Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial em fundo azul-marinho com a silhueta de uma casa e, dentro dela, uma curva de crescimento subindo, sugerindo que o acompanhamento da criança acontece dentro da família.

Obesidade infantil: o que muda quando a conta é da família inteira

Em resumo: uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros de 5 a 19 anos já vive com sobrepeso ou obesidade, o que significa 16,5 milhões de pessoas nessa faixa de idade. O tratamento com melhor evidência não é uma dieta prescrita para a criança: é uma mudança de rotina que envolve a casa inteira, e a quantidade de acompanhamento pesa mais que o método escolhido. Existem hoje no Brasil dois medicamentos aprovados a partir dos 12 anos, com critérios estreitos, e eles entram somando ao acompanhamento, nunca no lugar dele. Antes de tudo isso, há uma medida que quase sempre passa batida: a altura.

Por Dr. Márcio Gester, Endocrinologista, CRM-PA 14727, RQE 9424. Atualizado em 06/08/2026.

Contexto: o que saiu na mídia

Em março de 2026, na divulgação do Atlas Mundial da Obesidade, os números brasileiros voltaram ao noticiário: 6,6 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 9,9 milhões de pessoas entre 10 e 19 anos com excesso de peso no país. É um dado que assusta e que costuma vir acompanhado de duas reações igualmente ruins no consultório: o pânico, que faz a família começar uma dieta improvisada no dia seguinte, e a minimização, aquele "é gordura de criança, ela estica na adolescência".

A conversa útil está no meio, e ela começa por uma medida que quase ninguém olha.

A altura conta mais que o peso

A criança com obesidade exógena, a forma multifatorial que responde por quase todos os casos, costuma ser mais alta que os colegas da mesma idade antes da puberdade, e não mais baixa. Num estudo alemão que acompanhou o crescimento de crianças com obesidade, a diferença de estatura chegou a 7 a 8 centímetros na infância 3. O excesso de gordura acelera o relógio do crescimento por um tempo, ainda que o ganho adulto final não acompanhe essa vantagem.

Isso tem uma consequência prática enorme. As causas hormonais que as famílias mais temem, como problema de tireoide, excesso de cortisol e deficiência do hormônio de crescimento, fazem o contrário: a criança ganha peso e desacelera o crescimento. A diretriz da Endocrine Society coloca essa combinação como o traço que separa a obesidade exógena das causas endócrinas, e registra que velocidade de crescimento normal ou aumentada em geral afasta essas causas 2. A Sociedade Brasileira de Pediatria organiza o mesmo raciocínio no documento sobre quando suspeitar que existe uma causa genética ou hormonal por trás da obesidade, listando entre os sinais de alerta a obesidade que começa no primeiro ano de vida, a obesidade grave antes dos 5 anos, dismorfismos e a queda na velocidade de crescimento.

Os nomes dessas categorias importam porque cada uma muda a conduta. Cerca de 95% dos casos são de obesidade exógena, também chamada de multifatorial ou poligênica: a soma de herança distribuída em muitos genes com ambiente, oferta de comida, sono, tela, sedentarismo e condições sociais 1. Ela é doença, e continua sendo doença exatamente por ser a mais comum. As outras três categorias são raras, e o que as define é precisarem de investigação e de tratamento além do tratamento da obesidade:

Os dois sinais que mais levantam suspeita de causa genética são obesidade grave que começa cedo, antes dos 5 anos, e fome insaciável, com preocupação constante com comida e sofrimento quando ela é negada 1. Obesidade grave antes dos 3 anos pede investigação sempre.

Na minha leitura, é por isso que a pergunta que eu faço cedo na consulta não é sobre o que a criança come. É se alguém tem a caderneta da criança, o teste do pezinho ou as anotações de altura das últimas consultas. Peso isolado diz pouco; peso e altura marcados na curva ao longo do tempo mudam o diagnóstico.

Por que não dá para esperar

O argumento de esperar a adolescência resolver esbarra em como o diabetes tipo 2 se comporta quando começa cedo. No estudo TODAY, que acompanhou jovens com diabetes tipo 2, mais da metade falhou no tratamento apenas com metformina, contra cerca de 12% dos adultos num estudo comparável, e a explicação está na perda acelerada da capacidade do pâncreas de produzir insulina, não em falta de adesão 5. O diabetes que começa na adolescência é uma doença mais agressiva que a do adulto, e chega às complicações mais rápido.

Some a isso o que a obesidade na infância carrega junto: pressão alta, alterações de colesterol, gordura no fígado e apneia do sono aparecem antes do que se imagina 1,4,6. É o que faz a recomendação atual ser tratar agora, e não observar.

Aqui eu costumo desarmar uma culpa. A família que esperou não foi negligente: esperar era exatamente o que se recomendava há vinte anos, e a mudança de postura é recente. O que mudou não foi o julgamento sobre os pais, foi o entendimento da doença.

O tratamento que tem a melhor evidência é da casa, não da criança

A base do tratamento em qualquer idade é um programa de mudança de comportamento que envolve a família. E o achado mais importante dessa área não é sobre qual dieta, é sobre quanto: a revisão da Academia Americana de Pediatria concluiu que a intensidade da intervenção é o que melhor prevê o resultado. A partir de 26 horas de contato ao longo de 3 a 12 meses já aparece efeito, e com 52 horas ou mais o efeito é maior e mais consistente 1. Essas horas são a soma de todo o tempo presencial com a equipe no programa inteiro, juntando consulta médica, nutrição, orientação de atividade física e as sessões com a família, individuais ou em grupo. Não é carga por semana: 26 horas espalhadas por um ano dão cerca de meia hora semanal, e 52 horas, cerca de uma hora. Dito assim parece pouco, e é justamente o contrário do que a maioria recebe.

Isso é bem diferente do que costuma acontecer na vida real, que é uma consulta a cada seis meses com uma lista de recomendações.

Dois ensaios mostram que dá para fazer isso na atenção primária, sem centro especializado. Num estudo com 452 crianças de 6 a 12 anos, o tratamento comportamental com a família reduziu o excesso de peso em relação ao cuidado habitual, com benefício paralelo nos pais e até em irmãos que não estavam no programa 7. Um ensaio de 2026 em 41 unidades de atenção primária, com 730 crianças e adolescentes, repetiu o resultado com melhora de qualidade de vida e sem eventos adversos ligados ao estudo 8.

No primeiro desses estudos, o benefício apareceu também nos pais e nos irmãos que não estavam sendo tratados 7. Quando a casa muda, muda para todo mundo, e é por isso que colocar a criança de dieta enquanto o resto da família come outra coisa costuma fracassar, sem que falte força de vontade a ela.

Também há limites honestos. A desistência chega a 40% nos estudos e a 60% em contextos de baixa renda, e na obesidade grave o tratamento comportamental isolado tem eficácia limitada 1,9.

Por que falar do futuro não funciona nessa idade

O argumento que quase toda família usa é o do futuro: se você não mudar agora, vai ter diabetes, vai ter problema no coração. A frase é verdadeira e mesmo assim quase nunca muda comportamento nessa idade, e existe uma explicação concreta para isso.

Quando pesquisadores mediram como adolescentes escolhem entre uma recompensa pequena agora e uma maior depois, o achado foi mais específico do que "adolescente é imediatista": a impaciência deles vem de desprezar o resultado futuro, e não de querer o presente com mais intensidade do que um adulto 14. O que amadurece com a idade é a conexão entre a região frontal do cérebro, que projeta consequência, e a região profunda que responde à recompensa, e essa maturação segue até por volta dos 25 anos 14,15. A capacidade de antecipar consequência e mudar o comportamento por causa dela chega inteira mais ou menos nessa idade 15.

Pedir a um adolescente de 13 anos que troque o prazer de hoje por um risco aos 40 é pedir uma conta que o cérebro dele ainda não terminou de montar. Não é preguiça, não é desobediência e não é falta de caráter, e tratar como se fosse costuma estragar a relação sem mudar nada.

Adolescentes acompanhados ao longo do tempo, cujo desprezo pelo futuro aumentou, ganharam índice de massa corporal mais rápido que os demais 16. E crianças entre 7 e 11 anos raciocinam bem melhor com informação concreta e observável do que com conceito abstrato 17, que é exatamente o formato de "risco cardiovascular daqui a trinta anos".

Na prática eu troco o argumento do futuro pelo que muda neste mês, e peço à família que faça o mesmo: dormir melhor, subir a escada da escola sem parar, aguentar o jogo inteiro, a roupa que serve. São ganhos que a criança verifica sozinha, e verificar é o que sustenta a mudança nessa idade. O argumento do futuro continua valendo, só que o interlocutor dele é o adulto. Essa é mais uma razão para o tratamento ser da casa: quem consegue raciocinar em anos, ali, são os pais. Em tese. Na prática eu vejo muito adulto que também decide pelo aqui e agora, que também empurra o incômodo para a frente e que também precisa de um ganho de curto prazo para não desistir na terceira semana. A parte do cérebro que projeta consequência termina de amadurecer por volta dos 25 anos e, depois disso, funciona com intensidade que varia conforme o dia, o sono e o estresse. Admitir isso em casa rende mais do que cobrar da criança uma maturidade que os adultos em volta também estão construindo.

Isso também ilumina um dado das diretrizes que costuma frustrar: o tratamento comportamental funciona de forma mais consistente entre 6 e 12 anos e perde força na adolescência 1. Parte da explicação é o descompasso entre a linguagem do tratamento, que fala de futuro, e a idade de quem precisa executá-lo.

Medicação em adolescentes: o que está aprovado no Brasil

A Academia Americana de Pediatria recomenda oferecer medicação a adolescentes a partir de 12 anos com obesidade, como adjuvante ao tratamento comportamental 1. No Brasil, dois medicamentos têm essa indicação aprovada: a liraglutida (Saxenda) e a semaglutida (Wegovy). Os dois imitam o GLP-1, um hormônio que o intestino produz depois das refeições e que sinaliza saciedade ao cérebro.

O que os estudos mostram:

Semaglutida (Wegovy)Liraglutida (Saxenda)
Estudo em adolescentes201 participantes, 68 semanas 10251 participantes, 56 semanas 11
Redução do índice de massa corporal contra placebo16,7 pontos percentuais4,6 pontos percentuais
Perderam 5% ou mais do peso73%, contra 18% no placebo43,3%, contra 18,7% no placebo
Aplicaçãosemanaldiária

Os dois estudos compararam a medicação com uma injeção sem efeito, aplicada no mesmo esquema do remédio de verdade, semanal no caso da semaglutida e diária no da liraglutida, sem que participantes ou pesquisadores soubessem quem recebia o quê, e nos dois grupos todo mundo recebeu orientação de estilo de vida. Não existe estudo comparando os dois medicamentos diretamente, então a diferença entre as colunas é uma comparação indireta. Uma análise que reuniu os estudos disponíveis apontou a semaglutida como a mais eficaz do grupo 12.

As bulas brasileiras exigem, além da idade a partir de 12 anos, peso acima de 60 kg e obesidade confirmada pela curva de índice de massa corporal para sexo e idade. E trazem algo que raramente aparece nas reportagens: uma regra de parada. A bula da semaglutida (Wegovy) orienta descontinuar e reavaliar se o adolescente não reduziu o índice de massa corporal em pelo menos 5% após 12 semanas na dose de 2,4 mg ou na dose máxima tolerada.

Sobre a pergunta que toda mãe e todo pai faz, e que é a primeira: as duas bulas registram que não foram encontrados efeitos no crescimento nem no desenvolvimento puberal nos estudos com adolescentes. Isso é o que se sabe até o momento, com o horizonte de tempo que esses estudos tiveram, que é de pouco mais de um ano.

Os efeitos indesejados existem e são majoritariamente do estômago e do intestino: náusea, vômito e diarreia, mais frequentes durante a fase de aumento da dose 10,11,13. Pedra na vesícula apareceu em 3,8% de quem usou semaglutida e em ninguém do grupo placebo, segundo a própria bula brasileira. Aqui é importante separar três coisas que costumam ser confundidas: a única contraindicação absoluta da bula da semaglutida (Wegovy) é alergia ao produto; carcinoma medular de tireoide e a síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 aparecem como advertência, com orientação de cautela, a partir de tumores observados em roedores; e há situações que simplesmente não foram estudadas nessa idade, o que não é o mesmo que serem seguras.

E o ponto que fecha a seção: interromper costuma trazer o peso de volta. No estudo com liraglutida, o índice de massa corporal voltou a subir mais no grupo que vinha usando a medicação durante as 26 semanas de observação após a suspensão 11. Quem começa precisa saber disso desde o primeiro dia.

Onde a pediatria brasileira e a americana não coincidem

O manual de referência da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre obesidade na infância e adolescência é de 2019, anterior a essas aprovações, e lista a liraglutida como uso adulto. A recomendação americana de oferecer medicação a partir dos 12 anos é de 2023. A Anvisa aprovou a liraglutida e depois a semaglutida para adolescentes nesse intervalo.

Ou seja, não há aqui uma sociedade brasileira contradizendo a americana. Há um documento nacional que ainda não foi atualizado desde que a regulação mudou, o que é diferente. Enquanto isso, endocrinologistas ligados à SBEM já discutem publicamente o papel dos medicamentos nessa faixa etária, sempre com a mesma ressalva: a medicação não substitui a mudança de estilo de vida.

Como eu leio isso na prática: a ausência de um documento brasileiro atualizado não é sinal verde nem sinal vermelho, é a razão pela qual essa decisão precisa ser individual e conversada, em vez de protocolar.

A escolha, quando existe mais de um caminho

Num adolescente de 14 anos com obesidade, sem diabetes, sem apneia, com a família disposta a mudar a rotina, existem pelo menos dois caminhos defensáveis: intensificar o acompanhamento comportamental por alguns meses antes de qualquer medicação, ou começar os dois juntos.

O que cada escolha custa e o que cada uma poupa não está nos estudos. Esperar poupa a exposição a um medicamento novo numa idade em que os dados de longo prazo ainda não existem, e custa meses num período em que o corpo está se formando e em que a escola, o esporte e a relação com os colegas estão acontecendo agora, não depois. Começar junto tende a trazer resultado mais rápido, e custa uma aplicação, um efeito colateral possível, um gasto que raramente é coberto, e uma conversa difícil sobre por quanto tempo. Nada disso é medido em ponto percentual de índice de massa corporal.

O que eu levo para a mesa são os números das duas opções e essas perguntas: quantas horas de acompanhamento a família consegue sustentar de verdade nos próximos seis meses, o que esse adolescente está deixando de fazer hoje por causa do peso, e o quanto essa casa aguenta mais um tema de conflito diário. Minha preferência pessoal, na maioria dos casos sem complicação instalada, é começar pelo acompanhamento intensivo e reavaliar com prazo marcado. Mas isso é preferência minha, não é a recomendação, e há adolescentes em que começar junto é claramente a melhor decisão.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

Tratar cedo compensa, porque o diabetes que começa na adolescência é mais agressivo que o do adulto e falha ao tratamento inicial em mais da metade dos casos 5. O tratamento com melhor evidência é comportamental e da família inteira, e o que mais prevê resultado é a intensidade, contada como horas somadas de contato com a equipe ao longo de todo o programa: 26 horas mostram efeito, 52 horas ou mais mostram um efeito melhor 1. Onde isso não basta, existem dois medicamentos aprovados no Brasil a partir dos 12 anos, com peso acima de 60 kg e obesidade confirmada na curva, sendo a semaglutida o de maior efeito 10,12; eles têm efeitos indesejados sobretudo digestivos, uma regra de parada em 12 semanas, e nenhum efeito detectado sobre crescimento e puberdade nos estudos até aqui.

A frase para levar embora: a altura do seu filho é tão importante quanto o peso na hora de entender o que está acontecendo, e o tratamento que funciona não é aquele em que só a criança muda.

Se você leu isso reconhecendo a sua casa, essa conversa cabe numa consulta, e ela começa com a curva de crescimento na mão.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação quando: a criança ganha peso e ao mesmo tempo passa a crescer menos que antes; a obesidade começou no primeiro ano de vida ou ficou grave antes dos 5 anos; existem manchas escuras e aveludadas no pescoço e nas axilas, que sugerem resistência à insulina; há ronco alto com pausas na respiração durante o sono; a menina tem pelos e acne muito acima do esperado ou a menstruação vem muito irregular; existe história de diabetes tipo 2 na família; ou já houve exame alterado de glicose, colesterol ou de fígado. Também vale procurar quando a família já tentou mudar a rotina sozinha e não conseguiu sustentar, que é uma razão tão legítima quanto as outras.

Nada disso se resolve por texto na internet, e um artigo não substitui a avaliação de quem vai medir, examinar e olhar a curva de crescimento do seu filho.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a orientação individual do seu médico. Os medicamentos citados exigem prescrição e acompanhamento, e nenhum deles deve ser iniciado por conta própria, ainda mais em criança ou adolescente.

Por Dr. Márcio Gester, endocrinologista em Belém, CRM-PA 14727, RQE 9424. Se quiser avaliar o caso do seu filho com calma, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Hampl S, Hassink S, Skinner A, Armstrong S, Barlow S, Bolling C, et al. Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Treatment of Children and Adolescents With Obesity. Pediatrics. 2023;151(2).
    https://doi.org/10.1542/peds.2022-060640 · PubMed 36622115
  2. Styne D, Arslanian S, Connor E, Farooqi I, Murad M, Silverstein J, et al. Pediatric Obesity, Assessment, Treatment, and Prevention: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. 2017;102(3):709-757.
    https://doi.org/10.1210/jc.2016-2573 · PubMed 28359099
  3. Kempf E, Vogel M, Vogel T, Kratzsch J, Landgraf K, Kühnapfel A, et al. Dynamic alterations in linear growth and endocrine parameters in children with obesity and height reference values. eClinicalMedicine. 2021;37:100977.
    https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2021.100977 · PubMed 34386750
  4. Hannon T, Arslanian S. Obesity in Adolescents. New England Journal of Medicine. 2023;389(3):251-261.
    https://doi.org/10.1056/nejmcp2102062 · PubMed 37467499
  5. Bensignor M, Hsia D, Van Name M, Jastreboff A, Ryder J. Extinguishing the Fire: Treating Pediatric Type 2 Diabetes by Targeting Obesity Treatment. Diabetes Care. 2025;48(12):1981-1993.
    https://doi.org/10.2337/dci25-0031 · PubMed 40730197
  6. Kelly A, Armstrong S, Michalsky M, Fox C. Obesity in Adolescents: A Review. JAMA. 2024;332(9):738-748.
    https://doi.org/10.1001/jama.2024.11809 · PubMed 39102244
  7. Epstein L, Wilfley D, Kilanowski C, Quattrin T, Cook S, Eneli I, et al. Family-Based Behavioral Treatment for Childhood Obesity Implemented in Pediatric Primary Care. JAMA. 2023;329(22):1947.
    https://doi.org/10.1001/jama.2023.8061 · PubMed 37314275
  8. Staiano A, Cook S, Stein R, Button A, Newton R, Beyl R, et al. Family-Centered Child Obesity Treatment: The TEAM UP Randomized Clinical Trial. JAMA Pediatrics. 2026.
    https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2026.3067 · PubMed 42507462
  9. McGavock J, Chauhan B, Rabbani R, Dias S, Klaprat N, Boissoneault S, et al. Layperson-Led vs Professional-Led Behavioral Interventions for Weight Loss in Pediatric Obesity. JAMA Network Open. 2020;3(7):e2010364.
    https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2020.10364 · PubMed 32658289
  10. Weghuber D, Barrett T, Barrientos-Pérez M, Gies I, Hesse D, Jeppesen O, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adolescents with Obesity. New England Journal of Medicine. 2022;387(24):2245-2257.
    https://doi.org/10.1056/nejmoa2208601 · PubMed 36322838
  11. Kelly A, Auerbach P, Barrientos-Perez M, Gies I, Hale P, Marcus C, et al. A Randomized, Controlled Trial of Liraglutide for Adolescents with Obesity. New England Journal of Medicine. 2020;382(22):2117-2128.
    https://doi.org/10.1056/nejmoa1916038 · PubMed 32233338
  12. Liu L, Shi H, Shi Y, Wang A, Guo N, Tao H, et al. Comparative Efficacy and Safety of Glucagon-like Peptide-1 Receptor Agonists in Children and Adolescents with Obesity or Overweight: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Pharmaceuticals. 2024;17(7):828.
    https://doi.org/10.3390/ph17070828 · PubMed 39065679
  13. Schoenherr D, Swinton M, Madison K. GLP-1 Receptor Agonists for Obesity in Adolescents. American Family Physician. 2026.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41544290/ · PubMed 41544290
  14. van den Bos W, Rodriguez C, Schweitzer J, McClure S. Adolescent impatience decreases with increased frontostriatal connectivity. Proceedings of the National Academy of Sciences. 2015;112(29):E3765-E3774.
    https://doi.org/10.1073/pnas.1423095112 · PubMed 26100897
  15. Cousijn J, Luijten M, Feldstein Ewing S. Adolescent resilience to addiction: a social plasticity hypothesis. The Lancet Child & Adolescent Health. 2018;2(1):69-78.
    https://doi.org/10.1016/s2352-4642(17)30148-7 · PubMed 30169197
  16. Felton J, Collado A, Ingram K, Lejuez C, Yi R. Changes in delay discounting, substance use, and weight status across adolescence. Health Psychology. 2020;39(5):413-420.
    https://doi.org/10.1037/hea0000833 · PubMed 31916829
  17. Stein A, Dalton L, Rapa E, Bluebond-Langner M, Hanington L, Stein K, et al. Communication with children and adolescents about the diagnosis of their own life-threatening condition. The Lancet. 2019;393(10176):1150-1163.
    https://doi.org/10.1016/s0140-6736(18)33201-x · PubMed 30894271
  18. Sociedade Brasileira de Pediatria. Obesidade na infância e adolescência: Manual de Orientação, Departamento Científico de Nutrologia, 3ª edição (2019)
    https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_de_Obesidade_-_3a_Ed_web_compressed.pdf
  19. Sociedade Brasileira de Pediatria. Quando suspeitar que a obesidade não é comum: orientações para o pediatra (2020)
    https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/novo-documento-da-sbp-orienta-pediatras-na-identificacao-da-obesidade-infantil/
  20. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional São Paulo. Obesidade infantil: o papel dos medicamentos no tratamento de adolescentes
    https://www.sbemsp.org.br/obesidade-infantil-endocrinologista-da-sbem-sp-destaca-papel-dos-medicamentos-no-tratamento-de-adolescentes/
  21. Anvisa. Wegovy (semaglutida): ampliação de uso
    https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida-ampliacao-de-uso
  22. Anvisa. Saxenda (liraglutida): nova indicação
    https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/saxenda-liraglutida-nova-indicacao
  23. Bula profissional de Wegovy (semaglutida), Novo Nordisk Brasil
    https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Wegovy_Bula_Profissional.pdf
  24. Bula profissional de Saxenda (liraglutida), Novo Nordisk Brasil
    https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Saxenda_Bula_Profissional1.pdf

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Meu filho está acima do peso, mas é alto para a idade. Isso é sinal de problema hormonal?

Normalmente é o contrário. A criança com obesidade exógena, que é a forma multifatorial e responde por quase todos os casos, costuma crescer no ritmo esperado ou até um pouco mais rápido antes da puberdade. O que liga o alerta para causa hormonal é a combinação oposta: ganhar peso e, ao mesmo tempo, desacelerar o crescimento. Por isso o pediatra mede altura em toda consulta e marca na curva, não só o peso. Estar alto e acima do peso não descarta a necessidade de cuidar do peso, mas costuma afastar as causas endócrinas mais temidas.

Se meu filho de 13 anos tomar a medicação, ele vai precisar tomar para sempre?

Não dá para prometer nem um cenário nem o outro, e essa é a resposta honesta. O que se sabe é que a obesidade é uma doença crônica, e que boa parte de quem interrompe a medicação recupera peso, o que também foi visto no estudo com adolescentes. Na prática, a decisão é revista periodicamente, junto com a família, olhando o que melhorou além da balança. A medicação também tem critério de parada: se depois de doze semanas na dose alvo o índice de massa corporal não caiu pelo menos 5%, a bula orienta reavaliar o tratamento em vez de simplesmente continuar.

Colocar meu filho de dieta não pode causar transtorno alimentar?

É uma preocupação legítima e vale falar dela abertamente. Por isso os programas com melhor evidência não são dietas restritivas dirigidas à criança: são mudanças de rotina da casa inteira, com foco no que entra na despensa, no sono, na tela e no movimento, sem transformar a criança no problema da família. Comentário sobre corpo, apelido e pesagem pública tendem a piorar tudo, inclusive o peso. Se já existem sinais como comer escondido, episódios de comer muito rápido com sensação de perda de controle, ou muita angústia com o próprio corpo, isso precisa ser dito ao médico, porque muda a conduta.

Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.