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Ilustração plana em fundo azul-marinho com 4 ícones simples em linha: um coração, um fígado, um rim e uma lua crescente.

A caneta de emagrecimento faz bem para o coração, o fígado, o rim e o sono? O que já tem estudo e o que ainda é promessa

Em resumo: os benefícios da semaglutida e da tirzepatida além do peso foram medidos em pessoas que já tinham a doença, e cada estudo testou 1 dos 2 remédios. Com semaglutida, infarto, derrame ou morte cardiovascular ocorreram em 65 de cada 1.000 pessoas com doença do coração, contra 80 de cada 1.000 com placebo 1. Na apneia do sono, a tirzepatida reduziu os episódios de pausa ou redução da respiração em 25 por hora, contra 5 com placebo, em quem não usava aparelho para dormir 4. No fígado, a esteato-hepatite, que é a gordura com inflamação, se resolveu na biópsia em 63% das pessoas com semaglutida e em 34% das pessoas com placebo 5. No rim, o estudo foi feito em pessoas com diabetes tipo 2 7. No Alzheimer inicial, a semaglutida por via oral não retardou a piora da doença 8, e na endometriose a ideia ainda não foi testada como tratamento em pacientes 9.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 13/10/2026

O que os estudos mediram, e em quem

Os benefícios além do peso existem, e foram medidos em pessoas que já tinham a doença de cada órgão. O estudo de coração incluiu quem já tinha doença cardiovascular 1. O de apneia, quem tinha apneia moderada a grave e obesidade 4. O de fígado, quem tinha esteato-hepatite e cicatriz no fígado confirmadas por biópsia 5. O de rim, quem tinha diabetes tipo 2 e doença renal crônica 7.

A semaglutida (Wegovy) age no receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1, o GLP-1 10. A tirzepatida (Mounjaro) age nesse receptor e no de um segundo hormônio intestinal, o polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose, o GIP 3. São 2 remédios diferentes, e cada estudo testou 1 deles.

Uma pergunta que aparece no consultório é se vale usar a caneta pela saúde, e não pelo peso. Na minha leitura, a resposta depende de qual doença a pessoa tem: o que os estudos mostram é tratamento de quem já está doente, e nenhum desses estudos incluiu pessoas sem a doença.

Coração: infarto, derrame e insuficiência cardíaca

A semaglutida reduziu a soma de infarto, derrame e morte cardiovascular em quem já tinha doença do coração e excesso de peso. Os participantes tinham 45 anos ou mais, não tinham diabetes e tinham índice de massa corporal (IMC) de 27 ou mais, e receberam aplicação semanal de semaglutida 2,4 mg ou de placebo 1. Em pouco mais de 3 anos, 1 desses eventos ocorreu em 65 de cada 1.000 pessoas com semaglutida e em 80 de cada 1.000 com placebo 1.

O estudo de eventos cardiovasculares da tirzepatida eu explico no artigo "Caneta de emagrecimento protege o coração?", publicado no blog.

Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, os 2 remédios têm estudo em pessoas com obesidade. Com semaglutida, a nota de sintomas e limitação física, numa escala de 0 a 100, melhorou 16,6 pontos, contra 8,7 com placebo, e a distância caminhada em 6 minutos aumentou 21,5 metros, contra 1,2 metro 2. Com tirzepatida, em cerca de 2 anos, morte cardiovascular ou piora da insuficiência cardíaca ocorreu em 10 de cada 100 pessoas, contra 15 de cada 100 com placebo 3.

Esse resultado da tirzepatida veio da piora da insuficiência cardíaca, e não da mortalidade: houve 8 mortes cardiovasculares com o remédio e 5 com placebo 3. Como eu leio isso na prática: os estudos sustentam menos sintoma e menos piora da doença em quem tem essa forma de insuficiência cardíaca e obesidade 2,3, e não demonstram redução de morte cardiovascular nessa população 3.

Apneia do sono

A tirzepatida reduziu os episódios de pausa ou redução da respiração em quem tinha apneia moderada a grave e obesidade. No começo do estudo, os participantes tinham cerca de 50 desses episódios por hora de sono, e o IMC médio era 39 4. Depois de 52 semanas, os episódios caíram 25 por hora com tirzepatida e 5 por hora com placebo, entre quem não usava o aparelho de pressão positiva para dormir 4. Entre quem usava o aparelho, a queda foi de 29 por hora, contra 6 4.

O estudo mediu o número de episódios, a oxigenação e o relato de qualidade do sono, e infarto e derrame não estão entre os resultados descritos 4.

Concluir que a caneta substitui o aparelho vai além do que o estudo mostrou 4. Uma das 2 partes do estudo foi feita com pessoas que já usavam o aparelho 4, e, pela conta das médias, restou cerca de metade dos episódios do começo 4.

Fígado

A semaglutida melhorou a biópsia de quem tinha esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla em inglês MASH, que é a gordura no fígado com inflamação. Em 72 semanas, a esteato-hepatite se resolveu, sem piora da cicatriz, em 63% das pessoas com semaglutida 2,4 mg e em 34% das pessoas com placebo 5. A cicatriz, que os médicos chamam de fibrose, diminuiu, sem piora da esteato-hepatite, em 37% das pessoas com semaglutida e em 22% das pessoas com placebo 5.

Os participantes tinham fibrose moderada ou avançada, nos estágios 2 e 3, confirmada por biópsia 5. A duração prevista do estudo é de 240 semanas, e o resultado publicado é o de uma análise parcial da biópsia às 72 semanas 5.

Com a tirzepatida, o estudo foi menor e de fase mais inicial: 190 participantes, por 52 semanas 6. A esteato-hepatite se resolveu em 44% a 62% das pessoas, conforme a dose, contra 10% das pessoas com placebo, e os autores pedem estudos maiores e mais longos 6.

Como separar o achado de ultrassom da doença que precisa de tratamento está no artigo "Gordura no fígado: quando é só um achado e quando é problema", publicado no blog.

Rim

O benefício no rim foi medido em pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. O estudo comparou semaglutida 1,0 mg por semana com placebo, com acompanhamento de cerca de 3,4 anos 7. Falência do rim, perda de pelo menos metade da função renal ou morte por causa renal ou cardiovascular ocorreu em 19 de cada 100 pessoas com semaglutida e em 23 de cada 100 com placebo 7. O risco de morte por qualquer causa foi 20% menor com o remédio 7.

Todos os participantes tinham diabetes tipo 2 7. Na minha leitura, esse estudo mostra um benefício do tratamento do diabetes com doença renal e não responde sobre quem tem rim saudável 7.

Pressão, inflamação e outros marcadores de exame

A pressão e os marcadores de inflamação melhoraram nos estudos 2,4, mas marcador de exame não é evento clínico. Na apneia, a tirzepatida reduziu a pressão sistólica e a proteína C reativa, um marcador de inflamação no sangue 4. Na insuficiência cardíaca, a proteína C reativa caiu 43,5% com semaglutida e 7,3% com placebo 2.

Esses números mostram mudanças que acompanham o tratamento. Quem decide se ele protege um órgão é o estudo que conta infarto, internação, falência do rim ou cirrose.

O quanto dessa melhora vem da perda de peso ainda é pergunta em aberto: a declaração do colégio americano de cardiologia sobre obesidade e insuficiência cardíaca lista como desafio saber se o benefício vem do tamanho da perda de peso ou de outros mecanismos 11.

Endometriose e cérebro: uma hipótese e um estudo negativo

Na endometriose, a ideia ainda não foi testada como tratamento em pacientes 9. O artigo que propõe a tirzepatida como tratamento auxiliar é uma hipótese de mecanismo, apoiada em 1 estudo, não repetido, que encontrou menos GLP-1 no líquido do abdome de mulheres com endometriose 9. Os próprios autores escrevem que falta validação direta, em laboratório ou em pacientes, e que o texto não é recomendação de tratamento 9.

No Alzheimer inicial, a hipótese foi testada com semaglutida por via oral e não se confirmou 8. Dois estudos compararam semaglutida por via oral, em comprimido diário, com placebo em 3.808 pessoas com doença de Alzheimer em fase inicial 8. Depois de 104 semanas, a piora na escala de demência não teve diferença entre os 2 grupos, e os estudos foram encerrados 8.

Estudos em animais e registros de pessoas com diabetes sugeriam menos demência com esses remédios, e foi isso que motivou o teste 8. A revisão publicada antes desse resultado ainda descrevia as doenças neurodegenerativas como indicação em exploração, com evidência sugestiva 10. É o caminho normal: a hipótese nasce no laboratório e no registro, e o estudo com sorteio a testa em uma doença e em uma dose.

Os benefícios lado a lado

ÓrgãoQuem foi estudadoRemédio do estudoO que foi medidoResultado
CoraçãoDoença cardiovascular e IMC de 27 ou mais, sem diabetesSemaglutidaInfarto, derrame ou morte cardiovascular65 contra 80 de cada 1.000 1
Insuficiência cardíacaFração de ejeção preservada e obesidadeSemaglutidaNota de sintomas e limitação físicaMelhora de 16,6 contra 8,7 pontos 2
Insuficiência cardíacaFração de ejeção preservada e obesidadeTirzepatidaMorte cardiovascular ou piora10 contra 15 de cada 100 3
SonoApneia moderada a grave e obesidade, sem uso de aparelhoTirzepatidaEpisódios de pausa ou redução da respiração por horaQueda de 25 contra 5 4
FígadoEsteato-hepatite e fibrose na biópsiaSemaglutidaEsteato-hepatite resolvida na biópsia63% contra 34% das pessoas 5
RimDiabetes tipo 2 e doença renal crônicaSemaglutidaEvento renal grave ou morte cardiovascular19 contra 23 de cada 100 7
CérebroAlzheimer inicialSemaglutida oralEscala de demênciaSem diferença 8
EndometrioseSem teste de tratamento em pacientesTirzepatida, como hipóteseNada medido como tratamentoHipótese 9

A tabela resume 1 estudo por linha. Resultado de um remédio não se transfere automaticamente para o outro, nem para quem não tinha a doença estudada.

Tratar os 2 remédios como um só é um erro compreensível: o estudo de coração é da semaglutida 1, e o de apneia é da tirzepatida 4. É uma conclusão razoável para quem lê que são remédios da mesma família, e os estudos não permitem essa troca.

O que está na bula no Brasil

A bula brasileira da semaglutida para peso (Wegovy) tem 3 indicações: controle de peso, esteato-hepatite não cirrótica com fibrose moderada a avançada, e redução de eventos cardiovasculares em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso 12. No controle de peso em adultos, a bula exige IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais com pelo menos 1 doença relacionada ao peso 12.

A bula da tirzepatida hospedada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, traz 2 indicações: diabetes tipo 2 e controle crônico do peso, com os mesmos cortes de IMC 13. A apneia do sono aparece nela como exemplo de doença relacionada ao peso que permite o uso a partir do IMC de 27, e não como indicação própria 13.

Usar o remédio por um benefício que não está na bula é uso fora de bula. É uma decisão do médico, tomada com a pessoa informada sobre o que o estudo mediu e sobre o que ele não mediu.

Como essa decisão aparece na consulta

A pergunta que eu faço primeiro é qual problema de saúde estamos tratando. Quando a resposta é obesidade com apneia, com doença do coração ou com esteato-hepatite e fibrose, o remédio certo pode tratar a obesidade e a doença associada, e os números acima entram na conversa.

Quando a resposta é o benefício esperado em um órgão que hoje está saudável, eu ponho os 2 caminhos na mesa. Usar significa aplicação semanal por tempo prolongado, com reavaliação periódica, possíveis efeitos no estômago e no intestino, que descrevo no artigo sobre enjoo, intestino preso e sinais de alerta, e um custo mensal que se repete. Não usar significa tratar pressão, colesterol, glicose e sono com as ferramentas que já têm estudo para cada um.

Sobre continuar ou parar, o que os estudos mediram foi o benefício durante o período de tratamento: 52 semanas na apneia 4, 72 semanas no fígado 5 e pouco mais de 3 anos de acompanhamento no coração 1. O que acontece com o peso depois da suspensão está no artigo "Parei a caneta e o peso voltou", publicado no blog.

Esses estudos não medem o quanto uma aplicação por semana, por tempo prolongado, pesa na rotina de cada pessoa, o quanto dormir com o aparelho incomoda, nem o espaço que esse custo ocupa no orçamento da casa. Eu digo qual seria a minha escolha no lugar da pessoa, e digo também que essa preferência não é a recomendação. A escolha é de quem vai aplicar.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

A caneta faz mais do que emagrecer em quem já tem a doença. Com semaglutida, quem tinha doença do coração teve menos infarto, derrame ou morte cardiovascular, somados (65 contra 80 de cada 1.000) 1; quem tinha esteato-hepatite com fibrose melhorou a biópsia 5; e quem tinha diabetes com doença renal perdeu menos função do rim 7. Com tirzepatida, quem tinha apneia teve menos episódios de pausa ou redução da respiração 4, e quem tinha insuficiência cardíaca com obesidade piorou menos 3.

Os limites são 3. Cada resultado vale para o remédio e para a doença do estudo. Melhora de exame não é o mesmo que menos infarto, cirrose ou diálise. E endometriose e Alzheimer não entram na lista: uma é hipótese 9, o outro teve estudo negativo 8.

Se você se reconheceu em uma dessas doenças, a conversa sobre a caneta muda, porque o tratamento pode ter 2 alvos, e vale levar essa pergunta para a consulta.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação se você tem obesidade com apneia do sono, doença do coração, gordura no fígado com exames alterados ou diabetes com alteração no exame de urina ou de função renal, se já usa a caneta e quer saber o que ela trata no seu caso além do peso, ou se pensa em parar e não sabe o que muda. A indicação, a escolha do remédio e a dose dependem de história, exame físico e exames, e não se definem pela internet.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica. Os números citados vêm de estudos com grupos de pessoas e não preveem o que vai acontecer com cada uma. Semaglutida e tirzepatida são medicamentos de prescrição, com indicações, contraindicações e efeitos adversos avaliados caso a caso.

Se você usa ou pensa em usar uma caneta de emagrecimento e quer entender o que ela pode tratar no seu caso além do peso, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Lincoff A, Brown-Frandsen K, Colhoun H, Deanfield J, Emerson S, Esbjerg S, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023;389(24):2221-2232. doi:10.1056/NEJMoa2307563.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2307563 · PubMed 37952131
  2. Kosiborod M, Abildstrøm S, Borlaug B, Butler J, Rasmussen S, Davies M, et al. Semaglutide in Patients with Heart Failure with Preserved Ejection Fraction and Obesity. N Engl J Med. 2023;389(12):1069-1084. doi:10.1056/NEJMoa2306963.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2306963 · PubMed 37622681
  3. Packer M, Zile M, Kramer C, Baum S, Litwin S, Menon V, et al. Tirzepatide for Heart Failure with Preserved Ejection Fraction and Obesity. N Engl J Med. 2025;392(5):427-437. doi:10.1056/NEJMoa2410027.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2410027 · PubMed 39555826
  4. Malhotra A, Grunstein R, Fietze I, Weaver T, Redline S, Azarbarzin A, et al. Tirzepatide for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Obesity. N Engl J Med. 2024;391(13):1193-1205. doi:10.1056/NEJMoa2404881.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2404881 · PubMed 38912654
  5. Sanyal A, Newsome P, Kliers I, Østergaard L, Long M, Kjær M, et al. Phase 3 Trial of Semaglutide in Metabolic Dysfunction-Associated Steatohepatitis. N Engl J Med. 2025;392(21):2089-2099. doi:10.1056/NEJMoa2413258.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2413258 · PubMed 40305708
  6. Loomba R, Hartman M, Lawitz E, Vuppalanchi R, Boursier J, Bugianesi E, et al. Tirzepatide for Metabolic Dysfunction-Associated Steatohepatitis with Liver Fibrosis. N Engl J Med. 2024;391(4):299-310. doi:10.1056/NEJMoa2401943.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2401943 · PubMed 38856224
  7. Perkovic V, Tuttle K, Rossing P, Mahaffey K, Mann J, Bakris G, et al. Effects of Semaglutide on Chronic Kidney Disease in Patients with Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2024;391(2):109-121. doi:10.1056/NEJMoa2403347.
    → https://doi.org/10.1056/NEJMoa2403347 · PubMed 38785209
  8. Cummings J, Atri A, Sano M, Zetterberg H, Scheltens P, Knop F, et al. Efficacy and safety of oral semaglutide 14 mg (flexible dose) in early-stage symptomatic Alzheimer's disease (evoke and evoke+): two phase 3, randomised, placebo-controlled trials. Lancet. 2026;407(10544):2167-2179. doi:10.1016/S0140-6736(26)00459-9.
    → https://doi.org/10.1016/S0140-6736(26)00459-9 · PubMed 41865758
  9. Jacobsen L, Viana D, Folador G, Schor E, Invitti A. Peritoneal Incretin Deficiency and Tirzepatide as a Multi-Axis Adjuvant Hypothesis in Treatment-Refractory Endometriosis: A Mechanistic Framework Linking Metabolism, Immunity, Fibrosis, and Nociception. Int J Mol Sci. 2026;27(13):5678. doi:10.3390/ijms27135678.
    → https://doi.org/10.3390/ijms27135678 · PubMed 42449952
  10. Nauck M, Tuttle K, Tschöp M, Blüher M. GLP-1 receptor agonists and next-generation incretin-based medications: metabolic, cardiovascular, and renal benefits. Lancet. 2026;407(10531):892-908. doi:10.1016/S0140-6736(25)02105-1.
    → https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)02105-1 · PubMed 41547366
  11. Kittleson M, Benjamin E, Blumer V, Harrington J, Januzzi J, McMurray J, et al. 2025 ACC Scientific Statement on the Management of Obesity in Adults With Heart Failure: A Report of the American College of Cardiology. J Am Coll Cardiol. 2025;86(20):1953-1975. doi:10.1016/j.jacc.2025.05.008.
    → https://doi.org/10.1016/j.jacc.2025.05.008 · PubMed 40512113
  12. Bula profissional do Wegovy (semaglutida), Novo Nordisk: indicações
    → https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Wegovy_Bula_Profissional.pdf
  13. Bula do Mounjaro (tirzepatida), Eli Lilly, versão hospedada pela Anvisa: para que este medicamento é indicado
    → https://bula-anvisa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/112600202_paciente.pdf

Dúvidas dos leitores

Não tenho obesidade nem doença do coração. Vale usar a caneta só para proteger a saúde?

Os estudos citados aqui não incluíram pessoas assim. O estudo de coração com semaglutida incluiu pessoas de 45 anos ou mais que já tinham doença cardiovascular e índice de massa corporal de 27 ou mais 1, o de apneia e o de insuficiência cardíaca incluíram pessoas com a doença e com obesidade 2,4, e o de fígado, pessoas com a doença confirmada por biópsia 5. No Brasil, a bula da semaglutida para peso exige, em adultos, obesidade, ou sobrepeso com pelo menos 1 doença relacionada 12.

Se eu parar a caneta, perco a proteção do coração e do fígado?

Os estudos mediram o benefício durante o período de tratamento: 52 semanas na apneia 4, 72 semanas no fígado 5 e pouco mais de 3 anos de acompanhamento no coração 1. Esses estudos não relatam o que acontece com esses órgãos depois da suspensão. A declaração do colégio americano de cardiologia registra como pergunta em aberto o quanto do benefício vem do tamanho da perda de peso e o quanto vem de outros mecanismos 11.

A caneta trata endometriose?

A ideia ainda não foi testada como tratamento em pacientes. O artigo que propõe a tirzepatida para a endometriose é uma hipótese de mecanismo, e os próprios autores escrevem que falta validação direta, em laboratório ou em pacientes 9.

Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.