen W, Bassuk S, Mora S, et al. Vitamin D Supplements and Prevention of Cancer and Cardiovascular Disease. New England Journal of Medicine. 2019;380(1):33-44. doi:10.1056/NEJMoa1809944.
    https://doi.org/10.1056/NEJMoa1809944 · PubMed 30415629
  10. Chandler P, Chen W, Ajala O, Hazra A, Cook N, Bubes V, et al. Effect of Vitamin D3 Supplements on Development of Advanced Cancer: A Secondary Analysis of the VITAL Randomized Clinical Trial. JAMA Network Open. 2020;3(11):e2025850. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.25850.
    https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2020.25850 · PubMed 33206192
  11. Virtanen J, Nurmi T, Aro A, Bertone-Johnson E, Hyppönen E, Kröger H, et al. Vitamin D supplementation and prevention of cardiovascular disease and cancer in the Finnish Vitamin D Trial: a randomized controlled trial. The American Journal of Clinical Nutrition. 2022;115(5):1300-1310. doi:10.1093/ajcn/nqab419.
    https://doi.org/10.1093/ajcn/nqab419 · PubMed 34982819
  12. Barbarawi M, Kheiri B, Zayed Y, Barbarawi O, Dhillon H, Swaid B, et al. Vitamin D Supplementation and Cardiovascular Disease Risks in More Than 83 000 Individuals in 21 Randomized Clinical Trials: A Meta-analysis. JAMA Cardiology. 2019;4(8):765-776. doi:10.1001/jamacardio.2019.1870.
    https://doi.org/10.1001/jamacardio.2019.1870 · PubMed 31215980
  13. O'Connor E, Evans C, Ivlev I, Rushkin M, Thomas R, Martin A, et al. Vitamin and Mineral Supplements for the Primary Prevention of Cardiovascular Disease and Cancer: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force. JAMA. 2022;327(23):2334-2347. doi:10.1001/jama.2021.15650.
    https://doi.org/10.1001/jama.2021.15650 · PubMed 35727272
  14. SBPC/ML e SBEM, posicionamento oficial sobre intervalos de referência da vitamina D (atualização 2018)
    https://www.sbpc.org.br/pt/component/content/article/406-sbpc-ml-e-sbem-atualizam-posicionamento-de-vitamina-d?catid=8&Itemid=101
  15. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
    https://www.endocrino.org.br/
  16. ABRASSO, Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo
    https://abrasso.org.br/
  17. Endocrine Society, diretriz de vitamina D para prevenção de doenças (2024)
    https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/vitamin-d-for-prevention-of-disease

Dúvidas dos leitores

Preciso tomar sol para ter vitamina D suficiente, mesmo morando em Belém?

Morar perto da linha do Equador ajuda, porque o sol forte que produz vitamina D na pele está disponível o ano inteiro aqui. Mas isso sozinho não garante um nível adequado. Trabalhar o dia todo em ambiente fechado, usar roupa cobrindo a maior parte do corpo, passar protetor solar todos os dias, ter pele mais escura e ter mais idade são fatores que reduzem bastante essa produção. Por outro lado, se expor de propósito ao sol por muito tempo tem um custo próprio, que é o risco de câncer de pele. Por isso a orientação de se proteger do sol continua valendo, e quando alguém realmente tem falta de vitamina D, a correção é feita com o suplemento, que tem dose controlada e não traz esse risco.

Se meu exame veio um pouco abaixo do valor de referência, isso quer dizer que eu tenho uma doença?

Na maior parte das vezes, não. O número que o laboratório imprime como referência não é a mesma coisa que o limite entre estar bem e estar doente, e muita gente com resultado um pouco abaixo não tem nenhuma consequência no osso nem sintoma nenhum por causa disso. O que realmente muda a conduta é o conjunto: se havia um motivo para pedir esse exame, se o cálcio e os outros exames do osso estão normais, e se existe alguma doença óssea. Um número solto, colhido num check-up sem motivo, costuma gerar mais tratamento do que benefício. Essa leitura é individual e precisa de quem acompanha você.

Tomar aquela dose alta de vez em quando substitui a dose diária?

Não é a mesma coisa, e a diferença não é só de comodidade. Os estudos que usaram doses grandes e espaçadas, do tipo uma ampola ou um comprimido de dosagem altíssima uma vez por mês, não mostraram o benefício que se esperava, e alguns apontaram resultados piores do que a dose pequena de todo dia. Quando existe indicação de repor, tomar pouco todo dia é o esquema com melhor respaldo. Se você já vem tomando ampola mensal por conta própria há bastante tempo, vale conversar com seu médico e checar o cálcio no sangue.

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