
Caneta de emagrecimento em adolescente: quem pode usar e o que ainda não se sabe
Em resumo: no Brasil, duas canetas têm indicação para controle de peso antes dos 18 anos, a semaglutida e a liraglutida, e as duas exigem a mesma combinação: idade a partir de 12 anos, obesidade confirmada na curva de crescimento e peso corporal acima de 60 quilos. A tirzepatida não entra nessa lista: a indicação pediátrica que ela ganhou em abril de 2026 é para diabetes tipo 2, a partir dos 10 anos, e não para emagrecer. O efeito existe e é grande, com redução de índice de massa corporal 16,7 pontos percentuais maior que a do grupo sem o remédio em 68 semanas 3. E o limite da evidência também é grande: reunindo os 18 ensaios que a maior revisão do tema encontrou, a mediana de tempo de tratamento foi de cerca de seis meses 1.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 27/08/2026
O que a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou
Em 24 de agosto de 2026 a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um documento chamado "Uso de canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes: indicações, limites e riscos do uso inadequado" 9. O trecho publicado sem restrição no site da entidade nomeia as três substâncias em questão: liraglutida e semaglutida, que agem sobre o receptor do GLP-1, um hormônio que o intestino libera depois das refeições e que avisa o cérebro que já comeu o suficiente; e a tirzepatida, que age sobre esse receptor e sobre o de um segundo hormônio do intestino, de efeito parecido. O documento na íntegra é restrito a associados, então o que se lê nas reportagens sobre o conteúdo dele é imprensa, não fonte primária, e não é o que sustenta este artigo.
O que sustenta são as bulas brasileiras, os registros da Anvisa e os ensaios clínicos, e eles respondem com precisão o que uma família precisa saber: quem pode usar, a partir de quando, e o que já foi medido sobre segurança. Até este mês, o documento de referência da pediatria brasileira sobre obesidade na infância era de 2019, anterior às aprovações dessas medicações para adolescentes. Havia uma defasagem, e ela era diferente de uma discordância. Agora a entidade se pronunciou sobre o tema.
As três canetas não são a mesma coisa para um menor de idade
Este é o ponto que mais gera erro, e ele não é sutil. Reunir as três sob o apelido de "canetas emagrecedoras" apaga uma diferença regulatória que muda a conduta.
| Substância (marca) | Indicação para peso antes dos 18 anos | Indicação pediátrica que existe |
|---|---|---|
| Semaglutida (Wegovy) | Sim, a partir de 12 anos 10 | Controle de peso, com critérios abaixo |
| Liraglutida (Saxenda) | Sim, a partir de 12 anos 11 | Controle de peso, com critérios abaixo |
| Tirzepatida (Mounjaro) | Não. Para peso, a indicação é de adulto 12 | Diabetes tipo 2, a partir de 10 anos 13 |
As indicações acima são as registradas no Brasil e foram lidas nas bulas profissionais e nos registros da Anvisa em agosto de 2026. Indicação de bula muda por decisão de terceiros e sem aviso, o que faz desta uma tabela com data.
Os critérios da semaglutida e da liraglutida são estreitos e vale ler devagar. A bula da semaglutida (Wegovy) indica o uso em adolescentes com 12 anos ou mais que tenham obesidade, definida como índice de massa corporal igual ou acima do percentil 95 na curva específica para sexo e idade, e peso corporal acima de 60 quilos 10. A da liraglutida (Saxenda) pede a mesma idade, o mesmo piso de 60 quilos e obesidade pelos pontos de corte internacionais 11. As duas trazem também uma regra de parada que raramente aparece nas reportagens, com o mesmo prazo e medidas diferentes: a da semaglutida manda reavaliar e possivelmente interromper se o índice de massa corporal não cair pelo menos 5% após 12 semanas na dose alvo 10, e a da liraglutida usa a perda de pelo menos 5% do peso inicial no mesmo prazo 11.
A tirzepatida é o caso que mais confunde, porque a notícia de que ela foi liberada para crianças existe e está correta. Em abril de 2026 a Anvisa ampliou a indicação da tirzepatida para diabetes tipo 2 em pacientes pediátricos a partir dos 10 anos 13. Isso é verdade, e é uma boa notícia para quem trata diabetes nessa faixa etária. Só que a indicação de controle de peso da mesma substância, aprovada em junho de 2025, é de adulto 12. Mesma caneta, duas indicações, caminhos separados.
Um erro que corrijo em consulta sobre esse tema não é ninguém achando que remédio de obesidade é perigoso. É gente inteligente lendo "liberado para crianças a partir de 10 anos" e entendendo, de forma perfeitamente razoável, que está liberado para emagrecer nessa idade.
Por que existe um piso de 60 quilos
À primeira vista o critério de peso parece arbitrário, ou pior, parece dizer que o adolescente mais leve tem um problema menor. Não é isso. O piso marca a fronteira dos dados.
A bula da liraglutida é explícita ao ponto de dispensar interpretação: o produto não é recomendado em crianças abaixo de 12 anos nem em adolescentes entre 12 e 18 anos com peso corporal igual ou abaixo de 60 quilos, e o motivo declarado é falta de dados 11. Os ensaios recrutaram quem pesava acima disso, a farmacocinética foi medida nesses corpos, e fora dessa faixa ninguém mediu nada. A da semaglutida segue a mesma lógica e acrescenta que a segurança e a eficácia em crianças com menos de 12 anos não foram estudadas 10.
Essa distinção importa porque muda o que se pode afirmar. "Não é recomendado por falta de dados" não é o mesmo que "é perigoso", e não é o mesmo que "é seguro, só não escreveram". É a terceira coisa: território não visitado. Num adulto, extrapolar para território não visitado é uma decisão de risco calculado. Num corpo que ainda está se formando, o cálculo tem uma variável a mais: o que a medicação faz enquanto esse corpo ainda está crescendo.
O que os estudos mostram, e por quanto tempo eles olharam
O efeito é real e é dos maiores da medicina da obesidade. No STEP TEENS, ensaio de fase 3 em adolescentes de 12 a menos de 18 anos com obesidade, dois em cada três participantes receberam semaglutida 2,4 mg uma vez por semana e o terço restante recebeu uma injeção idêntica sem princípio ativo, no mesmo esquema semanal, sem que ninguém soubesse quem estava em qual grupo. Em 68 semanas, a redução percentual do índice de massa corporal foi 16,7 pontos percentuais maior no grupo da semaglutida 3. Junto vieram melhoras na resistência à insulina, na glicose, nos triglicerídeos e na enzima do fígado que costuma subir na esteatose 3.
Uma metanálise reuniu 18 ensaios controlados em menores de 18 anos, com 1.402 participantes de 6 a 17 anos 1. Somando obesidade, diabetes tipo 2 e pré-diabetes, quem recebeu a medicação terminou com cerca de 3 quilos e 1,45 ponto de índice de massa corporal a menos que quem recebeu placebo, além de queda na pressão e na hemoglobina glicada, que é o exame que mostra a média da glicose dos últimos meses 1. O número de peso parece pequeno perto do resultado do STEP TEENS porque ele mistura estudos com doses e objetivos diferentes, incluindo os de diabetes, em que a dose é menor e o alvo é a glicose. Uma comparação indireta de 41 ensaios, com 3.923 crianças e adolescentes, colocou a semaglutida como a de maior efeito sobre o peso nessa faixa etária, acima da liraglutida 7.
Nessa mesma metanálise, a mediana de duração do tratamento foi de 0,51 ano 1, cerca de seis meses, e esse é o número que menos aparece nas reportagens sobre o assunto. O acompanhamento mais longo que existe, o do STEP TEENS, foi de 68 semanas. Na minha leitura, é isso que define o que se pode e o que não se pode prometer a uma família. A eficácia está estabelecida. A segurança está estabelecida para o horizonte que foi observado, e esse horizonte é curto perto do tempo que falta para aquele adolescente terminar de crescer.
Isso atrapalha o crescimento e a puberdade?
É a primeira pergunta que uma mãe faz, e é a pergunta certa.
A resposta que os dados sustentam: não apareceu efeito. A revisão sistemática que reuniu sete ensaios pivotais e seis metanálises, com 901 participantes de 6 a menos de 18 anos, não encontrou efeito adverso sobre o crescimento em altura nem sobre a progressão da puberdade 2. As duas bulas brasileiras registram a mesma coisa a partir dos próprios ensaios: nenhum efeito no crescimento ou no desenvolvimento puberal após 68 semanas com semaglutida 10 e nenhum efeito com liraglutida no estudo de 56 semanas 11.
Existe um dado de laboratório que circula fora de contexto e vale colocar no lugar certo. A bula da semaglutida descreve que, em ratos jovens, a substância causou atraso na maturação sexual em machos e fêmeas 10. Isso é achado em roedor, que não se transfere direto para pessoa, e é justamente o tipo de sinal que motiva vigilância e não conclusão. Os ensaios em adolescentes olharam para esse desfecho e não o encontraram. Dizer que a caneta atrasa a puberdade é errado. Dizer que a questão foi encerrada também seria.
A preocupação levantada na mesma revisão é outra e é mais fina: um remédio que reduz o apetite por muito tempo reduz também a entrada de nutrientes, e mineralização óssea, puberdade e altura final dependem de nutrição 2. É por isso que o parecer conjunto de quatro sociedades americanas sobre nutrição durante o tratamento com GLP-1 insiste em proteína adequada e acompanhamento nutricional como parte do tratamento, não como enfeite 8. Num adulto isso protege massa muscular. Num adolescente, protege também o osso que ainda está sendo formado e o crescimento que ainda não terminou.
Osso e músculo: o que ainda não foi medido
Aqui a resposta honesta é que não existe resposta pediátrica.
Não há dados de densidade mineral óssea com essas medicações em crianças e adolescentes 4. E a adolescência é exatamente a janela em que se adquire o pico de massa óssea, o capital que vai sustentar o esqueleto pelo resto da vida. Em adultos, a perda de peso se acompanha de reduções modestas de densidade óssea, e exercício estruturado parece atenuar isso 4. Extrapolar de adulto para adolescente aqui é frágil, porque num adulto se trata de preservar o que já existe e num adolescente se trata de construir o que ainda não existe.
Massa muscular tem a mesma lacuna, com um detalhe interessante nos dados de adulto. Uma metanálise de sete ensaios com 821 pacientes mostrou que a massa magra como proporção do peso total melhora com o tratamento, subindo 1,81% 5. Em valor absoluto, porém, ela cai: 1,74 quilo em média, e 5,44 quilos com semaglutida 5. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e não são contraditórias: quem perde muito peso perde alguma massa magra junto, mas perde proporcionalmente mais gordura, e a composição final é melhor. Os próprios autores concluem que a perda de massa magra não deve ser considerada um impedimento ao uso, desde que o tratamento venha acompanhado de intervenção nutricional e de exercício 5.
Na prática, é isso que muda a conversa: em adolescente, treino de força e proteína deixam de ser recomendação genérica de estilo de vida e passam a ser parte do tratamento, do mesmo jeito que a dose.
Quando o problema não é o peso, é a imagem
Esta é a parte que me preocupa mais, e é a que menos tem número.
O efeito de supressão do apetite dessas medicações é potente, e a adolescência é o período de maior vulnerabilidade à pressão sobre a imagem corporal. A literatura pediátrica levanta explicitamente o risco de uso indevido e de agravamento de transtornos alimentares nessa população 4,6. Uma revisão publicada na revista da Academia Americana de Pediatria dedica uma seção inteira à saúde mental e ao cruzamento entre comportamento alimentar desordenado e tratamento farmacológico da obesidade, e trata o rastreamento disso como parte do cuidado, não como contraindicação 6. Na metanálise dos 18 ensaios, ideação e comportamento suicida não apareceram com frequência diferente da do placebo 1, o que é tranquilizador para quem tem indicação e é acompanhado, e não diz nada sobre quem usa por fora.
A pergunta que eu faço não é quanto a pessoa quer emagrecer, é o que ela imagina que muda quando emagrecer. A resposta separa dois cenários que exigem condutas opostas: o adolescente com obesidade e uma complicação metabólica em curso, para quem a medicação pode ser um bom instrumento, e o adolescente sem obesidade que quer caber numa imagem, para quem a caneta é o começo de um problema diferente e mais difícil de tratar.
Caneta manipulada e sem procedência
Tudo o que está escrito até aqui vale para produto registrado, com dose conhecida, dentro de uma indicação estudada. Nada disso se transfere para o que se compra em grupo de mensagem, para o manipulado ou para o importado sem registro na Anvisa.
Nesses casos não se sabe o que tem dentro, nem quanto tem, e as bulas e os ensaios citados neste texto simplesmente não descrevem aquele produto. Some a isso o efeito adverso que domina a classe: os eventos digestivos, náusea e vômito, são o único sinal de segurança que apareceu de forma consistente e significativa nos estudos pediátricos 1, e a bula da liraglutida registra que vomitar foi mais frequente entre os adolescentes do que entre os adultos, sem trazer o número 11. Vômito repetido em quem está usando sem acompanhamento é o caminho curto para desidratação, e é aí que a coisa deixa de ser sobre estética.
Dois efeitos menos comuns merecem nome, porque são os que levam ao pronto-socorro. Pedra na vesícula apareceu em 3,8% dos adolescentes que usaram semaglutida no ensaio e em ninguém do grupo placebo 10. E dor abdominal forte em quem usa essas medicações precisa de avaliação no mesmo dia: a bula orienta suspender diante da suspeita de pancreatite aguda e não reiniciar se ela se confirmar 10.
O que eu analiso antes de considerar a medicação
Três coisas eu analiso antes de considerar a medicação: a curva com a altura acompanhada, a busca por uma causa secundária, e o tratamento comportamental ao qual ela vem somar.
A curva vem primeiro porque peso isolado não diz quase nada em adolescente. O que diz é o índice de massa corporal plotado na curva de sexo e idade, e a altura acompanhada ao longo do tempo. Um adolescente que está ganhando peso e crescendo pouco tem outro problema até prova em contrário, e esse problema não se resolve com caneta.
A causa secundária importa porque a maior parte da obesidade nessa idade é multifatorial, mas existem formas monogênicas, sindrômicas e secundárias a doenças endócrinas, e algumas mudam completamente a conduta.
E o tratamento comportamental é o chão de tudo: a literatura pediátrica trata a farmacoterapia como adjuvante a ele 6, e as próprias bulas condicionam a indicação a dieta e atividade física. Quando a medicação entra, ela entra com a escalada de dose lenta e com a regra de parada de 12 semanas na cabeça, e o acompanhamento nutricional entra junto, não depois 8.
A decisão que fica com a família
Quando o adolescente preenche o critério, a escolha entre começar a medicação agora ou continuar só com o acompanhamento tem duas respostas legítimas, e eu não decido isso sozinho.
Esperar poupa a exposição a um remédio cujo horizonte de observação é de meses num corpo que ainda tem anos de crescimento pela frente, e poupa a conversa sobre por quanto tempo se usa, que ainda não tem resposta boa. Custa tempo numa fase em que a escola, o esporte e a relação com o corpo estão acontecendo agora. Começar tende a trazer resultado mais rápido e a melhorar a resistência à insulina e o fígado junto 3. Custa uma aplicação que é semanal com a semaglutida e diária com a liraglutida, náusea provável nas primeiras semanas, um gasto que raramente é coberto, e a chance de o peso voltar quando parar.
O que nenhum estudo mede: o quanto aquele adolescente aguenta mais uma tentativa que não deu certo, o que uma injeção significa para alguém de 13 anos que ainda não decidiu se quer contar isso para os amigos, e o quanto a família consegue sustentar de mudança de rotina ao mesmo tempo. A minha preferência, quando a indicação está preenchida, é iniciar pela medicação e emendar o acompanhamento intensivo em cima dela, vigiando três coisas do começo ao fim do tratamento: os nutrientes, com ferro, vitamina B12 e vitamina D entre eles, porque comer menos é comer menos de tudo; a altura, marcada na curva de crescimento; e o desenvolvimento sexual, acompanhado pela escala de Tanner, que gradua os sinais da puberdade. Essa é a minha preferência e não é a recomendação: ela vem de como eu prefiro organizar o seguimento, não de um estudo que tenha comparado as duas ordens.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
Existem duas canetas com indicação para peso antes dos 18 anos no Brasil, semaglutida e liraglutida, a partir dos 12 anos, para quem tem obesidade confirmada na curva e pesa mais de 60 quilos, com reavaliação obrigatória em 12 semanas 10,11. A tirzepatida não está nessa lista: a liberação pediátrica dela é para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos 13, e confundir essas duas indicações é o erro mais fácil de cometer neste assunto. O efeito é grande 3, o crescimento e a puberdade não mostraram alteração no tempo observado 2,10,11, e osso e músculo em adolescente continuam sem dados próprios 4,5.
Os riscos que exigem conduta são poucos e nomeáveis: náusea e vômito, que são comuns e passam, mas que sem acompanhamento levam à desidratação 1; pedra na vesícula 10; dor abdominal forte, que é avaliação no mesmo dia 6; e o risco que não tem exame, que é a medicação virar instrumento de um problema com a imagem em vez de tratamento de uma doença 4,6.
A frase que eu gostaria que ficasse é esta: a pergunta útil não é se a caneta funciona em adolescente, porque funciona. É se aquele adolescente específico é a pessoa que os estudos incluíram. Quando a resposta é não, o que falta não é coragem para prescrever, é informação que ninguém produziu ainda.
E se você chegou até aqui porque tem um filho nessa situação, ou porque é o adolescente lendo sobre o próprio corpo, vale saber que essa conversa cabe inteira numa consulta, com a curva na tela e sem pressa.
Procure um endocrinologista ou o pediatra que acompanha seu filho quando o ganho de peso vier acompanhado de desaceleração do crescimento, quando aparecerem manchas escuras no pescoço ou nas axilas, quando houver ronco alto com pausas na respiração durante o sono, quando exames trouxerem glicose, colesterol ou enzimas do fígado alterados, quando existir história de diabetes tipo 2 na família, ou quando o assunto peso já estiver ocupando espaço demais na cabeça do adolescente. Procure com urgência se alguém estiver usando essas medicações por conta própria e apresentar vômitos repetidos ou dor forte na barriga. Nada aqui substitui a avaliação individual, e nenhuma dessas medicações deve ser iniciada sem prescrição e acompanhamento.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a orientação individual do seu médico. Os medicamentos citados exigem prescrição e acompanhamento e não devem ser iniciados por conta própria, ainda mais em criança ou adolescente. As indicações de bula descritas aqui foram lidas nas fontes oficiais em agosto de 2026 e podem mudar.
Se você tem dúvidas sobre o peso, o crescimento ou os exames do seu filho, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
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→ https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Wegovy_Bula_Profissional.pdf - Bula profissional de Saxenda (liraglutida), Novo Nordisk Brasil
→ https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Saxenda_Bula_Profissional1.pdf - Anvisa. Mounjaro (tirzepatida): nova indicação de controle crônico do peso em adultos (09/06/2025)
→ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao - Anvisa. Ampliação da indicação de Mounjaro para diabetes tipo 2 em pacientes pediátricos a partir de 10 anos, Resolução-RE 1.592 de 17/04/2026
→ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/anvisa-amplia-indicacao-do-mounjaro-r-para-diabetes-tipo-2-em-criancas
Fontes jornalísticas
- CREMERJ. Canetas emagrecedoras: pediatras alertam para risco de uso em crianças (26/08/2026) → https://news.cremerj.org.br/2026/08/26/canetas-emagrecedoras-pediatras-alertam-para-risco-de-uso-em-criancas/
Dúvidas dos leitores
Meu filho tem 14 anos e 55 quilos, e quer muito usar a caneta. Por que o peso conta se ele já tem 14?
Porque o corte de peso não é uma medida de gravidade, é uma medida de onde os estudos foram feitos. Os ensaios que sustentam a indicação em adolescentes só incluíram quem pesava acima de 60 quilos, e a bula da liraglutida escreve isso com todas as letras: não é recomendada abaixo dessa faixa por falta de dados. Ou seja, ninguém mediu o que acontece com um corpo mais leve recebendo a mesma dose. Vale reparar em outra coisa: um adolescente de 14 anos com 55 quilos raramente preenche o critério de obesidade na curva de crescimento, e nesse caso o remédio não estaria indicado nem que o peso fosse maior. A conversa que costuma faltar aqui não é sobre a caneta, é sobre o que está por trás do desejo de emagrecer.
Vi que a Anvisa liberou uma caneta para crianças a partir de 10 anos. Serve para emagrecer?
Não. Essa liberação existe e é real, mas é para outra doença. Em abril de 2026 a Anvisa ampliou a indicação da tirzepatida para diabetes tipo 2 em pacientes pediátricos a partir dos 10 anos. Para controle de peso, a indicação dela no Brasil continua sendo de adulto. É a mesma substância e a mesma caneta, com duas indicações diferentes que caminham separadas, e essa confusão é fácil de fazer lendo manchete. Para peso antes dos 18 anos, as duas opções registradas no país são a semaglutida e a liraglutida, a partir dos 12 anos e com critérios estreitos.
A caneta atrapalha o crescimento?
Nos estudos feitos até agora, não apareceu efeito sobre a altura nem sobre a progressão da puberdade, e isso está registrado nas duas bulas brasileiras e numa revisão que reuniu 901 participantes de 6 a menos de 18 anos 2. A ressalva importante é o tempo: o acompanhamento mais longo desses estudos foi de 68 semanas, pouco mais de um ano, e altura final é um desfecho que leva anos para aparecer. Então a leitura honesta não é "não afeta o crescimento", e sim "no tempo em que se olhou, não se viu nada, e esse tempo é curto". É por isso que a conversa sobre iniciar a medicação nessa idade inclui medir a altura em toda consulta, e não só o peso.
Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.