Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
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Congelar tecido do ovário adia a menopausa? O que o CFM disse e o que os estudos mostram

Em resumo: o Conselho Federal de Medicina publicou em 08/09/2026 um alerta afirmando que a criopreservação e o transplante autólogo de tecido ovariano não adiam a menopausa natural, e que o uso com essa finalidade não está estabelecido na prática clínica. O que o conselho admite dentro de protocolo de pesquisa aprovado pelo sistema CEP/Conep é outra coisa: o uso para preservar as funções reprodutiva e endócrina 14. A promessa de adiar a menopausa em 11,8 a 15,5 anos vem de um modelo matemático aplicado a um caso específico, o de uma mulher de 25 anos que congelasse 25% do próprio córtex ovariano, e não do acompanhamento de mulheres ao longo do tempo 1. Um segundo modelo, publicado este ano, chegou a uma conclusão diferente: dependendo de quanto tecido se retira, de quanto sobrevive e de quando ele volta, a menopausa pode vir mais tarde, na mesma idade, ou mais cedo 2. E o tecido transplantado tem prazo: numa metanálise de mulheres com câncer ginecológico, a função hormonal foi restaurada em 78,1% dos casos e a duração mediana do enxerto foi de 32 meses 4.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 09/09/2026

Contexto (o que saiu na mídia)

O CFM publicou em 08/09/2026 uma nota alertando para o uso da criopreservação e do transplante de tecido do ovário com a finalidade de adiar a menopausa 14. A nota não sai do nada: nos últimos anos a técnica passou a ser oferecida comercialmente em alguns países como uma espécie de seguro contra o envelhecimento ovariano, e a ideia chegou ao noticiário com números grandes e uma narrativa sedutora, a de que seria possível congelar hoje um pedaço da própria juventude hormonal e descongelá-lo daqui a 20 anos.

Vale separar duas coisas que a manchete junta. O procedimento existe, é real, e tem uma indicação séria e bem estabelecida, que é preservar a fertilidade de meninas e mulheres que vão receber tratamento capaz de destruir os folículos do ovário. O exemplo mais conhecido é a quimioterapia do câncer 7,10, mas não é o único: a ciclofosfamida usada em doença autoimune grave, como a nefrite lúpica e algumas vasculites, é o mesmo agente e faz o mesmo estrago no ovário 11. O que o CFM está dizendo não é que a técnica não funciona. É que usá-la em mulher saudável para empurrar a menopausa para frente é outra pergunta, e essa pergunta ainda não tem resposta.

O que exatamente o CFM disse

A nota se apoia no Parecer CFM nº 5/2021 e faz uma distinção que vale a pena ler devagar 14. A criopreservação e o transplante autólogo de tecido ovariano podem ser usados, sim, quando a finalidade é preservar as funções reprodutiva e endócrina, mas devem ser utilizados experimentalmente, dentro de protocolos de pesquisa autorizados pelo sistema CEP/Conep. Já o uso para adiar a menopausa natural não está estabelecido na prática clínica.

Traduzindo o que isso significa para quem está do outro lado do balcão: se uma clínica oferecer o procedimento com a promessa de atrasar a sua menopausa, ela está oferecendo algo que o conselho da minha categoria acabou de dizer que não está estabelecido na prática clínica. Não é uma questão de opinião entre médicos. É a régua regulatória do país.

Como a ideia funciona, e por que ela é biologicamente plausível

A lógica por trás da proposta é elegante, e é justamente por isso que ela convence tão rápido. A mulher nasce com um número finito de folículos primordiais, as estruturas microscópicas que contêm os óvulos, e esse estoque só diminui ao longo da vida. A menopausa acontece quando esse estoque cai abaixo de um limiar e o ovário deixa de produzir hormônio em quantidade suficiente.

O córtex do ovário, que é a camada mais externa, é onde os folículos primordiais ficam concentrados. O procedimento consiste em retirar por videolaparoscopia uma lâmina fina desse córtex, ainda em idade jovem, congelá-la, e recolocá-la no corpo anos depois, quando o ovário já estiver falhando 7. Se aquela fatia foi congelada aos 25 anos, os folículos dentro dela pararam no tempo: não envelheceram junto com o resto do corpo. Ao voltar, teoricamente, ela repõe estoque que já tinha acabado 5,6.

Na minha leitura, o problema nunca esteve na biologia da ideia. Ela é coerente. O problema está no salto silencioso entre "isso deveria funcionar" e "isso funciona", que é onde a medicina costuma tropeçar.

De onde vem a promessa de adiar 10 ou 20 anos

O número que circula na imprensa tem origem identificável. Em 2024, um grupo de pesquisadores norte-americanos construiu um modelo estatístico de perda folicular para estimar quantos anos de menopausa seriam ganhos com o procedimento 1. O resultado, para uma mulher de 25 anos com reserva ovariana mediana que congelasse 25% do próprio córtex: um adiamento estimado de aproximadamente 11,8 anos se 40% dos folículos sobreviverem ao transplante, subindo para 15,5 anos se a sobrevivência for de 80%.

Os autores foram além. Se em vez de recolocar todo o tecido de uma vez ele for fracionado em 3 ou 6 transplantes sucessivos, o adiamento projetado sobe para 23 ou 31 anos, e chega a 47 anos quando a sobrevivência folicular considerada é de 80%. São os números que viraram manchete.

Aqui está a informação que quase nunca acompanha a manchete, e ela está escrita no próprio trabalho: isso é uma projeção matemática construída a partir de taxas conhecidas de perda folicular, não a observação de mulheres que fizeram o procedimento e chegaram à menopausa mais tarde. O próprio estudo se apresenta como modelo de viabilidade. Nenhum estudo clínico avaliou até hoje a modificação da idade da menopausa depois do procedimento num grupo de mulheres saudáveis 3,6.

O modelo de 2026 que chegou a outra conclusão

Em julho deste ano, um grupo independente publicou um segundo modelo estocástico do mesmo processo, e o resultado é bem mais sóbrio 2. A conclusão, na frase dos próprios autores, é que a menopausa pode vir mais cedo, na mesma época, ou mais tarde em comparação com o cenário sem retirada e sem recolocação de tecido. O desfecho depende de três variáveis: a fração de tecido enxertada, quanto dela sobrevive ao transplante e o momento em que ela é devolvida ao corpo.

Repare no que esse "mais cedo" significa na prática, porque é a parte que some quando o assunto vira notícia. Retirar 25% do córtex de um ovário saudável é subtrair folículos do estoque agora, com certeza, em troca de uma devolução parcial e incerta depois. Se a sobrevivência do enxerto for baixa, ou se ele for recolocado tarde demais, a conta pode fechar no vermelho e a menopausa chegar antes do que chegaria sem intervenção nenhuma.

Como eu leio isso na prática: quando dois modelos matemáticos do mesmo fenômeno discordam quanto à direção do efeito, e não apenas quanto ao tamanho dele, o que existe ali é incerteza genuína, não controvérsia de detalhe. Esse é o tipo de situação em que a frase honesta é "ainda não sabemos", e ela não é uma resposta preguiçosa.

Quanto tempo o tecido transplantado realmente dura

Esta é a limitação prática que decide o assunto, e é onde a evidência de verdade existe, porque vem de mulheres que fizeram o procedimento por indicação oncológica.

A metanálise mais recente sobre desfechos em cânceres ginecológicos reuniu 23 estudos e encontrou o seguinte: entre as mulheres que receberam o tecido de volta, a função endócrina do ovário foi restaurada em 78,1% dos casos, e a duração mediana do enxerto foi de 32 meses 4. Ou seja, o transplante costuma funcionar, e costuma parar de funcionar em cerca de 3 anos.

A razão dessa vida curta é conhecida. O fragmento de córtex volta para o corpo sem ligação vascular própria e depende de os vasos crescerem até ele, o que leva tempo. Nesse intervalo de pouca oxigenação morre uma parte substancial dos folículos, e esse dano é maior que o dano do congelamento em si 7. É por isso que sustentar um adiamento longo exigiria congelar bastante tecido e repetir o procedimento cirúrgico várias vezes ao longo da vida, que é exatamente a premissa do modelo otimista 1,3.

Há ainda uma pergunta que a literatura declara em aberto e que me interessa particularmente como endocrinologista: não se sabe se o tecido enxertado devolve uma secreção hormonal pulsátil normal, com o mesmo padrão de retroalimentação da fase reprodutiva 3. Produzir hormônio e produzir hormônio no ritmo certo não são a mesma coisa.

O que ninguém comparou: tecido ovariano contra reposição hormonal

Existe uma lacuna na literatura que, sozinha, deveria bastar para segurar a conversa. Até hoje não foi publicado nenhum estudo de coorte ou comparativo avaliando o transplante de tecido ovariano como alternativa à terapia hormonal da menopausa, e portanto não há evidência de que ele seja superior à terapia hormonal em eficácia ou em segurança 3.

Isso importa porque o problema que o procedimento se propõe a resolver, a queda hormonal da menopausa e suas consequências, já tem um tratamento estabelecido, estudado por décadas, sem cirurgia e com perfil de risco bem descrito. As diretrizes brasileiras sobre saúde cardiovascular no climatério e na menopausa, elaboradas em conjunto por FEBRASGO, SBC e SOBRAC, orientam que a terapia hormonal iniciada nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos tem efeito favorável do ponto de vista cardiovascular em mulheres saudáveis, e que iniciar depois dessa janela, como regra geral, não é recomendado 15.

Ao meu ver, é um erro supor que a reposição hormonal seria o caminho arriscado e o procedimento cirúrgico seria o caminho natural. A palavra natural faz muito trabalho pesado aqui. Duas cirurgias com anestesia, separadas por 15 ou 20 anos, para devolver uma produção hormonal que um tratamento sem cirurgia já repõe, não são obviamente a opção mais conservadora das duas.

Os riscos que entram na conta

São três blocos, e eles pesam de forma diferente conforme quem está perguntando.

O primeiro é cirúrgico e vale para todo mundo: são duas operações, a retirada e depois a recolocação, cada uma com os riscos habituais de uma videolaparoscopia, incluindo sangramento, infecção, lesão de órgão e os riscos da anestesia. É um risco pequeno por procedimento, mas ele entra na conta duas vezes, e entra num corpo que não tem doença nenhuma.

O segundo é a perda do enxerto. O tecido pode simplesmente não pegar, e nesse caso as duas cirurgias terão acontecido sem nenhum retorno hormonal, o que faz parte do risco assumido em qualquer transplante que dependa de os vasos crescerem até ele 7.

O terceiro é oncológico, e é o que mais gera confusão: o risco de devolver ao corpo células malignas junto com o tecido. Ele se aplica a quem congelou tecido durante uma doença oncológica, não à mulher saudável que congela o próprio tecido de forma eletiva 3,9. Esse risco varia muito conforme o tipo de câncer, sendo particularmente relevante nas leucemias, em que células malignas já foram repetidamente detectadas no tecido criopreservado e o transplante é objeto de cautela específica na literatura 8.

Para quem o congelamento de ovário É indicado hoje

Nada do que está acima diminui o valor real dessa tecnologia, e seria uma leitura errada do artigo sair daqui achando que congelar tecido ovariano é sempre má ideia.

A indicação estabelecida é a preservação da fertilidade e da função ovariana diante de tratamento gonadotóxico 7. Ela é especialmente importante para meninas que ainda não entraram na puberdade e para mulheres que precisam começar o tratamento oncológico ou autoimune, como a nefrite lúpica, imediatamente 7. Nesses cenários, a técnica é a única porta disponível, e existe diretriz internacional dedicada à preservação de fertilidade em meninas e mulheres jovens com câncer, que orienta a avaliação de risco e os métodos disponíveis 10.

A parte autoimune merece número, porque ela some do debate e atinge mulheres jovens em plena idade fértil. Numa metanálise de 12 grupos de mulheres com lúpus expostas à ciclofosfamida, 15% desenvolveram insuficiência ovariana precoce, e a idade no momento do tratamento foi o que melhor previu o risco 11. O dado que muda a conduta é a queda ao longo do tempo: a frequência caiu de 29% nos estudos anteriores a 2005 para 9% nos posteriores, acompanhando a adoção dos esquemas de dose baixa 11. E o esquema Euro-Lupus, de dose baixa, não reduziu de forma detectável a reserva ovariana medida pelo hormônio antimulleriano 12. Ou seja, boa parte da proteção da fertilidade aqui vem de escolher o esquema com menos exposição acumulada, que é o que a diretriz internacional de nefrite lúpica orienta para quem tem risco alto de infertilidade 13, e não de congelar tecido. O congelamento entra quando essa margem não existe.

Aqui a conversa muda de natureza por completo. O procedimento deixa de ser uma aposta contra o relógio e passa a ser proteção contra um dano previsível, iminente e severo. É a mesma técnica respondendo a duas perguntas muito diferentes, e o CFM trata cada uma de um jeito: para preservar função reprodutiva e endócrina diante de tratamento gonadotóxico, ela cabe dentro de protocolo de pesquisa aprovado; para adiar a menopausa natural, o uso não está estabelecido na prática clínica 14.

Como essa escolha aparece na consulta

Quando uma paciente traz essa pergunta, a primeira coisa que eu quero entender não é o que ela achou da notícia, e sim o que ela está tentando resolver. As respostas costumam ser diferentes entre si: uma quer engravidar mais tarde, outra tem medo específico dos sintomas da menopausa que viu a mãe enfrentar, outra tem preocupação com osso ou com coração, outra está reagindo a uma ideia geral de envelhecer. Cada uma dessas quatro tem um caminho próprio, e só a primeira, o desejo de engravidar mais tarde, tem relação direta com congelar tecido do ovário.

Quando o desejo é adiar a menopausa em si, eu ponho as opções na mesa com o preço de cada uma. De um lado, um procedimento com duas cirurgias, custo alto e não coberto, efeito de duração mediana medida em torno de 3 anos por enxerto 4, efeito sobre a idade da menopausa não demonstrado em mulher nenhuma até hoje 3, e a possibilidade real, segundo o modelo mais recente, de antecipar aquilo que se queria adiar 2. De outro, um tratamento hormonal que não resolve a passagem do tempo, exige acompanhamento, tem contraindicações que precisam ser avaliadas individualmente e tem uma janela de início que não convém perder 15, mas que trata os sintomas que de fato incomodam, com evidência acumulada.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

Congelar e transplantar tecido do próprio ovário funciona para devolver função hormonal: em mulheres que fizeram o procedimento por câncer ginecológico, a função voltou em 78,1% dos casos 4. O que não está demonstrado é que isso adia a menopausa natural. Os números grandes que circulam, de 11,8 a 15,5 anos e até 47 anos com transplantes repetidos, são projeções de um modelo matemático 1, e um modelo independente publicado este ano concluiu que o resultado pode ser adiantar a menopausa em vez de atrasar 2. Nenhuma mulher saudável foi acompanhada até a menopausa para responder essa pergunta 3,6, e o CFM declarou que o uso com essa finalidade não está estabelecido na prática clínica 14.

Os riscos que entram na conta são duas cirurgias, um enxerto com duração mediana de 32 meses 4 e a possibilidade de subtrair reserva hoje em troca de uma devolução incerta amanhã 2. Contra isso existe um tratamento estabelecido para o problema hormonal da menopausa, que nunca foi comparado ao procedimento em estudo nenhum 3, e que tem janela de início definida em diretriz brasileira 15.

Se você tem indicação oncológica ou autoimune, essa conversa é outra e vale ser feita com urgência, antes de começar o tratamento, porque aí a técnica é a proteção certa na hora certa 7,10. Se você é saudável e está considerando pagar por isso para adiar a menopausa, a frase que eu gostaria que ficasse é esta: hoje você estaria comprando uma hipótese, não um resultado. E se o que te trouxe até aqui foi o medo do que vem pela frente, esse medo merece uma consulta de verdade, porque quase tudo que ele carrega tem manejo.

Procure um endocrinologista ou um ginecologista se os ciclos começaram a mudar de ritmo antes dos 45 anos, se vieram ondas de calor, insônia ou secura vaginal que atrapalham o seu dia, se houve menopausa antes dos 40 anos na sua família, se você já retirou um ovário ou fez cirurgia pélvica, ou se vai iniciar tratamento oncológico e ninguém conversou com você sobre preservar fertilidade, que é a situação mais urgente desta lista. Nada aqui substitui uma avaliação individual, e nenhuma conduta deve ser iniciada ou interrompida pela leitura de um texto na internet.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a avaliação individual. Procedimentos de criopreservação e transplante de tecido ovariano envolvem indicação especializada e, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina considera que o uso para adiar a menopausa natural não está estabelecido na prática clínica.

Se você tem dúvidas sobre menopausa, reserva ovariana ou preservação de fertilidade, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Johnson J, Lawley S, Emerson J, Oktay K. Modeling delay of age at natural menopause with planned tissue cryopreservation and autologous transplantation. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2024;230(4):426.e1-426.e8. doi:10.1016/j.ajog.2023.12.037.
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  2. Lyu Z, Vasnetsov C, Kolomeisky A. Stochastic modeling of ovarian tissue cryopreservation and transplantation. Biophysical Journal. 2026;125(14):3527-3538. doi:10.1016/j.bpj.2026.05.030.
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  3. Kolibianaki E, Goulis D, Kolibianakis E. Ovarian tissue cryopreservation and transplantation to delay menopause: facts and fiction. Maturitas. 2020;142:64-67. doi:10.1016/j.maturitas.2020.07.007.
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  6. Massarotti C, Selmi C, La Marca A. Forever fertile: ovarian tissue cryopreservation for an extended reproductive lifespan. Journal of Assisted Reproduction and Genetics. 2025;42(9):2887-2893. doi:10.1007/s10815-025-03554-x.
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  7. Donnez J, Dolmans M. Fertility Preservation in Women. New England Journal of Medicine. 2017;377(17):1657-1665. doi:10.1056/NEJMra1614676.
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  8. Bastings L, Beerendonk C, Westphal J, Massuger L, Kaal S, van Leeuwen F, et al. Autotransplantation of cryopreserved ovarian tissue in cancer survivors and the risk of reintroducing malignancy: a systematic review. Human Reproduction Update. 2013;19(5):483-506. doi:10.1093/humupd/dmt020.
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  9. Wang L, Chu Y, Xie J, Chen J, Liu Y, Yang S, et al. Safety assessment of autologous ovarian tissue cryopreservation and transplantation in cancer patients: an updated review. Journal of Ovarian Research. 2026;19(1). doi:10.1186/s13048-026-02155-1.
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  10. Mulder R, Font-Gonzalez A, Hudson M, van Santen H, Loeffen E, Burns K, et al. Fertility preservation for female patients with childhood, adolescent, and young adult cancer: recommendations from the PanCareLIFE Consortium and the International Late Effects of Childhood Cancer Guideline Harmonization Group. The Lancet Oncology. 2021;22(2):e45-e56. doi:10.1016/S1470-2045(20)30594-5.
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  11. García-Sáenz M, Ramírez-Rentería C, Espinosa-Cárdenas E, Sosa-Eroza E, Doval-Caballero J, Gete Palacios P, et al. Premature ovarian insufficiency in patients with systemic lupus erythematosus on cyclophosphamide: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Endocrinology. 2026;17. doi:10.3389/fendo.2026.1775060.
    https://doi.org/10.3389/fendo.2026.1775060 · PubMed 42290873
  12. Tamirou F, Husson S, Gruson D, Debiève F, Lauwerys B, Houssiau F. Brief Report: The Euro-Lupus Low-Dose Intravenous Cyclophosphamide Regimen Does Not Impact the Ovarian Reserve, as Measured by Serum Levels of Anti-Mullerian Hormone. Arthritis and Rheumatology. 2017;69(6):1267-1271. doi:10.1002/art.40079.
    https://doi.org/10.1002/art.40079
  13. Rovin B, Ayoub I, Chan T, Liu Z, Mejía-Vilet J, Floege J. KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the management of lupus nephritis. Kidney International. 2024;105(1):S1-S69. doi:10.1016/j.kint.2023.09.002.
    https://doi.org/10.1016/j.kint.2023.09.002
  14. Conselho Federal de Medicina. CFM alerta que transplante de tecido ovariano não adia a menopausa (08/09/2026), com base no Parecer CFM nº 5/2021
    https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-alerta-que-transplante-de-tecido-ovariano-nao-adia-a-menopausa
  15. FEBRASGO, SBC e SOBRAC. Diretrizes Brasileiras sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024)
    https://www.febrasgo.org.br/noticia/febrasgo-apresenta-novas-diretrizes-para-a-terapia-de-reposicao-hormonal-durante-climaterio-e-menopausa/

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Congelar óvulos é a mesma coisa que congelar tecido do ovário?

Não. No congelamento de óvulos a mulher passa por estimulação hormonal e os óvulos são aspirados, um a um, para uso futuro em fertilização. No congelamento de tecido ovariano é retirada por cirurgia uma lâmina do córtex do ovário, a camada onde ficam os folículos, e essa lâmina é depois recolocada no corpo para voltar a funcionar. São procedimentos diferentes, com indicações diferentes: o primeiro busca gravidez futura, o segundo busca devolver a função do ovário. Nenhum dos dois tem a finalidade aprovada de adiar a menopausa natural.

Se eu já tenho tecido congelado por causa de um tratamento de câncer, posso usá-lo para adiar minha menopausa?

Essa é uma conversa para o oncologista e o especialista em reprodução que acompanham o caso, e a resposta muda conforme o tipo de câncer. O tecido guardado durante uma doença oncológica pode carregar células da própria doença, e o risco de reintroduzi-las é o ponto central da decisão, muito mais do que o benefício hormonal. Nas leucemias, por exemplo, a orientação da literatura é de cautela particular com o transplante.

Existe algum exame que diga quando vai ser a minha menopausa?

Não com precisão. Exames de reserva ovariana informam sobre a quantidade de folículos disponíveis num dado momento e ajudam em decisões de fertilidade, mas eles estimam tendência, não marcam data. A idade da menopausa depende de fatores que nenhum exame isolado captura, incluindo herança familiar, tabagismo e cirurgias prévias no ovário.

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