Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração em fundo azul-marinho de um relógio de parede à esquerda e, à direita, um prato branco vazio visto de cima com garfo e faca ao lado.

Jejum de 16 horas: autofagia, cetona e queima de gordura, o que acontece de verdade no corpo

Em resumo: duas pessoas fazem jejum por motivos diferentes. Uma fica 16 horas sem comer porque se organiza melhor assim. A outra estica para 20, 36 ou 72 horas em busca da autofagia, da cetona no cérebro e da queima de gordura. Para a primeira, nada do que vem a seguir muda a rotina. Para a segunda, o que foi medido em pessoas é bem menos do que o prometido: depois de 12 a 36 horas de jejum, a autofagia não aumentou no músculo 2,3, e no sangue o sinal apareceu depois de 4 dias sem comer, em um único tipo de célula 1. A cetona oscila entre 0,1 e 0,4 mmol/L num dia comum e só chega a 1 a 2 mmol/L depois de 1 a 2 dias sem comer 5. O que se come para quebrar o jejum muda o combustível da hora, e não a gordura perdida no fim do dia 7,8. E quem usa insulina, sulfonilureia ou gliflozina tem um risco próprio com jejum longo 10,11,14.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 11/10/2026

De onde vem a história da autofagia

Autofagia é a reciclagem interna da célula: ela envolve peças velhas ou defeituosas em pequenas bolsas, desmonta e reaproveita o material. Acontece o tempo todo, em todo mundo, comendo ou não.

O Prêmio Nobel de Medicina de 2016 foi para o japonês Yoshinori Ohsumi por descobrir como esse processo funciona. Os experimentos foram feitos em levedura, o fungo do fermento de pão: ele deixou as células sem nutrientes, viu as bolsas de reciclagem se acumularem e identificou 15 genes essenciais para o processo 12. O comunicado do prêmio fala de adaptação à falta de nutrientes, de infecção, de câncer e de doenças neurológicas. A palavra dieta não aparece nele, nem a palavra jejum 12.

Em camundongos, a falta de comida acende a autofagia no fígado e nas células do sangue 1,2. O salto dessa observação para "16 horas de jejum limpam as suas células" pula uma etapa: medir em pessoas.

O que foi medido em pessoas

No músculo, o jejum não aumentou a autofagia. Em um estudo com 50 mulheres que fizeram jejum de 24 horas em 3 dias não seguidos da semana, por 8 semanas, pedaços do músculo da coxa foram analisados depois de 12 e de 24 horas sem comer. O conjunto dos marcadores não indicou aumento, e os autores concluíram que a autofagia no músculo diminuiu. No fígado de camundongos submetidos ao mesmo esquema, os marcadores subiram 2. Em outro estudo, voluntários ficaram 36 horas em jejum com biópsias seriadas do músculo, e o efeito foi pequeno, com queda de marcadores em quem não era treinado 3.

No sangue, o sinal apareceu depois de 4 dias. Voluntários ficaram até 4 dias sem comer. Entre as células de defesa do sangue, só um tipo, os neutrófilos, mostrou autofagia ativada, e mesmo assim a medida exigiu cultivar as células em laboratório com um bloqueador para ficar visível. Nos camundongos do mesmo estudo, todos os tipos de célula responderam 1.

O sinal a favor do jejum intermitente veio de uma análise exploratória. Em 2025, pesquisadores australianos acompanharam 121 pessoas com obesidade por 6 meses, divididas entre cuidado habitual, dieta com menos calorias e jejum intermitente com janela alimentar. Aos 6 meses, o grupo do jejum tinha mais autofagia nas células do sangue do que o grupo de cuidado habitual. Só que a autofagia não subiu dentro do próprio grupo do jejum: parte da diferença veio de uma queda no grupo de comparação, e a análise foi feita depois de os dados estarem prontos. Os próprios autores escrevem, no título, que o jejum "pode aumentar" a autofagia, e que isso nunca tinha sido demonstrado em pessoas 4.

Na minha leitura, esse conjunto diz o seguinte: a autofagia existe e importa, mas ninguém mostrou que 16, 18 ou 20 horas sem comer a aumentem em pessoas, nem em que órgão, nem que isso traga algum ganho de saúde. Quem estende o jejum por causa dela está pagando o desconforto adiantado por um benefício que ainda não foi medido.

A cetona: quanto sobe, e em quantas horas

Sem comida, a insulina cai, o corpo solta gordura do estoque e o fígado transforma parte dela em cetonas, um combustível alternativo para o cérebro e os músculos 5. A principal delas no sangue é o beta-hidroxibutirato.

Uma revisão de 2021 reuniu as faixas medidas em pessoas 5:

SituaçãoBeta-hidroxibutirato no sangue
Dia comum, com as refeições habituais0,1 a 0,4 mmol/L
Depois de 1 a 2 dias de jejum1 a 2 mmol/L
Depois de 2 a 3 semanas de jejum5 a 7 mmol/L
Cetoacidose diabética3 a 25 mmol/L

Faixas compiladas de estudos diferentes; o valor de cada pessoa varia com o peso, o sexo e o que ela comeu antes.

A tabela não tem linha para 16 horas: quem pula o café da manhã e almoça ao meio-dia fica entre a primeira e a segunda. A cetona que os vídeos descrevem como combustível do cérebro corresponde à segunda e à terceira linhas, que pedem dias sem comer.

A cetona do jejum em uma pessoa saudável é diferente da cetoacidose. No jejum, as próprias cetonas freiam a liberação de gordura do estoque, e isso impede a escalada. Na cetoacidose, a quantidade de cetonas supera a capacidade do sangue de neutralizar o ácido, e a pessoa adoece 5.

Cetona deixa o cérebro mais afiado?

Em adultos saudáveis, o teste direto não mostrou ganho. Foram 11 pessoas de peso normal, que passaram 3 semanas em uma dieta que mantém a cetona em torno de 1,0 mmol/L e 3 semanas em uma dieta rica em carboidrato, com as mesmas calorias, em ordem sorteada. Atenção, memória, raciocínio, humor e sono foram iguais nos dois períodos 6.

É um estudo pequeno, com dieta e não com jejum, e por isso não encerra o assunto. Mas ele mediu a cetona na faixa de quem fica 1 a 2 dias sem comer 5, e é o que existe de mais controlado. A sensação de clareza que algumas pessoas relatam no jejum é real como sensação. Ela não apareceu como desempenho quando foi testada.

"Queimar gordura" e perder gordura não são a mesma conta

Durante o jejum o corpo queima mais gordura, porque é o combustível disponível 5. Quando a comida chega, ele volta a queimar o que foi comido. O que define a gordura perdida é o saldo do dia e da semana, e não o combustível de cada hora.

Dois estudos mostram isso por caminhos diferentes. No primeiro, 29 homens passaram 4 semanas comendo carboidrato de manhã e gordura à noite, e 4 semanas na ordem inversa, com as mesmas calorias. O perfil ao longo do dia mudou, com mais queima de gordura em certos horários, mas a média diária de gordura e de carboidrato queimados foi igual nos dois arranjos 7. No segundo, uma análise de 32 estudos em que toda a comida era fornecida comparou dietas de mesmas calorias com mais carboidrato ou com mais gordura. A diferença de gordura corporal foi pequena, de 16 g por dia, e a favor da dieta com menos gordura 8.

Por isso a refeição que quebra o jejum não anula o que veio antes. Comer carboidrato depois de 16 horas interrompe a queima de gordura daquela hora, como qualquer refeição interromperia, e o saldo do dia continua sendo a soma do que entrou e do que saiu 7,8.

Então por que o jejum emagrece?

Porque a pessoa come menos. Quando as calorias são mantidas iguais, a janela alimentar não acrescenta perda de peso: 41 adultos com obesidade receberam a mesma comida por 12 semanas, um grupo dentro de uma janela de 10 horas e outro no horário habitual, e perderam 2,3 kg e 2,6 kg, respectivamente, sem diferença entre os grupos 9.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) chega à mesma leitura no posicionamento de 2022: o jejum intermitente tem resultado de peso semelhante ao da dieta com restrição diária, "em razão de também promover déficit calórico e não pelo período de jejum", e os estudos longos mostram menor adesão 13. A comparação completa entre jejum e dieta comum está no artigo "Jejum intermitente funciona mesmo? O que os estudos mostram".

Quem usa remédio para diabetes joga com outras regras

O jejum que é só desconfortável para uma pessoa saudável tem risco concreto para quem trata diabetes com certos remédios.

Insulina e sulfonilureias (gliclazida, glimepirida, glibenclamida). Uma revisão dos estudos de jejum intermitente em pessoas com diabetes tipo 2 encontrou risco aumentado de hipoglicemia justamente em quem usava insulina ou sulfonilureia 10.

Gliflozinas (dapagliflozina, empagliflozina). Elas fazem o rim eliminar glicose pela urina e elevam a cetona no sangue para perto de 1 mmol/L, o nível de quem está há 1 a 2 dias em jejum 5. Em um estudo com mais de 400 mil pessoas com diabetes tipo 2, a cetoacidose foi rara, mas mais frequente com gliflozina: cerca de 2 casos por 1.000 pessoas por ano, contra menos de 1 com outra classe de remédio 11. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) descreve uma forma dessa complicação em que a glicose quase não sobe, lista a redução da ingestão de carboidrato, a desidratação e o vômito entre os gatilhos, e recomenda atenção especial em quem usa gliflozina e tem sintomas ou um desses gatilhos 14. Náusea, vômito, dor na barriga, cansaço fora do comum e respiração acelerada durante um jejum longo, em quem usa gliflozina, pedem atendimento no mesmo dia, mesmo com a glicose do aparelho pouco alterada 14.

Na consulta, a pessoa com diabetes que quer fazer jejum sai com um combinado: quais remédios ela usa, até quantas horas faz sentido ficar sem comer e o que fazer se passar mal. O ajuste de dose é individual e não se faz por conta própria.

A escolha entre o jejum curto e o longo

Quando alguém me conta que está esticando o jejum por causa da autofagia, a pergunta que eu faço é o que a pessoa espera que aquelas horas a mais entreguem. A resposta costuma ser autofagia, cetona ou queima de gordura.

Eu ponho as duas opções na mesa. O jejum de 12 a 16 horas, para quem se dá bem com ele, simplifica a rotina e ajuda a comer menos, com resultado de peso semelhante ao da dieta comum 13. O jejum de 24 horas ou mais cobra em fome e em disposição, e o que eu ouço de quem tenta é a volta à mesa com exagero. Em troca, ele oferece cetona mais alta, que não melhorou o desempenho do cérebro em quem foi testado 6, e uma autofagia que em pessoas ainda não foi demonstrada nesse prazo 1,2,3.

O que nenhum desses estudos mede é quanto vale, para cada pessoa, a sensação de estar fazendo algo a mais pela própria saúde, o que o jejum longo custa na mesa com a família e no rendimento do trabalho, e como ela lida com a fome sem transformar a comida em inimiga. Eu prefiro o jejum curto e sustentável ao longo e heroico. Essa preferência é minha e não é a recomendação: há quem faça um jejum de 24 horas de vez em quando, sem remédio de risco, e se sinta bem com isso.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

Jejum de 12 a 16 horas é uma forma legítima de organizar a alimentação, e emagrece porque reduz o quanto se come 9,13. Autofagia, cetona alta e queima de gordura especial são outra conversa: a autofagia não foi demonstrada em pessoas nesse intervalo 2,3, a cetona na faixa de 1 a 2 mmol/L só aparece depois de 1 a 2 dias 5, e o combustível de cada hora não muda o saldo de gordura 7,8.

Os riscos ficam com quem usa insulina, sulfonilureia ou gliflozina, para quem jejum longo sem combinar antes pode terminar em hipoglicemia ou em cetoacidose 10,11,14. A frase para levar é esta: o jejum funciona pelo que você deixa de comer, e não pelo relógio. Se você se reconheceu esticando as horas por medo de perder um benefício, dá para soltar esse peso.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação se você tem diabetes e quer fazer jejum, sobretudo usando insulina, sulfonilureia ou gliflozina; se já teve tontura, tremor ou mal-estar durante o jejum; se está aumentando as horas sem comer e o peso não responde; ou se o jejum virou fonte de ansiedade com a comida. A consulta serve para rever os remédios, definir um formato de alimentação que caiba na sua rotina e investigar o que mais pode estar segurando o peso. Este texto informa e não prescreve dieta nem ajuste de remédio pela internet.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica nem o acompanhamento com nutricionista. Os resultados citados vêm de estudos com grupos de pessoas e não são promessa de resultado individual. Quem usa remédio para diabetes não deve mudar dose nem iniciar jejum prolongado sem orientação.

Se você quer saber se o jejum faz sentido para o seu caso, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Pietrocola F, Demont Y, Castoldi F, Enot D, Durand S, Semeraro M, et al. Metabolic effects of fasting on human and mouse blood in vivo. Autophagy. 2017;13(3):567-578. doi:10.1080/15548627.2016.1271513.
    → https://doi.org/10.1080/15548627.2016.1271513 · PubMed 28059587
  2. Chaudhary R, Liu B, Bensalem J, Sargeant T, Page A, Wittert G, et al. Intermittent fasting activates markers of autophagy in mouse liver, but not muscle from mouse or humans. Nutrition. 2022;101:111662. doi:10.1016/j.nut.2022.111662.
    → https://doi.org/10.1016/j.nut.2022.111662 · PubMed 35660501
  3. Dethlefsen M, Bertholdt L, Gudiksen A, Stankiewicz T, Bangsbo J, van Hall G, et al. Training state and skeletal muscle autophagy in response to 36 h of fasting. J Appl Physiol (1985). 2018;125(5):1609-1619. doi:10.1152/japplphysiol.01146.2017.
    → https://doi.org/10.1152/japplphysiol.01146.2017 · PubMed 30161009
  4. Bensalem J, Teong X, Hattersley K, Hein L, Fourrier C, Dang L, et al. Intermittent time-restricted eating may increase autophagic flux in humans: an exploratory analysis. J Physiol. 2025;603(10):3019-3032. doi:10.1113/jp287938.
    → https://doi.org/10.1113/jp287938 · PubMed 40345145
  5. Kolb H, Kempf K, Röhling M, Lenzen-Schulte M, Schloot N, Martin S. Ketone bodies: from enemy to friend and guardian angel. BMC Med. 2021;19(1):313. doi:10.1186/s12916-021-02185-0.
    → https://doi.org/10.1186/s12916-021-02185-0 · PubMed 34879839
  6. Iacovides S, Goble D, Paterson B, Meiring R. Three consecutive weeks of nutritional ketosis has no effect on cognitive function, sleep, and mood compared with a high-carbohydrate, low-fat diet in healthy individuals: a randomized, crossover, controlled trial. Am J Clin Nutr. 2019;110(2):349-357. doi:10.1093/ajcn/nqz073.
    → https://doi.org/10.1093/ajcn/nqz073 · PubMed 31098615
  7. Kessler K, Hornemann S, Petzke K, Kemper M, Markova M, Rudovich N, et al. Diurnal distribution of carbohydrates and fat affects substrate oxidation and adipokine secretion in humans. Am J Clin Nutr. 2018;108(6):1209-1219. doi:10.1093/ajcn/nqy224.
    → https://doi.org/10.1093/ajcn/nqy224 · PubMed 30541098
  8. Hall K, Guo J. Obesity Energetics: Body Weight Regulation and the Effects of Diet Composition. Gastroenterology. 2017;152(7):1718-1727.e3. doi:10.1053/j.gastro.2017.01.052.
    → https://doi.org/10.1053/j.gastro.2017.01.052 · PubMed 28193517
  9. Maruthur N, Pilla S, White K, Wu B, Maw M, Duan D, et al. Effect of Isocaloric, Time-Restricted Eating on Body Weight in Adults With Obesity. Ann Intern Med. 2024;177(5):549-558. doi:10.7326/m23-3132.
    → https://doi.org/10.7326/m23-3132 · PubMed 38639542
  10. Rajpal A, Ismail-Beigi F. Intermittent fasting and 'metabolic switch': Effects on metabolic syndrome, prediabetes and type 2 diabetes. Diabetes Obes Metab. 2020;22(9):1496-1510. doi:10.1111/dom.14080.
    → https://doi.org/10.1111/dom.14080 · PubMed 32372521
  11. Douros A, Lix L, Fralick M, Dell'Aniello S, Shah B, Ronksley P, et al. Sodium-Glucose Cotransporter-2 Inhibitors and the Risk for Diabetic Ketoacidosis. Ann Intern Med. 2020;173(6):417-425. doi:10.7326/m20-0289.
    → https://doi.org/10.7326/m20-0289 · PubMed 32716707
  12. Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska. Comunicado do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2016, concedido a Yoshinori Ohsumi pelas descobertas dos mecanismos da autofagia (03/10/2016)
    → https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/2016/press-release/
  13. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade, capítulo 5.17 (2022)
    → https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/11/posicionamento_2022-alterado-nov-22-1.pdf
  14. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da SBD: diagnóstico e tratamento da cetoacidose diabética euglicêmica (última revisão em 18/04/2023)
    → https://diretriz.diabetes.org.br/diagnostico-e-tratamento-da-cetoacidose-diabetica-euglicemica-cad-e/

Dúvidas dos leitores

Café sem açúcar quebra o jejum e atrapalha a autofagia?

Nenhum dos estudos em pessoas citados neste artigo mediu isso. O que eles mostram é anterior a essa dúvida: mesmo sem comer nada por 12 a 36 horas, a autofagia não aumentou no músculo, e o sinal no sangue só apareceu depois de 4 dias seguidos de jejum 1,2,3. Não há medida em pessoas que sustente regra fina sobre o que anula a autofagia.

Fazer um jejum de 24 horas ou mais de vez em quando faz mal?

Depende de quem faz. Em adulto saudável, a cetona sobe para a faixa de 1 a 2 mmol/L depois de 1 a 2 dias sem comer, bem abaixo da faixa da cetoacidose 5. Em quem tem diabetes e usa insulina ou sulfonilureia, o jejum aumenta o risco de hipoglicemia 10, e em quem usa gliflozina a restrição de comida é um dos gatilhos descritos de cetoacidose com glicose pouco alterada 14. Para esse grupo, jejum longo se combina antes com o médico que acompanha.

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