
Testosterona para ganhar músculo: o que ela faz com o coração
Em resumo: repor um hormônio que falta e acrescentar um hormônio que não falta são coisas diferentes, e a diferença aparece no coração. No maior acompanhamento já feito, com 1.189 homens flagrados em programas antidoping e seguidos por onze anos, a doença do músculo cardíaco apareceu 790% acima do esperado para a mesma idade, a insuficiência cardíaca 263% acima e o infarto 200% acima 1. A reposição em dose fisiológica, em quem tem deficiência comprovada, não mostra esse aumento 9. Depois que a pessoa para, a força de contração tende a voltar 3, mas a circulação fina do coração continua prejudicada anos depois 7 e a fertilidade leva perto de um ano para se recuperar, quando se recupera 8. No Brasil o uso estético é vedado pela Resolução CFM nº 2.333/2023 10, e os moduladores seletivos do receptor androgênico, os SARMs, estão proibidos para qualquer indicação 10.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 22/08/2026
Já escrevi aqui sobre quem precisa repor testosterona de verdade e como esse diagnóstico se confirma. Este texto trata de outro grupo de pessoas e de outro problema: homens jovens e saudáveis que usam testosterona ou anabolizantes para ganhar massa muscular, melhorar o desempenho ou se sentir mais dispostos.
O que saiu na mídia
Reportagens da imprensa brasileira voltaram em agosto de 2026 ao uso de testosterona por homens jovens fora de qualquer indicação médica, com ênfase no risco cardiovascular: infarto, arritmia, trombose. Durante anos a conversa pública sobre anabolizantes girou em torno de acne, agressividade e fígado. O que a literatura dos últimos anos acrescentou foi o coração, com uma qualidade de evidência que antes não existia. Uma frase que circulou está certa e é contraintuitiva: exames normais não significam ausência de risco.
Por que o corpo desliga a própria produção
A testosterona do homem é produzida no testículo, mas quem manda produzir é o cérebro. A hipófise, uma glândula do tamanho de um grão de ervilha na base do crânio, libera hormônios que dão a ordem ao testículo. E esse sistema funciona como um termostato: quando o cérebro percebe testosterona alta circulando, ele reduz a ordem.
O termostato não pergunta de onde veio o hormônio. Testosterona aplicada por fora é lida exatamente como testosterona própria. Em doses altas, o cérebro simplesmente para de mandar o recado, e o testículo para de produzir, a supressão gonadal que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia descreve entre os efeitos do abuso 12. É por isso que o exame de sangue durante o uso mostra testosterona alta ou normal enquanto a produção natural está desligada: o número no papel é o que foi injetado, não o que o corpo fez.
Esse detalhe explica de uma vez o testículo que diminui de tamanho, a fertilidade que cai e o exame normal no meio do ciclo que não tranquiliza ninguém.
O que o maior estudo já feito encontrou no coração
O trabalho mais robusto saiu na revista Circulation em 2025. Pesquisadores dinamarqueses partiram de 1.189 homens que foram flagrados em programas antidoping de academias entre 2006 e 2018, e compararam cada um deles com 50 homens da população geral da mesma idade, num grupo de comparação de 59.450 pessoas. Depois acompanharam todo mundo pelos registros nacionais de saúde por, em média, onze anos 1.
Os resultados, comparados com homens da mesma idade que não usaram:
| Desfecho | Risco em quem usou |
|---|---|
| Miocardiopatia (doença do músculo cardíaco) | 790% acima |
| Insuficiência cardíaca | 263% acima |
| Infarto do miocárdio | 200% acima |
| Necessidade de desobstruir ou desviar artérias do coração | 195% acima |
| Trombose venosa | 142% acima |
| Arritmias | 126% acima |
Os percentuais são a diferença de risco entre usuários e não usuários da mesma idade, ao longo de onze anos de seguimento 1.
Duas ressalvas honestas sobre esse estudo. A primeira é que o grupo estudado foi identificado por flagrante antidoping, o que significa pessoas com uso o bastante para serem pegas, e não o usuário eventual. A segunda é que acidente vascular cerebral e parada cardíaca apareceram no estudo em número pequeno demais para gerar resultado confiável, e os autores não os reportaram 1. Manchete que fale em derrame não se apoia nesse estudo.
O contraste importa: revisões da reposição em doses fisiológicas, feita em homens com deficiência diagnosticada, não encontram esse aumento de eventos cardiovasculares 9. O problema não é a molécula. É a dose e a ausência de indicação.
O coração cresce por fora e enfraquece por dentro
O músculo cardíaco responde ao estímulo androgênico crescendo, e esse crescimento não é o mesmo do coração de atleta: a parede engrossa e a capacidade de contrair e relaxar piora.
Um estudo dinamarquês de 2025 mediu isso diretamente em 164 praticantes de musculação, comparando usuários atuais, ex-usuários e não usuários. Quanto maior o tempo acumulado de uso ao longo da vida, pior a função de contração dos dois ventrículos, as câmaras que empurram o sangue para fora do coração. E entre os que somavam mais de cinco anos de uso, 35 dos 36 tinham massa cardíaca acima e capacidade de bombeamento abaixo do ponto médio da faixa considerada normal 2.
Vale ler esse mesmo estudo com honestidade, porque ele tem um resultado nulo que costuma ser omitido. Na comparação simples entre os três grupos, a quantidade de placas nas artérias do pescoço e das pernas e o escore de cálcio nas coronárias não diferiram: a mediana do escore de cálcio foi zero em todos os grupos 2. A associação com aterosclerose apareceu quando se olhou para o tempo acumulado de uso, não para o rótulo de usuário. É uma diferença que muda a mensagem: o dano parece ser de dose e de tempo, e não um carimbo que se ganha na primeira aplicação.
Artérias que não relaxam e sangue que engrossa
Uma artéria saudável se dilata quando o fluxo aumenta, e a perda dessa capacidade é um dos primeiros sinais de que a parede do vaso não está bem, muito antes de existir entupimento. Pesquisadores noruegueses mediram isso em 123 homens, e o desenho é o que dá força ao achado: os 56 usuários foram comparados com 67 levantadores de peso que não usavam, e não com pessoas sedentárias. Mesmo assim, a dilatação das artérias e a reatividade da carótida foram significativamente piores entre os usuários 4. Treinar pesado não explicava a diferença.
Ao mesmo tempo, doses altas de andrógenos aumentam a produção de glóbulos vermelhos. O sangue fica mais espesso e escoa pior. Quando o hematócrito, que é a fração do sangue ocupada por células, chega a 52% ou mais, o risco de eventos cardiovasculares graves e de trombose sobe de forma independente já no primeiro ano 5. E o aumento de trombose venosa aparece mesmo em homens que não tinham deficiência de testosterona, com sinal possivelmente mais forte nos mais jovens 6.
É daí que vem a frase sobre exames normais. Os exames que costumam ser feitos por conta própria, testosterona e talvez fígado, não medem nada disso. Hematócrito, pressão arterial e função do coração medem, e raramente estão na lista de quem se automedica.
O que volta e o que não volta quando se para
A resposta honesta depende do quê. O que se recupera bem é a função de bombeamento do coração. Trabalhos com ex-usuários mostram que a capacidade de contração global tende a voltar aos níveis de quem nunca usou depois de alguns meses a um ano e meio sem uso 3.
O que não acompanha essa recuperação é a circulação mais fina. Um estudo com tomografia cardíaca comparou 32 usuários atuais, 31 ex-usuários e 27 controles, todos praticantes de musculação, com média de 35 anos. Entre os ex-usuários, que estavam em média havia um ano e meio sem usar, o grau leve de comprometimento da irrigação dos menores vasos do coração aparecia em 25,8%, contra 3,7% dos controles. O comprometimento franco, esse sim, melhorou bastante depois de parar: estava em 18,8% dos usuários atuais e em 3,2% dos ex-usuários 7. E entre os ex-usuários, cada vez que a duração acumulada de uso dobrava, a chance do comprometimento leve subia cerca de 110% 7.
Traduzindo: os grandes vasos e a força de contração perdoam. Os vasos microscópicos e a parede espessada guardam a conta. Calcificação em artéria, quando já existe, é estrutura, e estrutura não regride.
Fertilidade: quanto tempo a conta leva para ser paga
O estudo holandês que acompanhou cem atletas amadores desde antes do ciclo até um ano depois do início mediu antes, durante e depois na mesma pessoa 8. Durante o uso, 77% tinham contagem total de espermatozoides abaixo de 40 milhões. Três meses depois do fim do ciclo, a testosterona já havia voltado ao valor de partida na maioria, mas a contagem de espermatozoides continuava muito abaixo do que era antes. Ao fim do seguimento, um ano após o início do ciclo, 11% ainda estavam com testosterona abaixo do normal e 34% ainda tinham contagem abaixo de 40 milhões 8.
Ou seja: o hormônio volta em meses, o espermatozoide leva perto de um ano ou mais, e quanto maior a exposição prévia, mais devagar. A mesma sociedade registra que o abuso prévio de anabolizantes é hoje a causa mais frequente de hipogonadismo em homens jovens, respondendo por 43% dos casos 12.
O que já está decidido no Brasil
A questão não é só científica, é regulatória, e as duas coisas se confundem com frequência na internet. O Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.333, de 30 de março de 2023 10, que trata exclusivamente do uso de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular e de melhora do desempenho esportivo. Ela veda o uso de qualquer formulação de testosterona sem comprovação diagnóstica da deficiência, o uso com finalidade estética, o uso para desempenho esportivo em amadores e profissionais, a prescrição de moduladores seletivos do receptor androgênico, os chamados SARMs, para qualquer indicação, e ainda cursos e publicidade que estimulem essas terapias. No mesmo texto, a resolução reafirma que a reposição hormonal segue indicada quando há deficiência comprovada.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia foi na mesma direção em abril de 2024, num posicionamento 11 que reforça não haver dose segura nem forma de prevenir as complicações do uso indevido, e que registra a preocupação com jovens saudáveis como principal alvo dessa banalização. No posicionamento mais extenso da mesma sociedade 12 estão as ordens de grandeza que ajudam a dimensionar o problema: as doses usadas para estética ficam entre 400% e 1.400% acima das doses clínicas de reposição, e a prevalência de uso chega a 18,4% entre esportistas recreacionais.
O SARM é vendido como a alternativa segura, e é justamente o item que a resolução proíbe para qualquer indicação, pela comercialização suspensa no país. Quem troca a testosterona por SARM achando que trocou o risco pela segurança trocou de substância sem trocar de problema, e ainda perdeu a possibilidade de acompanhamento formal.
Como isso chega na minha consulta
Quem chega ao consultório com essa história raramente chega por causa dela. A pessoa vem por outro motivo, e o uso aparece no meio da conversa, às vezes com constrangimento, às vezes como quem menciona um suplemento qualquer.
O erro mais comum que corrijo não é de caráter, é de leitura: a pessoa fez o exame durante o ciclo, viu testosterona alta, e concluiu que estava tudo certo. É uma conclusão razoável para quem não sabe que aquele número é o hormônio aplicado. Quando explico o termostato, quase sempre o rosto muda, porque a implicação é imediata: se o número não mede nada, o exame que ela vinha fazendo para se tranquilizar nunca teve como tranquilizar.
A pergunta que faço, e que costuma ser mais útil que qualquer sermão, é quanto tempo somado de uso a pessoa já tem na vida inteira. Não a dose atual, não o ciclo em curso: o total acumulado. É esse número que aparece como fator determinante nos estudos de calcificação, de função de contração e de circulação fina 2,7, e é ele que a pessoa nunca somou.
E quando alguém já está usando e quer parar, existe escolha real na mesa, então eu coloco a informação e devolvo a decisão. Parar de uma vez costuma trazer semanas a meses de disposição baixa, humor ruim e libido reduzida, enquanto o eixo religa, e é nesse vale que a maioria recomeça. Reduzir com acompanhamento suaviza esse período, mas prolonga a exposição. Investigar o coração agora dá um retrato do estrago e às vezes muda a urgência da conversa, mas também pode achar algo que vai gerar preocupação por anos numa pessoa de trinta anos. Digo com franqueza o que os números favorecem e digo também o que eles não medem: quanto aquele corpo significa para o trabalho da pessoa, o que ela perde de identidade ao encolher, e quanto ela aguenta se sentir mal por três meses. Isso nenhum estudo mede, e é o que costuma decidir.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
Testosterona é um bom remédio para quem tem falta comprovada dela, e a evidência de segurança cardiovascular da reposição em dose fisiológica é tranquilizadora 9. Ela é outra coisa quando entra em dose alta num corpo que não precisava: no acompanhamento de onze anos, miocardiopatia apareceu 790% acima do esperado, insuficiência cardíaca 263% acima e infarto 200% acima 1. A função de bombeamento tende a voltar depois que se para; a circulação fina do coração e a calcificação, não 3,7. A fertilidade se recupera, mas leva perto de um ano, e um em cada três ainda tinha contagem de espermatozoides abaixo de 40 milhões ao fim do seguimento 8.
O que fazer com cada risco depende de onde você está. Para quem nunca usou, a decisão é a mais simples, e ela se resume a entrar nessa conta sabendo que o ganho estético é real e o custo cardiovascular também. Quem usa há pouco tempo está na janela mais valiosa, porque quase todo o dano descrito aqui depende de tempo somado. Quem usa há anos precisa menos de um alerta e mais de um retrato: pressão, hematócrito, colesterol e ecocardiograma dizem mais que qualquer texto.
A frase que eu gostaria que ficasse é esta: o exame de testosterona alto durante o uso não é um sinal de que está tudo bem, é apenas o eco do que foi injetado. E se você chegou até aqui porque se reconheceu em algum parágrafo, isso não é motivo para vergonha nem para esconder do médico. É exatamente o tipo de conversa para a qual o consultório existe.
Quando procurar um endocrinologista
Procure avaliação se você usa ou já usou testosterona ou anabolizantes fora de indicação médica, especialmente se soma anos de uso; se parou há mais de três meses e continua com disposição baixa, libido reduzida ou humor alterado; se está tentando engravidar e há histórico de uso; se um exame mostrou hematócrito elevado, colesterol alterado ou pressão alta durante o uso; ou se você tem testosterona baixa em exame e quer saber se aquilo é de fato uma deficiência antes de qualquer tratamento. Procure atendimento de urgência diante de dor no peito, falta de ar aos esforços que antes não causavam, palpitação persistente ou inchaço e dor em uma das pernas. Este texto não substitui a consulta, e nada aqui deve ser usado para começar, ajustar ou interromper tratamento por conta própria.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a avaliação individual. Testosterona e esteroides anabolizantes são medicamentos sujeitos a prescrição e controle, e seu uso fora de indicação diagnóstica é vedado pela Resolução CFM nº 2.333/2023.
Se você tem dúvidas sobre testosterona, exames hormonais ou os efeitos do uso de anabolizantes, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
- Windfeld-Mathiasen J, Heerfordt IM, Dalhoff KP, Andersen JT, Andersen MA, Johansson KS, et al. Cardiovascular Disease in Anabolic Androgenic Steroid Users. Circulation. 2025;151(12):828-834. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.124.071117.
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→ https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2023/2333_2023.pdf - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Posicionamento sobre Esteroides Anabolizantes e Similares, 15 de abril de 2024
→ https://www.endocrino.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Comunicado-sobre-Esteroides-Anabolizantes-e-Similares.pdf - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Posicionamento sobre o uso de Esteroides Anabolizantes e similares para fins estéticos ou para ganho de desempenho esportivo
→ https://www.endocrino.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Posicionamento-da-SBEM-Anabolizantes.docx.pdf
Dúvidas dos leitores
Meu exame de testosterona veio baixo. Isso já quer dizer que eu preciso repor?
Não por si só. Testosterona total baixa em um único exame é um achado, não um diagnóstico. Ela oscila ao longo do dia, cai com noites mal dormidas, com excesso de peso, com doença aguda e com uso de alguns remédios, e o valor precisa ser confirmado em nova coleta pela manhã, com o quadro clínico junto. É por isso que a Resolução CFM nº 2.333/2023 exige comprovação diagnóstica da deficiência antes de qualquer formulação de testosterona: sem esse nexo entre o número e o que a pessoa sente, o que existe é um exame alterado, não um hipogonadismo.
Uso há pouco tempo e me sinto bem. Vale fazer algum exame do coração agora?
Sentir-se bem não afasta o que os exames mostram nesse grupo. No estudo com ultrassom de artérias, os usuários eram jovens, treinavam e não tinham sintoma nenhum, e mesmo assim as artérias respondiam pior que as de outros levantadores de peso da mesma idade. O que faz sentido conversar com o seu médico é o conjunto: pressão arterial, hemograma para ver a espessura do sangue, perfil de colesterol e um ecocardiograma se houver tempo de uso acumulado. O objetivo não é assustar, é ter um retrato de onde você está antes de decidir qualquer coisa.
Parei faz seis meses e minha testosterona continua baixa. Isso volta?
Na maioria das pessoas volta, e mais rápido do que se imagina: no estudo holandês que acompanhou usuários do início do ciclo até um ano depois, a testosterona já não diferia do valor inicial três meses após o fim do ciclo. Mas a recuperação não é universal, e ao fim do seguimento 11% ainda estavam abaixo do normal. Quanto mais longa a exposição anterior, mais lenta tende a ser a volta. Seis meses com valor baixo merece avaliação com endocrinologista, e não uma nova aplicação para se sentir melhor, que é justamente o que reinicia o ciclo.
Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.