Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial em fundo azul-marinho com uma balança de dois pratos vista de lado. No prato da esquerda, um cubo de açúcar grande e pesado que inclina o braço para baixo. No prato da direita, um sachê pequeno de adoçante, muito mais leve. Ao lado do prato da direita, um copo de água em azul mais claro aparece sozinho, fora da balança, indicando a terceira opção que não entra na comparação entre os dois.

Adoçante faz mal? O que os estudos mostram e o que eu oriento na consulta

Em resumo: a comparação muda tudo. Nos estudos em que as pessoas substituem açúcar por adoçante, o peso cai em média 1,06 kg, e a queda acompanha a quantidade de açúcar que foi trocada. Quando a comparação é adoçante contra água, a diferença some, o que mostra que o benefício vem de tirar calorias, não de alguma propriedade do adoçante. A recomendação da Organização Mundial da Saúde de 2023, que virou manchete, é condicional, foi dirigida sobretudo a quem faz política pública, não se aplica a quem já tem diabetes, e diz expressamente que quem usa adoçante não deve voltar ao açúcar. As pesquisas que ligam adoçante a diabetes e a doença cardiovascular são de observação e esbarram num problema conhecido: quem já tem risco maior tende a usar mais adoçante. Sobre o aspartame, o limite diário considerado seguro equivale a pelo menos 12 latas de refrigerante zero por dia. Sobre o eritritol existe um sinal novo que merece acompanhamento e ainda não é veredito.

Por Dr. Márcio Gester, Endocrinologista, CRM-PA 14727, RQE 9424. Atualizado em 09/08/2026.

A pergunta que quase todo mundo faz do jeito errado

No consultório, vejo com frequência a pessoa perguntar se adoçante faz mal logo depois de ver uma manchete. E a pergunta, do jeito que ela sai, não tem resposta: faz mal comparado com o quê?

Ninguém inclui adoçante na vida por prazer próprio: ele entra no lugar de outra coisa, quase sempre o açúcar. Toda a evidência sobre ele muda de resultado conforme aquilo que ficou do outro lado da comparação, e é por isso que dois estudos honestos parecem dizer coisas opostas.

Uma curiosidade de fisiologia organiza o resto do assunto. O sabor doce é detectado por receptores na língua, mas receptores do mesmo tipo existem no intestino e no pâncreas. Daí nasceu a hipótese de que sentir doce sem receber caloria poderia confundir o metabolismo e, no fim, atrapalhar. A maneira de testá-la foi engenhosa: dar o adoçante em cápsula, engolido sem tocar a língua, para separar o efeito do sabor do efeito da substância.

O que acontece quando alguém troca açúcar por adoçante

A revisão mais completa reuniu 60 artigos com 88 estudos de pelo menos uma semana e separou as comparações em três grupos, que é exatamente o que faltava nas discussões anteriores1.

Trocando açúcar por adoçante, em 29 estudos com 2.267 pessoas, o peso caiu 1,06 kg em média. A margem de erro desse cálculo vai de 0,62 kg a 1,50 kg, ou seja, a perda real fica em algum ponto dessa faixa, e é modesta em qualquer um deles. O efeito foi maior quanto mais açúcar havia sido substituído, e não mudou conforme a duração do estudo nem conforme as pessoas saberem ou não o que estavam consumindo.

Comparando adoçante com água ou com nada, em 11 estudos com 1.068 pessoas, a diferença de peso foi de 0,10 kg, um número que na prática significa nenhuma diferença.

E nas cápsulas engolidas sem sentir o gosto, os resultados foram inconsistentes e pequenos, o que enfraquece bastante a hipótese de que o doce sem caloria produziria, por si, um efeito metabólico relevante.

Os três resultados juntos contam uma história simples: o adoçante ajuda na medida exata do açúcar que ele consegue tirar da alimentação, e não porque tenha algum efeito próprio. A conclusão dos autores é essa, com todas as letras.

Uma revisão independente, feita por outro grupo e olhando só bebidas, reuniu 17 ensaios com 1.733 adultos e chegou ao mesmo número: trocar refrigerante comum pela versão sem açúcar reduziu 1,06 kg, com queda também na gordura corporal e na gordura do fígado2. Dois caminhos diferentes chegando ao mesmo lugar é o tipo de coincidência que dá confiança no resultado. Uma terceira revisão mostrou que o efeito aparece com mais clareza em quem tem excesso de peso e não está seguindo dieta restritiva3.

A pergunta que eu faço na consulta vem daí, e ela é mais útil que qualquer opinião minha sobre adoçantes: quanto de açúcar esse adoçante está substituindo na sua rotina? Quem toma cinco cafés por dia com duas colheres de açúcar cada está diante de uma troca que significa alguma coisa. Quem já não usava açúcar e passou a adoçar o que não adoçava está fazendo o caminho contrário.

O que a OMS disse, e o que ela não disse

Em maio de 2023 a Organização Mundial da Saúde publicou a diretriz que gerou as manchetes: ela desaconselha o uso de adoçantes não açucarados para controlar o peso ou reduzir o risco de doenças crônicas. A lista inclui acessulfame K, aspartame, advantame, ciclamatos, neotame, sacarina, sucralose e estévia14.

Quatro pontos do documento praticamente não apareceram no noticiário e mudam o sentido da leitura.

A recomendação é condicional, não forte, e a própria organização registra que decisões a partir dela exigem discussão substancial em cada país. Condicional, no vocabulário de quem escreve diretriz, quer dizer que a certeza é limitada e que a conduta pode variar legitimamente conforme o caso.

Ela não se aplica a quem já tem diabetes, e isso está escrito no texto.

Ela não recomenda voltar ao açúcar. O que se pede é reduzir o doce em geral, migrando para alimentos in natura, não trocar o adoçante pelo açúcar que ele estava substituindo.

E ela nasceu dentro de uma agenda de saúde pública contra o consumo de açúcar e de ultraprocessados, dirigida principalmente a governos. Recomendação populacional e conduta individual são coisas diferentes, e tratá-las como a mesma coisa é a origem da confusão.

Um erro que corrijo com frequência sobre esse tema, sem julgar quem o comete, é exatamente esse: a pessoa entendeu que adoçante foi reprovado e concluiu que o açúcar foi absolvido. Não é uma conclusão descuidada, é o que a manchete sugere. Só que a diretriz diz o contrário disso.

O que as sociedades brasileiras acrescentaram

Em julho de 2023, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) publicaram um posicionamento conjunto sobre o tema13, e ele é mais útil ao paciente que a diretriz original, porque foi escrito pensando na conduta individual.

O documento pede cautela ao transportar a recomendação da OMS para decisões pessoais, registra que a evidência de dano dos adoçantes nas doses usadas habitualmente é bem mais fraca que a evidência de dano do consumo excessivo de açúcar, e nomeia o problema metodológico das pesquisas de observação, ao qual eu volto na próxima seção.

As cinco recomendações práticas são estas:

Xilitol e eritritol ficaram de fora da lista da Organização Mundial da Saúde, por escassez de estudos até então, e o posicionamento brasileiro registra essa ausência ao comentá-la. Nenhum dos dois documentos, portanto, se pronuncia sobre esses dois adoçantes, o que faz diferença na hora de ler as notícias sobre eles.

Os estudos que assustam, e por que eles são difíceis de interpretar

Existe um conjunto grande de pesquisas de observação que encontra associação entre consumir adoçante e adoecer. A maior delas acompanhou 105.588 adultos na França por uma mediana de 9,1 anos e comparou quem não consumia adoçante nenhum com quem consumia mais que a mediana dos consumidores: neste segundo grupo, o risco de desenvolver diabetes tipo 2 foi cerca de 69% maior4. O mesmo grupo de pesquisa encontrou risco cardiovascular cerca de 9% maior, com sinal mais forte para doença cerebrovascular5.

Um detalhe desse estudo raramente é citado junto com o número, e ele importa: a linha que separou os dois grupos ficou em torno de 17 mg de adoçante por dia, quantidade menor que a de um único sachê. O "alto consumo" ali não é o consumo alto que a palavra sugere.

Esses números são reais e não devem ser descartados. Também não devem ser lidos como relação de causa e efeito, e o motivo é uma armadilha clássica em nutrição, chamada de causalidade reversa: quem está com o peso subindo, quem descobriu que a glicose está alterada, quem tem diabetes na família é justamente quem corta o açúcar e adota adoçante. O adoçante aparece então como companheiro do problema, quando na verdade chegou depois dele, como reação. Os próprios autores do estudo francês registram que essa possibilidade não pode ser eliminada.

Há um jeito parcial de contornar isso: em vez de comparar pessoas diferentes, acompanhar as mesmas pessoas e olhar o que acontece quando elas mudam de hábito. Feita assim, a análise de várias coortes não encontrou nenhum desfecho pior. Encontrou o contrário: em quem trocou a bebida açucarada pela versão com adoçante, o resultado foi parecido com o de quem trocou por água6.

Como eu leio isso na prática: quando o estudo que observa hábitos diz uma coisa e o estudo que sorteia as pessoas entre dois tratamentos diz outra, eu dou mais peso ao segundo, porque o sorteio é o que separa o efeito da substância do efeito de quem escolheu usá-la. Isso não significa que a associação seja lixo. Significa que ela é um alerta para continuar pesquisando, não um veredito. Revisões recentes sobre mecanismos e microbioma seguem essa linha, apontando caminhos plausíveis e evidência humana ainda insuficiente12.

Aspartame e câncer: o que o Grupo 2B quer dizer

Em julho de 2023 a agência de pesquisa em câncer ligada à OMS classificou o aspartame como Grupo 2B, "possivelmente cancerígeno para humanos". A manchete assustou muita gente, e o significado técnico da categoria é bem menos dramático do que parece.

O Grupo 2B é a gaveta onde entram as substâncias com evidência limitada, insuficiente para afirmar risco e insuficiente para descartar. No caso do aspartame, a classificação se apoiou em três estudos epidemiológicos que usavam consumo de bebidas adoçadas como aproximação do consumo de aspartame, e o próprio coordenador do painel descreveu o resultado como um chamado à comunidade de pesquisa, não como um alerta de segurança.

No mesmo dia, o comitê de aditivos alimentares da OMS e da FAO (o braço das Nações Unidas para alimentação e agricultura) reavaliou a dose e manteve o limite diário aceitável em 40 mg por quilo de peso. As sociedades brasileiras traduziram esse número em algo tangível: equivale a pelo menos 12 latas de refrigerante sem açúcar por dia, ou pelo menos 60 sachês de adoçante por dia, todos os dias, ao longo da vida. O consumo real da população fica muito abaixo disso.

A evidência que veio depois não fechou a questão em nenhuma direção. Uma revisão sistemática de 2025 reuniu 90 estudos epidemiológicos, cobrindo os principais adoçantes e 17 tipos de câncer, e não encontrou associação consistente com nenhum tipo, nem relação de dose8. Do outro lado, a coorte francesa encontrou risco de câncer cerca de 15% maior nos maiores consumidores de aspartame7, e uma coorte americana com 100.004 adultos encontrou risco cerca de 13% maior entre consumidores, mas sem relação de dose, e os próprios autores pedem interpretação cautelosa por causa disso9. Um estudo de 2026 sobre câncer de fígado, o desfecho que mais pesou na decisão da agência, segue a mesma linha de achados modestos e difíceis de atribuir10.

A ausência de relação de dose é o detalhe que mais enfraquece esses achados. Quando uma substância causa dano, o esperado é que mais exposição produza mais dano, e é isso que dá confiança de que a relação é de causa. Sem esse degrau, ganha força a hipótese de que a associação venha de outra característica de quem consome, e não do que foi consumido.

Eritritol: o sinal novo, no tamanho certo

O eritritol e o xilitol são álcoois de açúcar, um grupo diferente dos adoçantes tratados até aqui, e estão hoje em quase tudo que se vende como "zero", inclusive nos produtos à base de estévia. Foram justamente eles que ficaram de fora das duas avaliações, e é sobre o eritritol que apareceu evidência nova.

Um estudo de 2023 mediu eritritol no sangue de pessoas que faziam avaliação cardiológica e encontrou associação entre níveis mais altos e eventos cardiovasculares em três anos, primeiro em uma amostra de 1.157 pessoas e depois em duas de confirmação, com 2.149 nos Estados Unidos e 833 na Europa. Nessas duas de confirmação, quem estava no quarto mais alto teve risco 80% maior na primeira e 120% maior na segunda, comparado a quem estava no quarto mais baixo. Em laboratório, o eritritol aumentou a reatividade das plaquetas e a formação de trombos, e em oito voluntários saudáveis a ingestão elevou o nível no sangue por mais de dois dias, bem acima do limiar observado nesses experimentos11.

Três ressalvas mudam o tamanho dessa notícia, e nenhuma delas a anula. As pessoas estudadas já estavam em investigação cardíaca, ou seja, eram de risco alto, e não a população geral. O que se mediu foi o eritritol circulando no sangue, e não o quanto cada pessoa consumia, o que importa porque o corpo humano produz eritritol por conta própria, de modo que um nível alto pode ser consequência de alteração metabólica em vez de causa de doença. E a parte que mostrou a ingestão elevando o nível envolveu oito pessoas, o que serve para levantar hipótese, não para fechar conclusão.

Os próprios autores terminam pedindo estudos de segurança de longo prazo, que é a leitura correta. Sobre o xilitol, que costuma aparecer na mesma conversa por ser do mesmo grupo, a evidência é ainda mais escassa, e escassez de estudo não é atestado de segurança nem prova de dano: é o que ainda não se sabe.

Como eu trato isso na prática: não é motivo para pânico em quem usa eventualmente, e é motivo para eu não recomendar consumo alto e diário desses produtos para quem já tem doença cardiovascular estabelecida, enquanto a dúvida não se resolve. Uso o mesmo cuidado que se usa com qualquer sinal novo e ainda não confirmado, sem transformá-lo em proibição.

A decisão que é sua

Fora da fenilcetonúria, em que o aspartame precisa ser evitado, não existe aqui uma conduta obrigatória. Existem três caminhos legítimos, e eu costumo colocar os três na mesa.

Continuar com adoçante custa conviver com uma incerteza que a ciência ainda não fechou, e poupa o açúcar que ele desloca, com o benefício sendo proporcional a esse deslocamento.

Voltar ao açúcar poupa a incerteza sobre os adoçantes, e custa uma coisa bem medida: mais calorias e mais risco cardiometabólico, com evidência muito mais sólida que qualquer dano atribuído ao adoçante.

Reduzir o doce em geral, que é o caminho apontado tanto pela Organização Mundial da Saúde quanto pelas sociedades brasileiras, é o que mais entrega a longo prazo e é também o mais difícil, porque exige reeducar o paladar durante algumas semanas em que quase tudo parece sem graça.

O que decide entre eles não está em estudo nenhum. Está no quanto o café doce de manhã significa para você, na sua chance real de sustentar uma mudança maior neste momento da vida, e em quanto incomoda saber que existe uma dúvida em aberto sobre algo que você consome todo dia. Tem gente para quem essa dúvida tira o sossego, e para essa pessoa a incerteza é um custo de verdade, que merece entrar na conta.

Declaro a minha preferência, com a ressalva de que preferência não é recomendação: eu prefiro o terceiro caminho, e trabalho com a maioria dos pacientes para reduzir o doce em geral em vez de otimizar qual adoçante usar. Mas prefiro muito mais alguém usando adoçante e sustentando a alimentação do que alguém abandonando tudo porque leu que adoçante faz mal.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

Adoçante ajuda quando substitui açúcar, e o tamanho da ajuda é o tamanho do açúcar substituído, em torno de 1 kg nos estudos. Comparado com água, ele não faz diferença nenhuma, e isso é informação, não crítica. A recomendação da OMS que assustou o país é condicional, foi feita para orientar política pública, exclui quem tem diabetes e não manda ninguém voltar ao açúcar.

Os estudos que associam adoçante a diabetes e a doença cardiovascular carregam a marca de quem usa adoçante na vida real: gente que já estava em risco e por isso cortou o açúcar. Sobre câncer, a classificação do aspartame significa evidência limitada, o limite diário seguro equivale a mais de uma dúzia de latas por dia, e a revisão mais ampla, com 90 estudos, não achou associação consistente. Sobre o eritritol há um sinal que merece acompanhamento, medido em pessoas de risco cardíaco alto, e ainda não é veredito.

Se você levar uma frase daqui, que seja esta: a pergunta útil não é se adoçante faz mal, é o que ele está substituindo na sua alimentação. E se a resposta for "nada", talvez a conversa que valha a pena não seja sobre adoçante.

Quando procurar um endocrinologista

Procure avaliação se você:

E procure com prioridade, sem esperar consulta de rotina, se aparecer sede fora do comum, vontade de urinar muitas vezes por noite, perda de peso sem explicação ou visão embaçada, porque esses sinais não têm relação com adoçante e sugerem glicose alta.

Nada aqui substitui a avaliação individual. Nenhum artigo conhece a sua alimentação, os seus exames e o que pesa na sua rotina, e este texto não decide por você.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a avaliação individualizada do seu caso. As orientações alimentares aqui descritas são gerais e podem não se aplicar a quem tem doença renal, fenilcetonúria, transtorno alimentar ou outras condições que exigem conduta específica.

Se você quer entender o que a sua alimentação está fazendo com os seus exames, e montar uma estratégia que caiba na sua rotina, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Rogers P, Appleton K. The effects of low-calorie sweeteners on energy intake and body weight: a systematic review and meta-analyses of sustained intervention studies. International Journal of Obesity. 2021;45(3):464-478.
    https://doi.org/10.1038/s41366-020-00704-2 · PubMed 33168917
  2. McGlynn N, Khan T, Wang L, Zhang R, Chiavaroli L, Au-Yeung F, et al. Association of Low- and No-Calorie Sweetened Beverages as a Replacement for Sugar-Sweetened Beverages With Body Weight and Cardiometabolic Risk: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network Open. 2022;5(3):e222092.
    https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2022.2092 · PubMed 35285920
  3. Laviada-Molina H, Molina-Segui F, Pérez-Gaxiola G, Cuello-García C, Arjona-Villicaña R, Espinosa-Marrón A, et al. Effects of nonnutritive sweeteners on body weight and BMI in diverse clinical contexts: Systematic review and meta-analysis. Obesity Reviews. 2020;21(7):e13020.
    https://doi.org/10.1111/obr.13020 · PubMed 32216045
  4. Debras C, Deschasaux-Tanguy M, Chazelas E, Sellem L, Druesne-Pecollo N, Esseddik Y, et al. Artificial Sweeteners and Risk of Type 2 Diabetes in the Prospective NutriNet-Santé Cohort. Diabetes Care. 2023;46(9):1681-1690.
    https://doi.org/10.2337/dc23-0206 · PubMed 37490630
  5. Debras C, Chazelas E, Sellem L, Porcher R, Druesne-Pecollo N, Esseddik Y, et al. Artificial sweeteners and risk of cardiovascular diseases: results from the prospective NutriNet-Santé cohort. BMJ. 2022;378:e071204.
    https://doi.org/10.1136/bmj-2022-071204 · PubMed 36638072
  6. Lee J, Khan T, McGlynn N, Malik V, Hill J, Leiter L, et al. Relation of Change or Substitution of Low- and No-Calorie Sweetened Beverages With Cardiometabolic Outcomes: A Systematic Review and Meta-analysis of Prospective Cohort Studies. Diabetes Care. 2022;45(8):1917-1930.
    https://doi.org/10.2337/dc21-2130 · PubMed 35901272
  7. Debras C, Chazelas E, Srour B, Druesne-Pecollo N, Esseddik Y, Szabo de Edelenyi F, et al. Artificial sweeteners and cancer risk: Results from the NutriNet-Santé population-based cohort study. PLOS Medicine. 2022;19(3):e1003950.
    https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1003950 · PubMed 35324894
  8. Boon D, Marchitti S, Colonna K, Chowdhury-Paulino I, Li W, Berky A, et al. A Systematic Review of Nonsugar Sweeteners and Cancer Epidemiology Studies. Advances in Nutrition. 2025;16(12):100527.
    https://doi.org/10.1016/j.advnut.2025.100527 · PubMed 41038346
  9. Zhu X, Welsh J, McCullough M, Sylvetsky A, Hartman T, Patel A, et al. Association between Aspartame Consumption and Cancer Risk: Evidence from a Large Prospective Cohort. The Journal of Nutrition. 2026;156(5):101460.
    https://doi.org/10.1016/j.tjnut.2026.101460 · PubMed 41765137
  10. Watling C, Zhao L, Zhang X, Deubler E, Gonzalez-Feliciano A, Graubard B, et al. Artificially Sweetened and Sugar-Sweetened Beverage Intake and Risk of Liver Cancer. JAMA Network Open. 2026;9(6):e2617754.
    https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2026.17754
  11. Witkowski M, Nemet I, Alamri H, Wilcox J, Gupta N, Nimer N, et al. The artificial sweetener erythritol and cardiovascular event risk. Nature Medicine. 2023;29(3):710-718.
    https://doi.org/10.1038/s41591-023-02223-9 · PubMed 36849732
  12. Wang M, Wu O, Wallen O, Mozaffarian D. Artificial and Other Non-Nutritive Sweeteners, the Microbiome, and Cardiometabolic Health. Current Atherosclerosis Reports. 2026;28(1):8.
    https://doi.org/10.1007/s11883-026-01429-9 · PubMed 42347889
  13. Posicionamento conjunto da SBEM, SBD e ABESO sobre o consumo de adoçantes artificiais (14 de julho de 2023)
    https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2023/07/Posicionamento-conjunto-SBEM-SBD-e-Abeso-sobre-o-consumo-de-adocantes-artificiais-4-4.pdf
  14. Organização Mundial da Saúde, diretriz sobre adoçantes não açucarados (15 de maio de 2023)
    https://www.who.int/news/item/15-05-2023-who-advises-not-to-use-non-sugar-sweeteners-for-weight-control-in-newly-released-guideline

Dúvidas dos leitores

Então posso continuar usando adoçante, ou é melhor voltar para o açúcar?

Voltar para o açúcar é justamente o que nenhuma das recomendações pede. A Organização Mundial da Saúde diz explicitamente que não recomenda que quem usa adoçante troque pelo açúcar, e as sociedades brasileiras repetem isso em letras maiúsculas no posicionamento conjunto. A mensagem das duas é outra: o alvo é reduzir o paladar doce em geral, migrando para comida de verdade, e não trocar uma coisa doce por outra. Se hoje o adoçante está substituindo açúcar de verdade na sua rotina, ele está fazendo o trabalho dele. Se está sendo usado junto com uma alimentação já muito doce, ele não vai resolver sozinho.

Qual adoçante é o mais seguro?

Não existe um vencedor que a evidência sustente, e desconfie de quem cravar um. Os adoçantes aprovados passaram por avaliação de segurança e têm limites diários que a alimentação comum não alcança. O que muda entre eles é mais o gosto, a estabilidade no calor e o preço do que a segurança. Uma orientação prática que faz sentido é variar em vez de usar sempre o mesmo em grande quantidade, e escolher pelo paladar, já que adoçante que você não gosta acaba virando açúcar de novo. Quem tem fenilcetonúria é a exceção que precisa evitar aspartame, e por isso a embalagem traz esse aviso.

Tenho diabetes. A recomendação da OMS vale para mim?

Não vale, e isso está escrito no próprio documento: a recomendação exclui quem já tem diabetes. As sociedades brasileiras foram além e disseram que a pessoa com diabetes não deve trocar adoçante por açúcar, porque isso piora o controle da glicose. Para quem convive com diabetes, o adoçante é uma das ferramentas de reduzir carboidrato mantendo o sabor doce, dentro de uma alimentação que continua tendo comida de verdade como base.

Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.