Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial em linha fina sobre fundo azul-marinho mostrando a silhueta de um relógio de pulso estilizado em azul-claro tênue, com o mostrador vazio no lugar de um número, e ao lado uma gota estilizada em âmbar, desenhada com traço mais firme. Sem pessoas, sem rostos, sem texto e sem marcas de produto.

Relógio que mede glicose sem furar o dedo: por que a Anvisa diz que nenhum é autorizado

Em resumo: a Anvisa afirmou nesta semana que não existem relógios nem anéis inteligentes autorizados no Brasil para medir glicose sem furar a pele, e que a capacidade técnica desses produtos de entregar essa medida ainda não foi comprovada pelos fabricantes 7. A agência americana já tinha ido na mesma direção em fevereiro de 2024, orientando a população a não usar esses aparelhos e apontando o risco concreto: dose de insulina decidida sobre um número falso 9. Não é rigor burocrático. Aparelho que decide dose precisa provar o quanto erra, e essa prova existe para o glicosímetro de ponta de dedo e para o sensor com filamento sob a pele: em centro cirúrgico e terapia intensiva, que estão entre os cenários mais difíceis para qualquer medidor, os sensores contínuos ficaram a 14,2% do valor de referência na mediana dos estudos, com quase 99% das leituras dentro das faixas clinicamente aceitáveis 6. Para os aparelhos de pulso que prometem ler a glicose pela luz, essa avaliação simplesmente não existe, e é isso que a Anvisa chama de capacidade técnica não comprovada 7. O sensor que funciona, aliás, está exatamente agora em disputa para entrar no SUS, o Sistema Único de Saúde 10.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 30/08/2026

O que a Anvisa disse, e o que ela não disse

A comunicação da agência trata de anéis e relógios inteligentes de forma geral, e a frase que interessa a quem tem diabetes é direta: não existem smartwatches nem anéis vestíveis autorizados pela Anvisa para medição não invasiva de glicose ou oximetria, e a capacidade técnica desses produtos de oferecer essas medidas ainda não foi comprovada pelos fabricantes 7.

Há uma distinção regulatória no meio do comunicado que vale entender, porque ela explica por que esses aparelhos circulam. Produto desenvolvido para bem-estar, esporte e lazer não é dispositivo médico e não precisa passar pela Anvisa. Isso cobre passos, sono e frequência cardíaca. A regra muda quando o aparelho se propõe a medir um parâmetro de uso clínico, como glicemia, pressão arterial ou oxigenação: aí a regularização passa a ser obrigatória, e a agência é explícita em dizer que a comprovação de segurança e desempenho precisa vir antes da venda, mesmo quando o fabricante escreve na embalagem que aquilo não serve para diagnóstico 7.

O que a Anvisa não disse: ela não afirmou que relógio é inútil, nem que todo dado dele é ruim. Frequência cardíaca de repouso, contagem de passos e estimativa de sono são úteis para hábito. O alerta é sobre o parâmetro que vira conduta médica. A decisão precisa ser apoiada em dado preciso e confiável, e é isso que ainda não temos com esses dispositivos.

Por que a glicose é tão difícil de ler através da pele

Aqui entra a parte de fisiologia que faz o resto do assunto fazer sentido. A glicose no sangue circula em concentração muito baixa. Numa glicemia de 100, a glicose responde por cerca de 0,1% do peso do plasma. Um aparelho que tenta lê-la de fora precisa capturar o sinal dessa molécula minúscula atravessando pele, gordura, água, suor, hemoglobina e uma dezena de outras substâncias que absorvem luz na mesma vizinhança do espectro.

É por isso que a tecnologia que funciona hoje não tenta ler através da pele. O glicosímetro pega uma gota de sangue e faz uma reação química com ela. O sensor contínuo insere um filamento fino no tecido sob a pele e mede a glicose do líquido que banha as células. Os dois têm contato direto com o material que estão medindo. O relógio que promete medir sem furar precisa resolver, por meio de luz, um problema que os outros dois resolvem por contato, e é essa a diferença que ainda não foi vencida.

A pesquisa nessa direção é séria e continua. Um trabalho de 2025, por exemplo, usa laser de cascata quântica com mineração de dados para tentar extrair o sinal da glicose do ruído de fundo 2. É ciência legítima, e é exatamente por ser protótipo de laboratório que ela ainda não é um produto de pulso. Uma revisão sistemática das tecnologias para detectar hipoglicemia mostra o tamanho do esforço: além dos sensores com agulha, o campo investiga resposta elétrica da pele, compostos voláteis no hálito e espectroscopia no infravermelho próximo, e os próprios autores concluem que o caminho combina melhorar os sensores existentes com as alternativas não invasivas, cuja usabilidade no dia a dia ainda precisa ser demonstrada 1.

O que significa um aparelho ser preciso o bastante

Existe uma medida para isso, e ela é a razão pela qual o assunto não se resolve na base do "no meu funcionou". Compara-se cada leitura do aparelho com um valor de referência de laboratório e calcula-se o quanto ele erra, na média, em porcentagem. Junto com isso se avalia uma coisa mais importante que a média: quantas leituras erram a ponto de mudar a conduta.

Para você ter uma noção, vale ver o que um aparelho autorizado entrega quando é testado com rigor. Uma revisão sistemática reuniu os estudos de sensores contínuos usados em centro cirúrgico e em terapia intensiva, que estão entre os ambientes mais difíceis para qualquer medidor: a diferença em relação ao valor de referência ficou em 14,2% na mediana dos estudos, cerca de 99% das leituras caíram nas faixas consideradas clinicamente aceitáveis, e o desempenho não foi inferior ao do aparelho de ponta de dedo usado à beira do leito 6. Esse é o tipo de conta que se exige de um medidor, e a discussão de ponta hoje é como calcular esse erro pessoa a pessoa, em vez de só na média do grupo 5.

Para os aparelhos de pulso que prometem ler a glicose pela luz, não existe avaliação equivalente publicada. É essa ausência, e não um capricho de agência, que está por trás da frase da Anvisa de que a capacidade técnica desses produtos ainda não foi comprovada pelos fabricantes 7, e da orientação americana de não usá-los 9.

Vale traduzir o que um erro grande significaria na prática, e vou usar um exemplo ilustrativo, porque justamente não há medida publicada desses aparelhos. Um erro de 25% do valor mostraria 75 quando a glicose real é 60, um número tranquilizador numa hora que não é tranquila, e mostraria 150 quando ela é 200, o que poderia mudar a dose de uma insulina, por exemplo.

Se funcionasse, eu seria o primeiro a querer

Número de precisão que aparece em material de propaganda, sem estudo publicado atrás, não é dado verificável, é anúncio querendo te vender um produto com base numa promessa.

E aqui eu faço uma pergunta que ninguém responde: se essas tecnologias são tão boas e tão precisas, por que as empresas não demonstram a eficácia real, em vez de tratar a exigência de comprovação como um obstáculo? Ler a glicose sem furar o dedo reduziria dor, reduziria risco de infecção e melhoraria muito a qualidade do tratamento e da vida de quem convive com diabetes. Eu realmente queria que fosse verdade. Mas ninguém nunca me apresentou os dados, só propaganda.

Já houve um relógio proibido no Brasil

Esse mercado não é hipotético. Em 2025, a Anvisa proibiu a venda, a distribuição, a importação, a comercialização e o uso de um relógio que se anunciava como medidor de glicose e de pressão, depois de comprovar que ele estava sendo vendido sem registro em plataforma de comércio on-line, e sem comprovação de eficácia 8.

Isso muda a leitura do comunicado desta semana: a agência não está antecipando um risco teórico. Ela já tirou do mercado um produto concreto que estava sendo vendido, e voltou ao assunto um ano depois, agora com os anéis entrando na conversa, enquanto o problema de fundo continua o mesmo.

O relógio que mostra o sensor é outra coisa

Essa é a confusão mais comum, e é justa: três aparelhos bem diferentes se parecem no pulso.

O primeiro caso é o aparelho que diz medir glicose sozinho, sem furar nada. Não existe nenhum autorizado, nem aqui nem nos Estados Unidos 7,9.

O segundo é o relógio que exibe no mostrador a glicose que um sensor autorizado está medindo. O sensor está no braço, com filamento sob a pele, e o relógio é apenas a tela. Isso é legítimo, é comum, e a agência americana fez questão de separar explicitamente os dois casos na comunicação de 2024 9. Quem vê alguém olhando a glicose no relógio na fila do banco quase sempre está vendo este caso, e não um aparelho mágico.

O terceiro é o vestível comum, que mede passos, sono e batimentos e nunca prometeu glicose. Esse não está em discussão.

Na consulta, a pergunta que separa os três em 10 segundos é: existe alguma coisa colada no seu braço? Se existe, o relógio está mostrando o sensor. Se não existe e mesmo assim aparece um número de glicose na tela, aquele número foi estimado, não medido.

O aparelho que funciona ainda não chega pelo SUS

Enquanto a discussão pública gira em torno de um aparelho que não funciona, a que decide a vida de muita gente está acontecendo em outro lugar, e com muito menos barulho.

A Consulta Pública 63/2026 da Conitec, a comissão que avalia quais tecnologias entram no SUS, tratou da incorporação do sistema de monitoramento contínuo de glicose em tempo real para pessoas com diabetes tipo 1 10. O parecer preliminar foi desfavorável, e a Sociedade Brasileira de Diabetes convocou abertamente a participação social justamente por isso. Até 16 de agosto, a consulta tinha reunido mais de 22 mil contribuições, e ela se encerrou no dia 17. O Brasil tem cerca de 600 mil pessoas com diabetes tipo 1 10.

O que pesou no parecer inicial não foi dúvida sobre o benefício, e o relatório da própria comissão é explícito nisso: diante do benefício clínico reconhecido, mas das incertezas orçamentárias, de implementação e de elegibilidade, o comitê deliberou por maioria pela recomendação preliminar desfavorável à incorporação imediata, aguardando a consulta pública para subsidiar a decisão final 11. As contas que preocuparam foram de impacto orçamentário, estimado em 317 milhões de reais em cinco anos, e de critério para definir quem teria direito, com a possibilidade de incorporação escalonada por grupos prioritários sendo discutida 11. É uma discussão de orçamento e de logística, não de eficácia.

De um lado, um aparelho barato, disponível em qualquer marketplace, que promete o que não entrega. Do outro, um aparelho caro, com eficácia comprovada, que a maior parte das pessoas que precisa dele ainda paga do próprio bolso ou vai à Justiça para conseguir. A pergunta do paciente que aparece no consultório não é sobre tecnologia, é sobre acesso: ele quer parar de furar o dedo 8 vezes por dia, e o relógio barato do marketplace é a única porta que parece aberta.

O que eu faço quando alguém chega com o número do relógio

Vez ou outra, um paciente chega com um número na tela do celular e me pergunta se a glicose está boa. Com esse alerta circulando na imprensa, eu espero que essas pessoas passem a chegar também com a dúvida sobre o que compraram, e essa conversa é boa.

Na minha opinião, o erro de quem compra um desses não é ingenuidade. É conclusão razoável: se o relógio mede batimento com precisão suficiente para avisar de arritmia, por que não mediria glicose? A resposta é técnica e está na fisiologia descrita acima. Batimento é um evento mecânico e elétrico grande, fácil de captar de fora. Glicose é uma molécula em concentração mínima atrás de várias camadas de tecido. Não é o mesmo problema.

A pergunta que eu faço nessas horas é de onde veio o número que a pessoa me trouxe, e essa pergunta costuma mudar a consulta inteira, porque a resposta revela que ela parou de medir de verdade há semanas, confiando no pulso.

Um paciente com diabetes tipo 1 chegou até mim com a ideia de calcular a dose da insulina por um desses aparelhos, comprado num site de importados por 49 reais, acreditando ter nas mãos algo revolucionário que ainda não tinha chegado ao Brasil. O que eu perguntei foi direto: você pode morrer se esse aparelho errar a sua glicose, e você acredita nele a ponto de arriscar a própria vida? Houve um silêncio na sala, e eu acho que ele entendeu. Minha intenção nunca é brigar com quem me procura, é fazer a pessoa enxergar a complexidade que existe atrás de uma promessa simples, e os interesses que sustentam essa promessa. Pensamento crítico é a competência que eu mais tento construir junto com quem atendo.

Não precisa jogar o relógio fora. Passos, sono e frequência cardíaca continuam valendo, com o objetivo de construir hábito, não de decidir conduta. Ninguém deve começar um remédio para arritmia, nem um aparelho de CPAP, que trata a apneia do sono, com base no que um relógio mostrou.

Como se escolhe entre furar o dedo e usar um sensor

Aqui existe escolha real, e ela é do paciente, não minha.

O glicosímetro de ponta de dedo é barato, tem tira disponível no SUS para quem usa insulina, é preciso e dá o valor daquele instante. O custo dele é a dor, o incômodo social de medir na frente dos outros e o fato de que ele mostra pontos isolados: entre uma medida e outra, a glicose pode ter subido e descido sem que ninguém veja.

O sensor contínuo mostra a curva inteira, avisa quando a glicose está caindo antes de a pessoa sentir, e muda de forma concreta o medo de dormir; é dele que sai a medida de tempo no alvo, hoje parte da conversa de consultório, com meta habitual acima de 70% do dia dentro da faixa 3,4. O custo é financeiro, é recorrente, e hoje sai quase todo do bolso de quem usa.

O que nenhum estudo mede, e é o que costuma decidir de verdade, é quanto vale para uma pessoa em particular deixar de acordar às 3 da manhã com medo, quanto pesa furar o dedo na frente dos colegas de trabalho, e o que significa comprometer uma fatia fixa do orçamento da casa todo mês, num gasto que não acaba. Eu digo a minha preferência quando perguntam, e a minha é pelo sensor em quem usa insulina várias vezes ao dia. Isso é preferência, não é a recomendação: para quem tem diabetes tipo 2 bem controlado com comprimido, medir menos e melhor com o aparelho de dedo costuma resolver, e gastar com sensor não muda desfecho.

O que não entra nessa escolha, em nenhuma das duas pontas, é o relógio que estima glicose. Ele só amplifica o que você não sabe. Imagine a cena: você não sabe como está a sua glicose, olha o relógio, e ele diz 300. Você continua sem saber o valor real, e agora está preocupado porque um aparelho que não mede disse que ela está alta.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

Não existe hoje, no Brasil ou fora dele, nenhum relógio ou anel autorizado a medir glicose sem furar a pele, e a razão é técnica: aparelho que decide dose precisa ter publicado o quanto erra, e nenhum aparelho de pulso publicou essa conta, que é o que a agência chama de capacidade técnica não comprovada.

O risco de usar um assim não é ficar sem informação, é ficar com informação falsamente tranquilizadora, e por isso ele não vira seguro nem com a promessa de "só olhar a tendência". Se o aparelho já foi comprado, ele continua bom para passos, sono e batimento, e a glicose volta para o glicosímetro ou para um sensor autorizado.

A frase para levar embora é esta: aparelho que promete medir glicose sem tocar no sangue está estimando, não medindo, e estimativa não decide dose de insulina.

E se você chegou até aqui porque está cansado de furar o dedo várias vezes por dia, esse cansaço é legítimo e tem solução real, que passa por sensor autorizado e pela discussão de acesso que está em curso agora no país. Vale conversar sobre isso na consulta em vez de resolver sozinho no marketplace.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar avaliação se você usa insulina e tem tido episódios de hipoglicemia, principalmente de madrugada ou sem sintoma de aviso; se está medindo a glicose menos do que foi orientado porque o incômodo venceu; se comprou um aparelho que promete medir sem furar e passou a se guiar por ele; se tem diabetes tipo 1 e nunca discutiu a possibilidade de usar sensor contínuo; ou se os números que você acompanha em casa não conversam com a hemoglobina glicada do exame. Nada aqui substitui a avaliação de quem acompanha o seu caso, e nenhuma decisão sobre aparelho, dose ou frequência de medição deve ser tomada pela internet.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem a orientação individualizada. Nenhum aparelho de monitorização deve ser adotado ou abandonado, e nenhuma dose de insulina deve ser iniciada, alterada ou suspensa por conta própria.

Se você convive com diabetes e quer revisar como está sendo feito o seu acompanhamento da glicose, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. Diouri O, Cigler M, Vettoretti M, Mader J, Choudhary P, Renard E. Hypoglycaemia detection and prediction techniques: a systematic review on the latest developments. Diabetes Metab Res Rev. 2021;37(7). doi:10.1002/dmrr.3449.
    https://doi.org/10.1002/dmrr.3449
  2. Song L, Han Z, Nie H, Lau W. Compact quantum cascade laser-based noninvasive glucose sensor upgraded with direct comb data-mining. Sensors. 2025;25(2):587. doi:10.3390/s25020587.
    https://doi.org/10.3390/s25020587 · PubMed 39860957
  3. Advani A. Positioning time in range in diabetes management. Diabetologia. 2020;63(2):242-252. doi:10.1007/s00125-019-05027-0.
    https://doi.org/10.1007/s00125-019-05027-0
  4. Battelino T, Alexander CM, Amiel SA, Arreaza-Rubin G, Beck RW, Bergenstal RM, et al. Continuous glucose monitoring and metrics for clinical trials: an international consensus statement. Lancet Diabetes Endocrinol. 2023;11(1):42-57. doi:10.1016/S2213-8587(22)00319-9.
    https://doi.org/10.1016/S2213-8587(22)00319-9 · PubMed 36493795
  5. von Conta J, Bahnsen FH, Heinemann L, van Baal L, Kleesiek J, Führer-Sakel D, et al. Advancing continuous glucose monitoring for inpatient clinical decision support: individual algorithmic mean absolute relative difference. Diabetes Care. 2026;49(1):99-104. doi:10.2337/dc25-1494.
    https://doi.org/10.2337/dc25-1494
  6. Carlier L, De Ponthaud C, Jacqueminet S, Phan F, Gaujoux S, Amouyal C. Perioperative use and accuracy of continuous glucose monitoring: a systematic review. Diabetes Obes Metab. 2025;27(10):5393-5408. doi:10.1111/dom.16583.
    https://doi.org/10.1111/dom.16583
  7. Anvisa, via Agência Gov (28/08/2026): não existem smartwatches nem anéis vestíveis autorizados pela agência para medição não invasiva de glicose ou oximetria
    https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202608/aneis-inteligentes-nao-devem-ser-usados-para-diagnosticar-doencas
  8. Anvisa (2025): proibição de venda, distribuição, importação e uso de relógio medidor de glicose sem registro e sem eficácia comprovada
    https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-proibe-relogio-medidor-de-glicose-sem-eficacia-comprovada
  9. Food and Drug Administration (21/02/2024): comunicação de segurança orientando não usar relógios nem anéis inteligentes para medir glicose
    https://www.fda.gov/medical-devices/safety-communications/do-not-use-smartwatches-or-smart-rings-measure-blood-glucose-levels-fda-safety-communication
  10. Sociedade Brasileira de Diabetes (agosto de 2026): Consulta Pública 63/2026 da Conitec sobre incorporação do monitoramento contínuo de glicose em tempo real para diabetes tipo 1 no SUS
    https://diabetes.org.br/consulta-publica-sobre-distribuicao-de-sensores-de-glicose-pelo-sus-movimenta-milhares-de-pessoas/
  11. Conitec: Relatório para a Sociedade nº 735, sistema de monitoramento contínuo de glicose no diabetes tipo 1
    https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2026/sociedade/relatorio-para-sociedade-ndeg-735-sistema-monitoramento-diabetes/@@display-file/file

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Meu relógio mostra a glicose e o número bate com o do meu aparelho de furar o dedo. Isso não prova que ele funciona?

Não prova, e o motivo é o que torna esse aparelho perigoso. A glicose de uma pessoa passa a maior parte do dia numa faixa relativamente estreita, então um aparelho que simplesmente estimasse um valor comum acertaria bastante nas horas tranquilas. O que se cobra de um medidor não é acertar no dia comum, é acertar justamente quando o valor sai do comum: na hipoglicemia de madrugada, no pico depois de uma refeição grande, no dia de infecção. É nessas horas que a decisão muda, e é nessas horas que os aparelhos que não furam erram mais. Comparar dois ou três valores num dia calmo não testa nada disso.

Comprei um desses. Posso ao menos usar para acompanhar a tendência, sem decidir dose por ele?

O risco não desaparece, ele só fica menos visível. Um aparelho sem acurácia demonstrada também erra a tendência, e a leitura falsamente tranquila é a que mais preocupa: alguém que vê 110 no pulso e por isso deixa de medir de verdade num dia em que está mal. Se o aparelho já foi comprado, o uso honesto dele é o de acessório de bem-estar, para passos, sono e frequência cardíaca, que é para o que ele foi desenhado. Glicose continua sendo pelo glicosímetro ou por um sensor autorizado.

E os relógios das marcas grandes, que aparecem em notícia dizendo que vão medir glicose?

Nenhum tem essa função liberada hoje, nem no Brasil nem nos Estados Unidos. Várias empresas pesquisam medição de glicose pela luz há anos e já anunciaram avanços, o que é diferente de ter um produto aprovado. Quando existir um aparelho assim, ele vai chegar com registro na Anvisa e com estudo publicado mostrando o quanto ele erra. Enquanto o registro não existe, a função anunciada não é a mesma coisa que a função comprovada.

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