Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração em linhas finas azul-claras e douradas sobre fundo azul-marinho: o contorno de um olho visto de lado, com o nervo óptico saindo por trás dele como um feixe fino, e ao lado uma caneta de aplicação genérica deitada. Sem texto, sem pessoas e sem marcas.

Caneta para emagrecer e perda de visão: o que a investigação da Anvisa muda para quem usa

Em resumo: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, uma perda súbita de visão por falta de circulação no nervo do olho, em pessoas que usavam semaglutida (12) ou tirzepatida (1). Nos estudos de vida real com centenas de milhares de pessoas com diabetes tipo 2, a semaglutida e os remédios da mesma classe aparecem com um risco de 85% a 156% acima do comparador, mas o número absoluto é pequeno: de 1 a 3 casos a mais a cada 10 mil pessoas tratadas por ano 3,4,5,11. Nos ensaios em que o tratamento foi sorteado, o sinal não se firmou 2,7,8. A bula brasileira orienta exame oftalmológico diante de perda súbita de visão e suspensão da semaglutida se o diagnóstico for confirmado 11. Para quem enxerga bem, a notícia não é motivo para parar a caneta.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 28/09/2026

O que saiu na mídia

Em 27/09/2026, veículos de todo o país repercutiram um levantamento do g1 sobre o painel de notificações da Anvisa: 13 registros de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica ligados às canetas, 12 com semaglutida e 1 com tirzepatida. A própria agência ressalvou que usar o remédio e ter a doença não prova, por si só, que um causou o outro, e todos os casos seguem classificados como suspeitos. Segundo a reportagem, desde junho de 2025 a Anvisa determinou que a condição conste na bula da semaglutida como reação adversa muito rara.

A manchete falou em "cegueira súbita". A palavra assusta mais do que o fenômeno descreve: a perda costuma ser parcial e em um olho só, e o risco, como se verá nos números, é baixo. Mas ele existe, está na bula e merece ser conhecido por quem usa.

O que é a neuropatia óptica isquêmica

É um pequeno "derrame" no nervo do olho. O nervo óptico leva a imagem do olho ao cérebro, e a parte dele que fica logo atrás do olho recebe sangue por vasos muito finos. Quando essa circulação falha, o nervo sofre, e a pessoa percebe uma perda de visão súbita, em geral em um olho, muitas vezes ao acordar e sem dor.

Na população geral, ela é rara: de 2 a 10 casos a cada 100 mil pessoas 12. O problema é que, quando acontece, a visão perdida costuma não voltar por inteiro, e existe risco de o outro olho ser atingido depois: num acompanhamento de pessoas que já tinham tido o problema em um olho, 14,7% delas tiveram o segundo olho afetado em cerca de 5 anos, e ter diabetes aumentou essa chance 10.

É por essa combinação, rara mas pouco reversível, que um sinal pequeno ganha tanta atenção.

Notificação não é prova: o que a Anvisa está olhando

O painel de notificações é um sistema de alerta, e ele serve para levantar perguntas, não para respondê-las. Qualquer profissional ou paciente pode notificar uma suspeita, e o número de notificações cresce com o uso do remédio e com a atenção da mídia sobre ele. Treze casos entre os milhões de canetas vendidas no Brasil não dizem qual é o risco, só que vale medir.

A mesma limitação vale para os bancos internacionais. Um estudo com os sistemas de notificação dos Estados Unidos e da Organização Mundial da Saúde, de 180 países, encontrou a neuropatia óptica notificada com a semaglutida bem acima do esperado, mas esse tipo de dado mede o quanto se notifica, e não quantas pessoas adoecem 9. Para saber o risco de verdade, é preciso contar os casos entre quem usa e quem não usa, e isso os estudos abaixo fizeram.

O que os estudos mostram: risco real, número pequeno

A mensagem dos estudos maiores é consistente: em pessoas com diabetes tipo 2, a semaglutida e a classe dela se associam a mais casos de neuropatia óptica, e o número absoluto continua baixo.

O alerta começou em 2024, num hospital de Boston especializado em doenças do nervo do olho. Entre pessoas com diabetes tipo 2 atendidas ali, 8,9% das que usavam semaglutida tiveram o problema em 3 anos, contra 1,8% das que usavam outros remédios 1. Esse número assustou, e é alto em boa parte porque o estudo olhou para quem já tinha sido encaminhado a um serviço de olho, não para a população que usa a caneta.

Os estudos seguintes olharam para bases muito maiores e acharam números bem menores. Uma revisão de 2026 que reuniu os estudos de vida real em pessoas com diabetes tipo 2 calculou um risco 117% maior com a semaglutida, o que corresponde a cerca de 1 caso a mais a cada 7.000 pessoas tratadas por ano 3. No Reino Unido, entre mais de 500 mil pessoas que começaram um remédio novo para diabetes, houve 18,5 casos a cada 100 mil no primeiro ano entre quem começou um remédio da classe da semaglutida (os agonistas de GLP-1), contra 7,2 a cada 100 mil entre quem começou uma gliptina, outra classe de comprimido para diabetes 4. Nos Estados Unidos, com a mesma classe comparada às gliflozinas, outro grupo moderno de remédios para diabetes, o risco foi 85% maior, o que dá cerca de 3 casos a mais a cada 10 mil pessoas por ano 5. Esses dois estudos juntaram todos os remédios da classe, e a semaglutida responde pela maior parte do uso.

A bula brasileira resume o mesmo quadro: em adultos com diabetes tipo 2, cerca de 1 caso adicional a cada 10.000 pessoas tratadas por ano 11.

Na minha leitura, o número que decide é esse último, o absoluto. Um aumento de 117% parece enorme até se lembrar de que ele incide sobre algo que já era raro. Isso não torna o risco desprezível; torna-o do tamanho certo para ser pesado junto com o benefício que o tratamento traz para cada pessoa.

Por que os ensaios ainda não fecham a questão

Nos ensaios clínicos, em que o tratamento de cada participante é decidido por sorteio, o risco não se firmou, e isso tem uma explicação simples: o evento é raro demais para esses estudos.

A maior revisão desses ensaios reuniu 20 estudos com remédios da classe e 83.288 pessoas com diabetes tipo 2 ou doença do coração e dos vasos, acompanhadas por cerca de 3 anos, e não encontrou aumento de problemas graves de visão nem de neuropatia óptica 7. Um grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul reuniu 78 ensaios com semaglutida e encontrou mais casos no grupo do remédio, mas os próprios autores calcularam que o número de participantes ainda não bastava para uma conclusão definitiva 8. Uma terceira revisão, de 2026, separou os estudos por indicação e encontrou o sinal só nos estudos de vida real em pessoas com diabetes, com 26,7 casos a cada 100 mil pessoas por ano com semaglutida, contra 18,9 sem ela, e não o encontrou no uso para emagrecer, nem nos ensaios 2.

Como eu leio esse conjunto: os ensaios são o padrão mais confiável para saber se um remédio causa algo, mas contam poucos casos de um evento raro, e por isso oscilam. Os estudos de vida real contam muitos casos, mas comparam pessoas que não foram sorteadas, e quem recebe semaglutida pode ter mais fatores de risco de base. A soma dos dois me faz tratar o risco como provável e pequeno, e não como descartado nem como alarme.

Semaglutida e tirzepatida: o dado não é igual

Quase todo o sinal é da semaglutida, e isso é em parte reflexo de quanto tempo e em quanta gente ela foi estudada.

A tirzepatida é mais nova e tem menos dados. Nos bancos de notificação internacionais, ela não mostrou o sinal de neuropatia óptica que a semaglutida mostrou 9. Um estudo americano com cerca de 160 mil pessoas com diabetes tipo 2 juntou as duas na mesma análise e encontrou 0,04% de casos em 2 anos com semaglutida ou tirzepatida, contra 0,02% com outros remédios para diabetes 6; como as duas estavam no mesmo grupo, não dá para saber quanto é de cada uma.

A conclusão honesta é que, para a tirzepatida, não sabemos. A notificação única no levantamento da Anvisa não muda isso em nenhuma direção.

Quem parece ter mais risco

O risco não parece ser igual para todo mundo, e conhecer os fatores ajuda a decidir com quem vale conversar mais antes de começar.

No estudo do Reino Unido, o risco foi maior nos primeiros 6 meses de uso e diminuiu com o tempo, e foi mais alto em pessoas com menos de 50 anos, em homens, em quem fumava ou já tinha fumado, e em quem teve queda grande da glicada, de 1 ponto ou mais 4. As sociedades brasileiras apontaram ainda fatores que o estudo de Boston não levou em conta, como o tabagismo, o tempo de diabetes e o formato do disco do nervo óptico, que em algumas pessoas é pequeno e mais apertado 12. A apneia do sono, a pressão alta e o próprio diabetes aparecem entre os fatores que os pesquisadores precisam levar em conta ao comparar grupos 1,10.

O detalhe da glicada é curioso e tem paralelo conhecido: queda muito rápida da glicose também pode piorar a retinopatia diabética no início do tratamento. Não se sabe se o mecanismo é o mesmo, mas é mais um motivo para não ter pressa na subida da dose em quem começa com glicose muito alta.

A pergunta que faço antes de começar uma caneta, e que passa a ter mais peso agora, é se a pessoa já teve alguma perda de visão súbita em um dos olhos. Quem já teve neuropatia óptica em um olho tem um risco conhecido de ter no outro 10, e para essa pessoa a conversa sobre semaglutida é outra. Também pergunto sobre ronco e sono não reparador, porque a apneia é frequente em quem tem obesidade e merece ser tratada por si só.

Se a visão cair de repente: o que fazer

Perda súbita de visão durante o uso da caneta é motivo para procurar um oftalmologista no mesmo dia, sem esperar a próxima consulta. A bula brasileira da semaglutida diz exatamente isso: perda súbita de visão deve levar a exame oftalmológico, e o remédio deve ser suspenso se a neuropatia óptica for confirmada 11. A revisão de 2026 que reuniu os estudos de vida real apoia essa conduta, mesmo reconhecendo que a certeza da evidência ainda é baixa 3.

O motivo da suspensão é proteger o olho que ainda enxerga. A visão perdida no olho afetado, na maioria das vezes, não volta com nenhum tratamento, mas o outro olho continua em risco nos anos seguintes 10, e não há razão para manter um fator possivelmente somado a esse risco.

O que eu oriento na prática: diante de visão que caiu e não voltou, o primeiro passo é o oftalmologista, não a suspensão por conta própria. Parar a caneta sem diagnóstico não trata nada e pode deixar a glicose subir, e a perda de visão pode ter outra causa, algumas delas tratáveis e urgentes. Confirmado o diagnóstico, a semaglutida sai, e o controle do peso e do diabetes passa a ser feito com outras opções, que existem.

Devo parar a caneta?

Para quem enxerga bem e não tem história de neuropatia óptica, a notícia não é motivo para parar. Essa é também a posição da nota conjunta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO): mesmo que possa ter havido aumento do risco relativo, o aumento do risco absoluto é muito baixo e não justifica suspender o tratamento 12. Essa nota é de julho de 2024, anterior aos estudos maiores e à mudança da bula; o que veio depois confirmou que o risco existe e mostrou que ele é pequeno, o que não contradiz a conclusão dela.

Toda vez que um efeito colateral de caneta vira manchete, a reação que aparece no consultório é a pessoa suspender por conta própria e só contar depois. Com essa notícia circulando, espero que isso volte a acontecer nas próximas semanas, e entendo a lógica: diante de uma palavra como cegueira, parar parece a opção prudente. Mas parar tem custo. A glicose e o peso costumam voltar, e o que o tratamento vinha trazendo se perde junto.

Quando a pessoa tem um fator de risco a mais, como tabagismo ou apneia sem tratamento, a decisão fica menos óbvia, e aí coloco as opções na mesa: continuar com a semaglutida e combinar vigilância com o oftalmologista, trocar por outro remédio com dados diferentes, ou seguir sem caneta e apostar mais em outras frentes do tratamento. Cada uma tem um preço. Os estudos medem o risco médio; nenhum mede o quanto a pessoa convive bem com uma chance pequena de um dano que não volta, o quanto o remédio mudou a vida dela, ou o peso que ela dá a cada um desses lados. Por isso a escolha final é dela, com os números na mão.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

A semaglutida parece aumentar o risco de neuropatia óptica, uma perda súbita de visão por falta de circulação no nervo do olho, mas o risco absoluto é pequeno, da ordem de 1 a 3 casos a mais a cada 10 mil pessoas tratadas por ano, e parece concentrado nos primeiros meses 3,4,5,11. Para a tirzepatida, os dados são poucos e não permitem conclusão 6,9. Quem já teve o problema em um olho tem risco de ter no outro, e nesse caso a conversa sobre usar a caneta muda 10.

O que fazer com cada situação: sem sintoma, seguir o tratamento; perda súbita de visão, oftalmologista no mesmo dia; diagnóstico confirmado, suspender a semaglutida e escolher outro caminho 11.

A frase para levar embora: a notícia pede atenção à visão, não abandono do tratamento.

Se você usa caneta e tem alguma dúvida sobre a sua visão, ou já teve perda de visão em um olho, vale conversar sobre isso antes da próxima dose, e não depois.

Quando procurar um endocrinologista

Vale procurar avaliação se você usa semaglutida ou tirzepatida e já teve perda de visão súbita em um dos olhos, se tem diabetes há muitos anos e o exame de retina está atrasado, se tem ronco alto ou suspeita de apneia do sono, se suspendeu a caneta por conta própria depois da notícia e a glicose ou o peso voltaram a subir, ou se está pensando em começar o tratamento e quer entender se o risco pesa no seu caso. Perda de visão súbita é assunto do oftalmologista no mesmo dia; o endocrinologista entra depois, para ajustar o tratamento. Nenhuma decisão de manter ou parar a caneta se toma pela internet: o que dá para levar daqui são os números e as perguntas certas.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a prescrição individualizada. Se a sua visão cair de repente, procure um oftalmologista no mesmo dia; não suspenda nem mantenha a caneta por conta própria sem essa avaliação.

Se você usa caneta para diabetes ou obesidade e quer saber se esse risco pesa no seu caso, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Hathaway JT, Shah MP, Hathaway DB, Zekavat SM, Krasniqi D, Gittinger JW Jr, et al. Risk of Nonarteritic Anterior Ischemic Optic Neuropathy in Patients Prescribed Semaglutide. JAMA Ophthalmol. 2024;142(8):732-739. doi:10.1001/jamaophthalmol.2024.2296.
    → https://doi.org/10.1001/jamaophthalmol.2024.2296 · PubMed 38958939
  2. Liu Z, Raveendran D, Fourlanos S, Chong EW. Rate and Risk of Nonarteritic Anterior Ischemic Optic Neuropathy with Semaglutide Use for Diabetes and Weight Loss: A Systematic Review and Meta-Analysis. Ophthalmology. 2026;133(5):589-598. doi:10.1016/j.ophtha.2025.12.022.
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  3. Chrzanowski J, Walicka M, Burzyński J, Zaraś M, Michalak A, Fendler W. Semaglutide-associated risk of nonarteritic anterior ischemic optic neuropathy in patients with type 2 diabetes: A systematic review and meta-analysis of observational studies. PLoS Med. 2026;23(5):e1005064. doi:10.1371/journal.pmed.1005064.
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  4. Noh Y, Yin H, Ben Ghezala I, Yu OHY, Suissa S, Azoulay L. Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists and Risk of Nonarteritic Anterior Ischemic Optic Neuropathy in Patients With Type 2 Diabetes. Diabetes Care. 2026;49(5):763-771. doi:10.2337/dc25-2577.
    → https://doi.org/10.2337/dc25-2577 · PubMed 41701611
  5. Tesfaye H, Paik JM, Wexler DJ, Hathaway JT, Yu EW, Freedman A, et al. GLP-1RA and the risk of non-arteritic anterior ischaemic optic neuropathy in patients with type 2 diabetes: A population-based study. Diabetes Obes Metab. 2026;28(2):1517-1528. doi:10.1111/dom.70200.
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  7. Li HY, Chan TK, Co Shih K, Cheung BMY, Yiu KH, Tse HF, et al. GLP-1 Receptor Agonists and Risk of Optic Nerve or Vision-Threatening Events in Patients With Type 2 Diabetes or Cardiometabolic Diseases: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Diabetes Care. 2026;49(3):526-535. doi:10.2337/dc25-1929.
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  9. Lakhani M, Kwan ATH, Mihalache A, Popovic MM, Nanji K, Xie JS, et al. Association of Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists With Optic Nerve and Retinal Adverse Events: A Population-Based Observational Study Across 180 Countries. Am J Ophthalmol. 2025;277:148-168. doi:10.1016/j.ajo.2025.05.007.
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  10. Newman NJ, Scherer R, Langenberg P, Kelman S, Feldon S, Kaufman D, et al. The fellow eye in NAION: report from the ischemic optic neuropathy decompression trial follow-up study. Am J Ophthalmol. 2002;134(3):317-328. doi:10.1016/s0002-9394(02)01639-2.
    → https://doi.org/10.1016/s0002-9394(02)01639-2 · PubMed 12208242
  11. Wegovy (semaglutida), bula profissional brasileira (Novo Nordisk, versão EU-PI 20251212 + EU-PI MASH 03/Mar/2025 + FDA 19/Mar/2026, v. 1.0): advertência sobre neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica e tabela de reações adversas
    → https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Wegovy_Bula_Profissional.pdf
  12. SBEM, SBD, ABESO e SBO. Nota de esclarecimento à população sobre o uso da semaglutida em relação à neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, publicada em 16/07/2024
    → https://www.endocrino.org.br/noticias/para-a-populacao-uso-da-semaglutida-em-relacao-a-neuropatia-optica-is%C7%ABuemica-anterior-nao-arteritica/

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Uso semaglutida há mais de um ano e nunca tive problema de visão. Continuo correndo esse risco?

O risco não parece distribuído por igual no tempo. No maior estudo que olhou para isso, ele foi mais alto nos primeiros 6 meses de uso e diminuiu com o uso mais longo, e a bula brasileira diz que não há um prazo definido para quando o problema pode aparecer. Na prática, quem usa há mais tempo e está bem não precisa suspender por causa da notícia, mas vale guardar a orientação principal: perda súbita de visão, mesmo em um olho só e sem dor, pede avaliação com oftalmologista no mesmo dia.

Uso tirzepatida, não semaglutida. A notícia vale para mim?

Em parte. Das 13 notificações, 1 foi com tirzepatida, e os estudos ainda não têm dados suficientes para dizer se ela tem o mesmo risco da semaglutida: nos bancos internacionais de notificação ela não mostrou o sinal, e o estudo que a incluiu juntou os dois remédios no mesmo grupo. Enquanto isso não se esclarece, a orientação prática é a mesma para quem usa qualquer caneta: perda súbita de visão, mesmo em um olho só e sem dor, pede oftalmologista no mesmo dia, e a suspensão depende do diagnóstico.

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