Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial sóbria sobre fundo azul-marinho, com o desenho em linhas finas douradas da estrutura molecular de um hormônio esteroide ao lado de um diagrama abstrato de três pontos conectados em cadeia, representando um eixo de sinalização hormonal. Sem texto, sem pessoas, sem medicamentos, sem embalagens.

Testosterona: quem precisa repor de verdade (e o que o SUS passou a oferecer)

Em resumo: existe uma condição real, com nome e critério, em que o corpo do homem produz testosterona de menos, e nela a reposição é tratamento estabelecido. O que virou moda é outra coisa: usar o hormônio como estimulante de disposição, de músculo ou de libido em quem nunca teve o diagnóstico confirmado. Aí o benefício é pequeno, e existe um efeito que quase ninguém avisa antes: a produção de espermatozoides cai, muitas vezes a zero.

Por Dr. Márcio Gester, Endocrinologista, CRM-PA 14727, RQE 9424. Atualizado em 01/08/2026.

Contexto: o que saiu na mídia

Em junho de 2026, o Ministério da Saúde oficializou a incorporação ao SUS de três apresentações injetáveis de testosterona, além de um adesivo de estradiol para adolescentes do sexo feminino. A indicação não é ampla: é o hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico, situação em que o comando hormonal que sai do cérebro falha por uma causa identificável.

Em julho, uma reportagem do jornal O Liberal levantou o que isso significa em Belém: a Secretaria Municipal de Saúde informou que ainda não dispõe dessas terapias na rede municipal, e o atendimento acontece pela rede estadual, incluindo a unidade de referência materno infantil e do adolescente.

Enquanto o sistema público passa a cobrir uma indicação estreita e bem definida, o uso de testosterona cresce fora dela. Nos Estados Unidos, o consumo triplicou, e boa parte desse crescimento aconteceu em homens com queixas inespecíficas e níveis baixos ou no limite inferior explicáveis pela idade ou pelo peso, muitos deles sem qualquer exame antes de começar6.

Uma curiosidade de fisiologia que explica quase tudo o que vem depois

Dentro do testículo, a concentração de testosterona é cerca de cem vezes maior do que a que circula no sangue1,2. Essa concentração altíssima, local, é o que sustenta a produção de espermatozoides.

Quem comanda isso é o cérebro. O hipotálamo e a hipófise mandam sinais para o testículo produzir hormônio, e o testículo responde. Quando chega testosterona de fora, vinda de uma injeção ou de um gel, o cérebro entende que já tem o suficiente e desliga o comando. O nível no sangue fica bom, e é isso que aparece no exame. Mas a fábrica interna do testículo para, a concentração local despenca, e a produção de espermatozoides cai junto.

A reposição é, portanto, um tratamento com consequências, e não um suplemento de disposição. E a pergunta sobre ter filhos precisa vir antes da primeira aplicação, não depois.

O que é falta de testosterona de verdade

O diagnóstico tem duas pernas, e as duas precisam existir ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e nível de testosterona comprovadamente baixo em dosagem repetida3,4.

Os sintomas mais específicos são a queda do desejo sexual, dificuldade de ereção, redução de pelos corporais, aumento de tecido mamário, testículos pequenos e ondas de calor. Os inespecíficos são cansaço, humor deprimido, dificuldade de concentração, perda de massa muscular e de força2,3. O problema dos inespecíficos é que praticamente toda a população adulta os apresenta em algum momento, por dezenas de motivos que não têm nada a ver com hormônio.

Existe uma divisão que muda tudo na conduta2,3:

Como o diagnóstico se confirma no Brasil

Em 2026, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Sociedade Brasileira de Urologia e a Associação Brasileira para o Estudo da Medicina Sexual publicaram um posicionamento conjunto sobre o assunto4. Ele é bastante concreto sobre como o exame deve ser feito:

O horário e o jejum não são detalhe burocrático. A testosterona tem um ritmo ao longo do dia, mais alta de manhã, e o valor colhido em jejum sai de 10 a 20% mais alto do que o colhido depois de comer3,4. Uma coleta à tarde, depois do almoço, pode transformar um homem normal num paciente.

Os limites variam entre os documentos, o que ajuda a explicar por que dois médicos podem ler o mesmo resultado de forma diferente. O maior estudo de segurança já feito com testosterona usou 300 ng/dL como critério de entrada8; o documento brasileiro preferiu marcar uma faixa intermediária em vez de um número único, justamente para não rotular como doente quem está na fronteira4.

A cena que mais se repete no consultório é justamente essa: o homem chega com uma única dosagem, feita de tarde, muitas vezes solicitada por ele mesmo ou por alguém que não é médico, já convencido de que precisa repor. Quase sempre o primeiro passo não é começar hormônio, é refazer o exame direito. Uma parte relevante dos casos se resolve aí.

Depois da confirmação, o exame que separa as duas situações é a dosagem dos hormônios que o cérebro envia ao testículo (LH e FSH, os comandos da hipófise): elevados apontam problema no próprio testículo, baixos ou inapropriadamente normais apontam problema no comando central, que é justamente o quadro que o SUS passou a cobrir3. Antes de iniciar qualquer tratamento entram ainda o hematócrito, que mede o quanto o sangue está concentrado, e a avaliação da próstata em quem tem 40 anos ou mais5.

Quando a testosterona baixa é consequência do peso

Essa é a situação mais comum de todas, e a mais mal conduzida. O excesso de gordura corporal reduz a testosterona por mecanismo próprio, e o quadro tem até nome na literatura: hipogonadismo secundário à obesidade masculina4.

O posicionamento brasileiro é direto: nesses homens, mudança de estilo de vida e perda de peso são a primeira linha de tratamento, com o grau mais forte de recomendação4. E vai além, dizendo que a reposição de testosterona não deve ser feita com o objetivo isolado de controlar a glicemia, emagrecer ou reduzir risco cardiovascular.

A perda de peso, seja pelo método que for, ajuda a recuperar o nível hormonal. Quando o homem emagrece de forma consistente e a testosterona não sobe, isso levanta a suspeita de uma causa orgânica por trás, que passou despercebida4.

Esse é o ajuste que eu mais faço em consulta sobre este tema. O paciente chega esperando sair com a receita do hormônio e a conversa acaba indo para sono, álcool, composição corporal e remédio de uso contínuo. Não é evasiva nem enrolação: é que tratar a causa costuma resolver o número, e o caminho inverso não resolve a causa.

O que a reposição entrega, e para quem

Em quem tem hipogonadismo orgânico, a testosterona é a reposição do que falta, com efeitos bem documentados: desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculinas, recuperação da libido e da função sexual, ganho de massa e de força muscular, aumento da densidade dos ossos, correção de anemia5.

Quando o mesmo tratamento é testado em homens com testosterona baixa atribuída à idade, o resultado é bem mais modesto. A revisão que embasou a diretriz da Endocrine Society, feita em homens com sintomas e nível abaixo de 300 ng/dL, encontrou melhoras pequenas, ainda que reais, no desejo sexual, na função erétil, na frequência de atividade sexual e na satisfação, e nenhum efeito sobre energia ou humor5. Os documentos do Colégio Americano de Médicos chegaram à mesma leitura e recomendam que, nesse cenário, a discussão seja individual, focada na queixa sexual, e não uma prescrição de rotina6,7.

Como eu leio isso na prática: quanto mais fundo o buraco, mais previsível a resposta. Homem com nível muito baixo e causa identificada melhora de forma clara. Homem com nível no limite inferior, sintomas vagos e vida desregulada raramente encontra na testosterona o que estava procurando, e é comum que a frustração apareça alguns meses depois, quando o efeito inicial de novidade passa.

Coração: o que o maior estudo de segurança mostrou

Durante anos a dúvida sobre risco cardiovascular pairou sobre esse tratamento. Em 2023 saiu o estudo desenhado para responder isso: 5.246 homens de 45 a 80 anos, todos com sintomas e duas dosagens matinais abaixo de 300 ng/dL, todos com doença cardiovascular já estabelecida ou risco alto. Metade recebeu testosterona em gel, metade recebeu um gel sem efeito, e ninguém sabia quem estava em qual grupo8.

O resultado principal foi tranquilizador: eventos cardíacos graves aconteceram em 7,0% do grupo da testosterona e em 7,3% do grupo do gel sem efeito. Morte por qualquer causa também ficou igual, 5,5% contra 5,7%8.

Sinais de alerta apareceram em desfechos secundários: coágulo no pulmão em 24 homens do grupo da testosterona contra 12 do outro grupo, além de mais casos de arritmia cardíaca e de perda aguda de função dos rins8.

Esse estudo também tem limites claros. Ele usou gel na pele, com dose ajustada para manter o nível dentro da faixa normal, e acompanhamento médio de menos de dois anos. Não fala, portanto, sobre doses altas, sobre uso de injetáveis em esquema de academia, nem sobre décadas de uso8.

As leituras divergem a partir daí. A Androgen Society, entidade dedicada ao tema, considera que o conjunto da evidência já permite afirmar que a reposição não aumenta infarto, derrame ou morte cardiovascular9, posição reforçada por uma revisão de 2026 que juntou 41 estudos e mais de 11 mil participantes, sem encontrar aumento desses eventos10. Já os autores do estudo original e as revisões mais recentes preferem manter a ressalva sobre coágulos, especialmente em quem já teve trombose antes1,8. As duas leituras olham para os mesmos dados: uma enfatiza o que foi descartado, a outra o que ficou em aberto.

Fertilidade: o efeito que mais me preocupa em quem usa por conta própria

A testosterona de fora desliga o comando do cérebro, a concentração dentro do testículo despenca, e a produção de espermatozoides cai. Não é efeito colateral raro, é o efeito esperado. A supressão chega ao nível de um método contraceptivo, e com frequência a contagem de espermatozoides vai a zero1,5.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, isso volta. A má é que demora, e o tempo é bastante variável. Na análise que reuniu 1.549 homens que usaram testosterona como contraceptivo masculino em estudos, o tempo médio para recuperar uma contagem considerada adequada foi de 3,4 meses, com 67% recuperados em 6 meses, 90% em 12 meses, 96% em 16 meses e praticamente todos em 24 meses11.

Esses números vêm de homens saudáveis, com dose controlada e uso supervisionado por tempo definido, situação bem diferente do uso por conta própria, em dose alta e por anos. E "tempo médio" quer dizer que metade dos homens demorou mais do que isso.

Por isso o posicionamento brasileiro coloca o desejo de ter filhos no curto prazo como contraindicação absoluta à reposição, e recomenda avaliação reprodutiva antes de iniciar o tratamento em quem tem interesse em fertilidade4. Quando existe esse desejo, o caminho é outro: em vez de dar o hormônio pronto, usam-se medicamentos que estimulam o próprio testículo a produzir, como as gonadotrofinas e os moduladores do receptor de estrogênio4.

A pergunta que eu faço em toda consulta sobre esse assunto, antes de qualquer discussão de dose ou de apresentação, é simples: você pretende ter filhos nos próximos anos? A resposta muda completamente o plano, e é a informação que mais frequentemente ninguém tinha dado ao paciente que já vinha usando.

Os outros efeitos que exigem acompanhamento

O mais comum é o sangue ficar concentrado demais, o que aumenta o risco de trombose. Por isso o hematócrito é medido antes de começar, novamente entre três e seis meses, e depois pelo menos uma vez por ano5. Valor acima de 48 a 50% antes do tratamento já é motivo para investigar em vez de iniciar5.

Sobre a próstata, câncer ativo ou suspeito é contraindicação absoluta4. A reposição não é hoje considerada causa de câncer de próstata, mas ela eleva o PSA, o exame de sangue usado no rastreamento da próstata, e com isso aumenta a chance de biópsias e de detecção de tumores que talvez nunca viessem a causar problema1. Acompanhar é obrigatório, e o exagero no rastreio também tem custo.

Completam a lista de contraindicações absolutas no documento brasileiro o câncer de mama masculino e o já citado desejo reprodutivo de curto prazo4.

O que levar desta leitura

Testosterona baixa comprovada, com causa identificada, é doença, e tem tratamento eficaz que agora o SUS cobre para uma parte desses pacientes. Cansaço aos 45 anos com uma dosagem colhida à tarde não é diagnóstico. Entre uma coisa e outra existe um exame bem feito, repetido, e uma investigação de por que o número está baixo, que muitas vezes aponta para o peso, o sono ou um remédio de uso contínuo, e não para a glândula. Reposição sem esse percurso troca um problema por outro, e o mais silencioso deles é a fertilidade.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação se você se encaixa em alguma destas situações: perda persistente do desejo sexual ou dificuldade de ereção que não melhora; redução de pelos do corpo, aumento de tecido mamário ou testículos que diminuíram de tamanho; puberdade que não começou ou não avançou, no caso de adolescentes; diagnóstico de doença da hipófise ou do hipotálamo, ou antecedente de cirurgia, radioterapia ou trauma nessa região; uso contínuo de opioide ou de corticoide; obesidade com queixas de disposição e de desempenho sexual; resultado de testosterona baixo colhido uma única vez, principalmente fora do horário da manhã; ou uso de testosterona por conta própria, sobretudo se você pretende ter filhos ou nunca teve hematócrito e próstata acompanhados. Nada do que está escrito aqui substitui essa consulta: o texto explica o que os estudos mostram na média das pessoas, e decidir se você precisa investigar, repor, em que dose e por quanto tempo depende do seu caso, dos seus exames e da sua história.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico individualizado. As apresentações, os pontos de corte laboratoriais e os esquemas citados aqui vêm de diretrizes e estudos científicos e não valem como prescrição: quem define se você precisa investigar, repor e de que forma é o médico que conhece o seu caso.

Se você tem sintomas de deficiência hormonal masculina, recebeu um resultado de testosterona alterado ou já vem usando o hormônio por conta própria, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Bhasin S, Snyder P. Testosterone Treatment in Middle-Aged and Older Men with Hypogonadism. New England Journal of Medicine. 2025;393(6):581-591. doi:10.1056/NEJMra2404637.
    https://doi.org/10.1056/NEJMra2404637 · PubMed 40768717
  2. De Silva N, Papanikolaou N, Grossmann M, Antonio L, Quinton R, Anawalt B, et al. Male hypogonadism: pathogenesis, diagnosis, and management. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2024;12(10):761-774. doi:10.1016/S2213-8587(24)00199-2.
    https://doi.org/10.1016/S2213-8587(24)00199-2 · PubMed 39159641
  3. Anawalt B, O'Connor K, Grossmann M. Adult Male Hypogonadism. JAMA. 2026;335(24):2146. doi:10.1001/jama.2026.8526.
    https://doi.org/10.1001/jama.2026.8526 · PubMed 42207626
  4. Hohl A, Lopes L, Ronsoni M, Miranda E, Fighera T, Facio F, et al. Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), the Brazilian Society of Urology (SBU), and the Brazilian Association for Sexual Medicine and Health (ABEMSS). International Braz J Urol. 2026;52(3):e20250610. doi:10.1590/S1677-5538.IBJU.2025.0610.
    https://doi.org/10.1590/S1677-5538.IBJU.2025.0610 · PubMed 41678706
  5. Bhasin S, Brito J, Cunningham G, Hayes F, Hodis H, Matsumoto A, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2018;103(5):1715-1744. doi:10.1210/jc.2018-00229.
    https://doi.org/10.1210/jc.2018-00229 · PubMed 29562364
  6. Diem S, Greer N, MacDonald R, McKenzie L, Dahm P, Ercan-Fang N, et al. Efficacy and Safety of Testosterone Treatment in Men: An Evidence Report for a Clinical Practice Guideline by the American College of Physicians. Annals of Internal Medicine. 2020;172(2):105-118. doi:10.7326/M19-0830.
    https://doi.org/10.7326/M19-0830 · PubMed 31905375
  7. Qaseem A, Horwitch C, Vijan S, Etxeandia-Ikobaltzeta I, Kansagara D. Testosterone Treatment in Adult Men With Age-Related Low Testosterone: A Clinical Guideline From the American College of Physicians. Annals of Internal Medicine. 2020;172(2):126-133. doi:10.7326/M19-0882.
    https://doi.org/10.7326/M19-0882 · PubMed 31905405
  8. Lincoff A, Bhasin S, Flevaris P, Mitchell L, Basaria S, Boden W, et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. New England Journal of Medicine. 2023;389(2):107-117. doi:10.1056/NEJMoa2215025.
    https://doi.org/10.1056/NEJMoa2215025 · PubMed 37326322
  9. Morgentaler A, Dhindsa S, Dobs A, Hackett G, Jones T, Kloner R, et al. Androgen Society Position Paper on Cardiovascular Risk With Testosterone Therapy. Mayo Clinic Proceedings. 2024;99(11):1785-1801. doi:10.1016/j.mayocp.2024.08.008.
    https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2024.08.008 · PubMed 39436329
  10. García-Becerra C, Arias-Gallardo M, Juárez-García J, Soltero-Molinar V, Parra-Camaño L, Rivera-Rocha M, et al. Cardiovascular and prostate cancer risk associated to testosterone replacement therapy: a systematic review and meta-analysis of 41 randomized controlled trials. International Journal of Impotence Research. 2026. doi:10.1038/s41443-026-01237-4.
    https://doi.org/10.1038/s41443-026-01237-4 · PubMed 41673435
  11. Liu P, Swerdloff R, Christenson P, Handelsman D, Wang C. Rate, extent, and modifiers of spermatogenic recovery after hormonal male contraception: an integrated analysis. The Lancet. 2006;367(9520):1412-1420. doi:10.1016/S0140-6736(06)68614-5.
    https://doi.org/10.1016/S0140-6736(06)68614-5 · PubMed 16650651
  12. Conitec, relatório de recomendação sobre testosterona injetável para homens e adolescentes com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico (2026)
    https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2026/relatorio-de-recomendacao-no-2-001-uso-da-testosterona-injetavel-homens-e-adolescentes/@@display-file/file
  13. Conselho Federal de Farmácia, nota sobre a oferta de testosterona no SUS (17/06/2026)
    https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/17/06/2026/sus-passa-a-oferecer-testosterona-para-pacientes-com-hipogonadismo-hipogonadotrofico-organico
  14. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
    https://www.endocrino.org.br/
  15. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)
    https://portaldaurologia.org.br/

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Um amigo meu toma testosterona e diz que se sente muito melhor. Preciso mesmo fazer exame antes de começar?

Precisa, e o exame é mais exigente do que a maioria imagina. Cansaço, queda de disposição, dificuldade de concentração e redução do desempenho sexual são queixas comuns que aparecem em dezenas de situações diferentes: sono ruim, depressão, excesso de peso, tireoide, anemia, uso de certos remédios. Nenhuma delas, sozinha, prova falta de testosterona. Por isso o diagnóstico exige duas dosagens de sangue colhidas de manhã, em jejum, em dias diferentes, e ainda a investigação de por que o nível está baixo. Começar hormônio sem essa etapa tem dois problemas: você pode tratar uma coisa que não é o seu problema, e passa a carregar os efeitos de um tratamento que não precisava, incluindo a queda na produção de espermatozoides.

Minha testosterona veio baixa e eu estou acima do peso. Reponho o hormônio ou emagreço primeiro?

Na maioria das vezes a ordem correta é tratar o peso primeiro. O excesso de gordura corporal reduz a testosterona por um mecanismo próprio, e isso costuma melhorar quando o peso cai, sem hormônio nenhum. As sociedades brasileiras colocam mudança de estilo de vida e perda de peso como primeira conduta nesse cenário, e não recomendam repor testosterona apenas para emagrecer, melhorar a glicemia ou reduzir risco cardiovascular. E se você perde peso de forma consistente e a testosterona não sobe, isso levanta a suspeita de que existe uma causa própria por trás, que merece ser investigada.

Reposição de testosterona faz mal ao coração ou causa câncer de próstata?

Sobre o coração, o maior estudo já feito acompanhou mais de 5 mil homens de meia-idade e idosos que já tinham doença cardiovascular ou risco alto, e não encontrou aumento de infarto, derrame ou morte por causa cardíaca. Ele encontrou, porém, mais casos de coágulo no pulmão, de arritmia e de perda de função dos rins no grupo que usou o hormônio, e isso não é ignorado por ninguém que acompanha o assunto. Sobre a próstata, o câncer de próstata ativo ou suspeito é contraindicação absoluta ao tratamento, e por isso a avaliação da próstata entra na rotina antes de começar e durante o acompanhamento em quem tem 40 anos ou mais. A leitura honesta é que a reposição, feita com indicação correta e monitorada, não é o vilão que já se pintou, e também não é isenta de risco.

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