Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial sóbria sobre fundo azul-marinho, com o desenho em linhas finas douradas de uma balança de dois pratos estilizada, um prato com o contorno de um documento oficial e o outro com o contorno de um frasco de medicamento, representando a decisão entre política pública e tratamento. Sem texto, sem pessoas, sem marcas e sem embalagens reais.

Caneta emagrecedora no SUS: o que foi anunciado e o que ainda não existe

Em resumo: o que aconteceu em 17 e 18 de setembro foi um anúncio de intenção, acompanhado de um estudo piloto com 250 pacientes em Porto Alegre e de um protocolo clínico ainda em elaboração. A norma que está valendo hoje é a Portaria SECTICS nº 65, de 15 de setembro de 2025, que decidiu não incorporar a semaglutida ao SUS para obesidade grave. Enquanto isso, a evidência do medicamento é sólida: perda média de 14,9% do peso em 68 semanas1 e queda de eventos cardiovasculares graves de 8,0% para 6,5% em quem já tinha doença do coração, ao longo de 3 anos e 4 meses4. E dois terços do peso perdido voltam no primeiro ano depois que o tratamento para3.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 19/09/2026

Contexto: o que saiu na mídia

O ministro da Saúde anunciou que o SUS passará a ofertar os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, para pessoas com obesidade. A manchete circulou na imprensa nacional nas horas seguintes, em geral na forma "SUS vai distribuir".

A nota oficial do próprio ministério é mais contida que as manchetes10. Ela fala em deixar o protocolo pronto para depois disponibilizar, cita os 14 produtos da classe já registrados no país como o que derrubou o preço, com o ministro afirmando que o medicamento caiu de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil para R$ 300 a R$ 400 na farmácia, e diz que o edital de produção nacional da semaglutida, cuja patente expira em 2026, foi lançado depois de um relatório da Organização Mundial da Saúde que orientou os países a avaliar o acesso a esse tipo de medicamento, e apresenta um estudo chamado Real-Bari, com 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre10. Os grupos que o ministro disse estar avaliando são pessoas em fila de cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade e problemas cardíacos, e mulheres que tiveram câncer de mama10. São grupos em avaliação, e não uma fila de prioridade de uma oferta que ainda não existe.

Nenhuma data foi dada. Nenhum critério foi publicado. E é aqui que a diferença entre a manchete e o documento passa a importar para quem está em casa decidindo o que fazer.

O que está valendo hoje, no papel

A decisão vigente é de não incorporar. Em 15 de setembro de 2025, a Portaria SECTICS nº 65 tornou pública a decisão de não incorporar ao SUS a semaglutida para o tratamento de pessoas com obesidade graus II e III, sem diabetes, com idade a partir de 45 anos e com doença cardiovascular estabelecida8. Essa portaria não foi revogada, e um anúncio de ministro não revoga portaria.

Vale entender o que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, de fato avaliou, porque o recorte era estreito. O pedido não era para toda pessoa com obesidade: era para quem tem índice de massa corporal igual ou acima de 35, não tem diabetes, tem 45 anos ou mais e já sofreu infarto, acidente vascular cerebral ou tem doença arterial periférica sintomática8. Ou seja, o grupo de maior risco e menor número.

O motivo da recusa foi econômico, e a comissão foi explícita quanto a isso. Na avaliação apresentada por quem pediu a incorporação, o custo para o SUS em 5 anos ficaria entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,9 bilhões, com uma relação de custo por ano de vida ganho com qualidade estimada em R$ 34 mil. Na análise crítica da comissão, mudando a premissa de tempo de tratamento, essa relação subiu para R$ 300 mil e os custos subiram junto8. Na consulta pública, a maioria das contribuições foi favorável à incorporação, e ainda assim a comissão entendeu que elas não superavam as incertezas econômicas identificadas.

Guardar esse salto, de R$ 34 mil para R$ 300 mil por ano de vida ganho com qualidade, ajuda a ler o anúncio de agora com o pé no chão: nada mudou na eficácia do remédio entre 2025 e 2026. O que mudou foi o preço possível.

Por que a conta mudou em 1 ano

A patente da semaglutida expira no Brasil em 2026, e é isso que está por trás de toda a conversa. Quando a exclusividade acaba, laboratórios nacionais passam a produzir a mesma molécula, e o preço cai de forma que não tem nada a ver com medicina e tudo a ver com concorrência. Um orçamento que era proibitivo em bilhões passa a caber.

É por isso que a nota do ministério trata da produção nacional e da patente, e é por isso que a oferta no SUS virou assunto justamente agora. A conta apresentada à Conitec em 2025 foi feita com os preços de então. Refeita com os de hoje, ou com o de um genérico nacional, ela dá outro resultado, e a própria comissão pode reavaliar uma tecnologia quando o cenário muda.

O que isso significa na prática é que existe um caminho real, e não apenas retórica de campanha. Mas caminho real não é tratamento disponível, e a distância entre os dois se mede em protocolo publicado, compra feita e medicamento na prateleira da farmácia do município.

O que a semaglutida faz, em números

A perda de peso é grande e bem documentada. No estudo principal da semaglutida para obesidade, 1.961 adultos com índice de massa corporal igual ou acima de 30, ou igual ou acima de 27 com alguma doença ligada ao peso, e sem diabetes, foram sorteados para receber a aplicação semanal do medicamento ou uma injeção igual sem princípio ativo, todos com orientação de alimentação e atividade física, e ninguém sabia quem estava em qual grupo1.

Em 68 semanas, o peso caiu 14,9% no grupo do medicamento contra 2,4% no grupo da injeção sem efeito. Metade das pessoas que usaram a semaglutida perdeu 15% ou mais do peso, contra 5% no outro grupo1. Quando o tratamento continua, o resultado se mantém: no estudo de 2 anos, a perda média foi de 15,2% na semana 104, contra 2,6% no grupo da injeção sem efeito2.

A revisão que reuniu 4 ensaios com 3.087 participantes sem diabetes mediu uma diferença de 12,1 pontos percentuais em relação ao placebo, próxima à do estudo principal, e mostrou a distribuição: 33,4% das pessoas perderam 20% ou mais do peso, contra 2,2% de quem recebeu placebo5.

Na prática do consultório, o número que eu uso para conversar não é a média, é a distribuição. Média de 15% quer dizer que muita gente perde bem mais e uma parte perde bem menos, e a pessoa à minha frente quer saber de qual grupo ela vai fazer parte. A resposta honesta é que não dá para prever antes de começar, e é por isso que a conversa fica melhor depois das primeiras semanas de tratamento do que na primeira consulta, quando ainda não há nada além de expectativa.

O ganho que não aparece na balança

O efeito no coração é o argumento mais forte para quem já tem doença cardiovascular, e é diferente do efeito no peso. Um ensaio com 17.604 pessoas de 45 anos ou mais, todas com doença do coração já estabelecida e índice de massa corporal igual ou acima de 27, e nenhuma com diabetes, comparou a semaglutida com uma injeção sem princípio ativo por um acompanhamento médio de 39,8 meses4.

O desfecho principal, que somava morte por causa cardiovascular, infarto não fatal e derrame não fatal, aconteceu em 6,5% de quem recebeu o medicamento e em 8,0% de quem recebeu a injeção sem efeito4. São 15 eventos graves a menos a cada 1.000 pessoas tratadas ao longo dos 3 anos e 4 meses de acompanhamento, num grupo que já tinha doença do coração.

A bula brasileira traz, além da indicação para controle de peso, uma indicação específica para reduzir o risco de eventos cardiovasculares maiores em adultos com doença cardiovascular estabelecida e índice de massa corporal igual ou acima de 279.

O mesmo estudo traz o outro lado, e ele raramente entra nas manchetes: 16,6% das pessoas que usaram a semaglutida interromperam o tratamento por efeitos adversos, contra 8,2% no outro grupo4. Isto é, 1 em cada 6 parou por não tolerar, e a metade disso aconteceu também com a injeção sem princípio ativo. Os efeitos que mais aparecem são gastrointestinais, em geral transitórios e de intensidade leve a moderada1,7. Qualquer programa público que distribua o medicamento precisa contar com isso na conta, porque parar não é evento raro.

Quando o tratamento para, o peso volta

Esse é o ponto que mais muda a conversa, e o que menos aparece no debate sobre acesso. Na extensão do estudo principal, 327 participantes foram acompanhados depois que o tratamento acabou. Os que tinham recebido a semaglutida haviam perdido 17,3% do peso em 68 semanas e, 1 ano depois de parar, recuperaram 11,6 pontos percentuais, restando uma perda líquida de cerca de 5,6% em relação ao peso inicial, e as melhoras de pressão, colesterol e glicose voltaram na mesma direção3.

Em média, dois terços do peso perdido, de volta em 12 meses.

Isso não desqualifica o tratamento. Ninguém espera que a pressão continue controlada 1 ano depois de parar o remédio de pressão, e ninguém chama isso de fracasso do remédio. A obesidade se comporta do mesmo jeito: o corpo defende o peso que tinha, com fome e com metabolismo, e o medicamento age enquanto está sendo usado3,6.

A consequência para uma política pública é concreta. Distribuir por 6 meses e interromper é diferente de tratar; é produzir um ciclo de perda e reganho com dinheiro público e frustração privada. Quando o protocolo brasileiro sair, o item mais importante dele não vai ser quem entra, e sim o que acontece com quem entrou.

Quem a bula brasileira já autoriza

Muita gente que está fazendo planos com essa notícia não estaria na indicação nem hoje. Vale conferir o que a bula diz, porque ela é mais específica do que o debate público sugere.

Para controle de peso, a semaglutida na apresentação de obesidade é indicada como complemento a uma dieta com menos calorias e a mais atividade física, em adultos com índice de massa corporal igual ou acima de 30, ou entre 27 e 30 quando existe pelo menos uma doença relacionada ao peso, como pré-diabetes ou diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alterado, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular9. Há ainda indicação para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso acima de 60 kg, e para esteato-hepatite associada à disfunção metabólica com fibrose moderada a avançada9.

Repare no que essa lista não inclui: perder 5 kg para um casamento, e índice de massa corporal abaixo de 30 sem nenhuma doença associada, o que deixa de fora inclusive quem está entre 27 e 30 sem comorbidade. Não é implicância burocrática. É que os riscos do medicamento foram medidos contra os benefícios em quem tem doença, e essa conta muda quando não há doença para tratar.

A cena mais frequente na minha sala, e ela é antiga, muito anterior a esta notícia, é a pessoa chegar com o medicamento já decidido e o diagnóstico ainda não feito. O trabalho inicial quase sempre é o inverso do esperado: medir, calcular o risco, revisar os remédios de uso contínuo que atrapalham o peso, olhar o sono. Uma parte relevante das pessoas sai da primeira consulta com um plano que não começa pela caneta, e não é por falta de acesso a ela.

O que o piloto vai, e não vai, responder

O Real-Bari é um protocolo de pesquisa do Ministério da Saúde com a equipe do Grupo Hospitalar Conceição, e a nota descreve o objetivo dele como garantir mais segurança aos participantes e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo por especialistas do serviço10. Em outro trecho, falando do trabalho da pasta e sem dizer se isso acontece dentro do Real-Bari, o ministro diz o que está sendo avaliado: se a medicação controla a obesidade sem necessidade de cirurgia em quem está na fila da bariátrica, se melhora a situação de quem tem obesidade e problemas cardíacos, e se reduz o risco de recidiva em mulheres que tiveram câncer de mama10. Com 250 pacientes num único serviço, ele não substitui os ensaios que estabeleceram a eficácia do medicamento1,4. O que eu espero dele, e essa leitura é minha, são as respostas de operação que ensaio clínico não dá: quanta gente adere, quanta gente abandona, como fica a fila de cirurgia bariátrica, quanto custa administrar isso numa rede pública.

São perguntas boas, e o Brasil precisa delas. Também são perguntas que levam tempo, e um estudo de obesidade que se respeite acompanha pessoas por 1 ou 2 anos.

Um resultado individual divulgado no anúncio, o do primeiro paciente a receber o medicamento pelo SUS, que perdeu 6 quilos10, não é dado de estudo: é anedota de lançamento. Não digo isso para diminuir o programa, e sim porque é exatamente o tipo de número que circula e cria expectativa desproporcional em quem está esperando.

O que a notícia muda, e o que não muda

Na indicação, nada. Quem tinha motivo para tratar ontem continua tendo hoje, e quem não tinha continua não tendo. O anúncio não mexe no seu índice de massa corporal, no seu risco cardiovascular nem no que a bula autoriza9. O que ele mexe é na expectativa.

O risco que uma notícia assim cria é o adiamento, e ele é silencioso porque não vira estatística de ninguém. Quem já tem indicação e resolve aguardar paga em tempo com a doença ativa, e esse preço não é igual para todos: em quem já teve infarto ou derrame, em quem tem apneia grave, em quem está em fila de cirurgia bariátrica, cada semestre pesa. Em quem já tem doença do coração estabelecida, o benefício de tratar está medido em eventos evitados ao longo de 3 anos e 4 meses4; quanto custa esperar, o estudo não mediu.

Quem está sem comorbidade e vinha pensando no assunto com calma está em outra situação, e aqui os meses de espera não são perdidos. Alimentação, sono, atividade física e revisão dos remédios que engordam mudam o resultado do tratamento inteiro, valem com ou sem caneta, e não dependem de portaria nenhuma.

O custo financeiro também não some: o tratamento privado é caro e contínuo, e o preço, que segundo o ministério já caiu com os 14 produtos da classe registrados no país10, pode cair mais quando a produção nacional entrar. A isso se soma a intolerância: no estudo com pessoas que já tinham doença do coração, 16,6% interromperam por efeito adverso, contra 8,2% de quem recebeu a injeção sem princípio ativo4, e o fato de que parar devolve, em média, dois terços do peso3. Tratar obesidade é um compromisso de prazo, e é por isso que ele merece ser assumido com diagnóstico feito, e não por causa de manchete.

A minha preferência pessoal, e eu digo isso aberto na consulta, é não organizar tratamento em torno de promessa sem data. Ela não é a recomendação: é como eu penso.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

A semaglutida funciona, e os números são bons: perda média em torno de 15% do peso com tratamento mantido1,2, e menos infarto, derrame e morte cardiovascular em quem já tem doença do coração, com o desfecho caindo de 8,0% para 6,5% em 3 anos e 4 meses4. Também é um tratamento com custos reais: no estudo cardiovascular, 16,6% das pessoas interromperam por efeito adverso, contra 8,2% no grupo da injeção sem princípio ativo4, e dois terços do peso voltam no ano seguinte a parar3.

Sobre o SUS, a frase honesta hoje é que existe um anúncio, um piloto e uma portaria de não incorporação ainda vigente8. É provável que isso mude, porque a expiração da patente ataca o preço, que foi o eixo da recusa. A crítica da comissão apontava também a incerteza sobre por quanto tempo o tratamento precisa ser mantido, e essa parte o genérico não resolve. Por ora, não há data, não há critério publicado e não há medicamento no posto.

Se eu pudesse deixar uma frase, seria esta: trate a obesidade agora, com o que existe agora, e receba a caneta do SUS como aceleração de um plano que já está de pé, não como o plano. Quem já está em acompanhamento chega a qualquer oferta futura com diagnóstico feito, risco calculado e indicação definida.

E se você leu isso tudo e se reconheceu em alguma das situações descritas aqui, uma avaliação médica vale por si, independentemente do que o SUS venha a decidir.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação se você se encaixa em alguma destas situações: índice de massa corporal igual ou acima de 30; índice entre 27 e 30 acompanhado de pressão alta, pré-diabetes, diabetes tipo 2, colesterol alterado, apneia do sono ou doença do coração; obesidade com infarto, derrame ou problema arterial já diagnosticado; espera por cirurgia bariátrica; uso de caneta por conta própria, sem acompanhamento ou com efeitos que estão fazendo você pensar em parar; ganho de peso importante depois de começar algum remédio de uso contínuo; ou tentativa repetida de emagrecer com dieta e exercício sem resultado sustentado. Nada do que está escrito aqui substitui essa consulta: o texto explica o que os estudos mostram na média das pessoas e o que as normas dizem hoje, e decidir se você precisa tratar, com o quê e por quanto tempo depende do seu caso, dos seus exames e da sua história.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico individualizado. As indicações, os pontos de corte e os esquemas citados aqui vêm de bula, de diretrizes e de estudos científicos e não valem como prescrição: quem define se você precisa tratar e de que forma é o médico que conhece o seu caso. As informações sobre a oferta no SUS refletem as normas e os anúncios públicos disponíveis na data de atualização deste texto e podem mudar.

Se você tem obesidade, está pensando em usar uma caneta de emagrecimento ou já vem usando sem acompanhamento, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Wilding J, Batterham R, Calanna S, Davies M, Van Gaal L, Lingvay I, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of Medicine. 2021;384(11):989-1002. doi:10.1056/nejmoa2032183.
    https://doi.org/10.1056/nejmoa2032183 · PubMed 33567185
  2. Garvey W, Batterham R, Bhatta M, Buscemi S, Christensen L, Frias J, et al. Two-year effects of semaglutide in adults with overweight or obesity: the STEP 5 trial. Nature Medicine. 2022;28(10):2083-2091. doi:10.1038/s41591-022-02026-4.
    https://doi.org/10.1038/s41591-022-02026-4 · PubMed 36216945
  3. Wilding J, Batterham R, Davies M, Van Gaal L, Kandler K, Konakli K, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2022;24(8):1553-1564. doi:10.1111/dom.14725.
    https://doi.org/10.1111/dom.14725 · PubMed 35441470
  4. Lincoff A, Brown-Frandsen K, Colhoun H, Deanfield J, Emerson S, Esbjerg S, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. New England Journal of Medicine. 2023;389(24):2221-2232. doi:10.1056/nejmoa2307563.
    https://doi.org/10.1056/nejmoa2307563 · PubMed 37952131
  5. Moiz A, Levett J, Filion K, Peri K, Reynier P, Eisenberg M. Long-Term Efficacy and Safety of Once-Weekly Semaglutide for Weight Loss in Patients Without Diabetes: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Cardiology. 2024;222:121-130. doi:10.1016/j.amjcard.2024.04.041.
    https://doi.org/10.1016/j.amjcard.2024.04.041 · PubMed 38679221
  6. Gudzune K, Kushner R. Medications for Obesity: A Review. JAMA. 2024;332(7):571-584. doi:10.1001/jama.2024.10816.
    https://doi.org/10.1001/jama.2024.10816 · PubMed 39037780
  7. Bergmann N, Davies M, Lingvay I, Knop F. Semaglutide for the treatment of overweight and obesity: A review. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2023;25(1):18-35. doi:10.1111/dom.14863.
    https://doi.org/10.1111/dom.14863 · PubMed 36254579
  8. Conitec, Relatório para a sociedade nº 553 com decisão final: Portaria SECTICS/MS nº 65, de 15 de setembro de 2025, que torna pública a decisão de não incorporar a semaglutida para obesidade graus II e III no SUS
    https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2025/sociedade/relatorio-para-sociedade-com-decisao-final-no-553
  9. Bula profissional do Wegovy (semaglutida), seção de indicações, Novo Nordisk
    https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?nomeProduto=WEGOVY
  10. Ministério da Saúde, nota oficial: canetas emagrecedoras serão disponibilizadas de forma responsável no SUS (17/09/2026)
    https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/setembro/canetas-emagrecedoras-serao-disponibilizadas-de-forma-responsavel-no-sus-diz-ministro

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Vi no jornal que o SUS vai dar a caneta. Já posso procurar o posto e pedir?

Ainda não. O que houve foi um anúncio do ministro e de um projeto piloto, não uma incorporação com regra publicada. A norma que está valendo hoje é a Portaria SECTICS nº 65, de setembro de 2025, que decidiu não incorporar a semaglutida ao SUS para obesidade. Para a oferta existir de fato, é preciso um protocolo clínico publicado, dizendo quem tem direito, qual medicamento, em que dose e por quanto tempo, além de uma decisão nova que substitua a anterior. Nada disso saiu até agora. Procurar a unidade de saúde para tratar obesidade continua fazendo todo sentido, porque o SUS oferece acompanhamento, avaliação de risco e outras condutas; o que ainda não existe é a caneta na farmácia do posto.

Se o SUS passar a oferecer, vai ser para qualquer pessoa com obesidade?

Quase certamente não. O pedido que a Conitec avaliou em 2025 já era estreito: pessoas com obesidade graus II e III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e com doença cardiovascular já estabelecida. Os grupos que o ministro disse estar avaliando também são específicos, gente em fila de cirurgia bariátrica, gente com obesidade e problemas cardíacos, e mulheres que tiveram câncer de mama. O tamanho da conta explica o recorte: mesmo para aquele grupo estreito, a estimativa apresentada à Conitec era de R$ 3,4 bilhões a R$ 3,9 bilhões em 5 anos. O critério que vai valer só existirá quando o protocolo clínico for publicado, e é ele que vai dizer quem entra, com qual medicamento, em que dose e por quanto tempo.

Se eu começar e depois parar, engordo tudo de novo?

Boa parte volta, sim, e isso está medido. Na extensão do estudo que testou a semaglutida em quem não tem diabetes, os participantes tinham perdido 17,3% do peso em 68 semanas de tratamento; 1 ano depois de parar, recuperaram 11,6 pontos percentuais, ou seja, dois terços do que tinham perdido, e as melhoras de pressão, colesterol e glicose acompanharam a volta. Isso não é falha de força de vontade nem prova de que o remédio não serve: é a mesma coisa que acontece com remédio de pressão quando se suspende, porque a obesidade é doença crônica e o tratamento age enquanto está sendo feito. A leitura prática é que a decisão de começar é também a decisão de planejar o que vem depois, e esse é um dos pontos mais frágeis de qualquer programa que distribua o medicamento sem garantir continuidade.

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