
Libido na menopausa: por que a resposta quase nunca começa pela testosterona
Em resumo: duas coisas diferentes chegam ao consultório com o mesmo nome. Uma é o desejo que diminuiu; a outra é a relação que passou a doer, por ressecamento e afinamento dos tecidos, o que tem nome próprio e atinge até metade das mulheres na menopausa 2. Separar as duas muda tudo, porque a segunda tem tratamento local eficaz e barato, e a primeira não se resolve por exame de sangue. A testosterona, que virou sinônimo do assunto, tem uma única indicação reconhecida em todo o mundo, funciona de verdade e funciona pouco: cerca de um encontro sexual satisfatório a mais por mês 5,6. E no Brasil ela não tem nenhuma apresentação aprovada para mulheres 12.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 25/08/2026
Contexto: o que saiu na mídia
A entrevista de uma atriz falando abertamente sobre desejo depois dos cinquenta circulou em vários veículos nesta semana e recolocou em pauta um assunto que costuma ficar entre a paciente e o silêncio. O mérito da conversa pública é esse: nomear. O risco é o que costuma vir logo atrás, quando o tema chega ao mercado e a resposta aparece pronta, sempre igual, sempre hormonal, e quase sempre vendida antes de a pergunta ter sido feita.
A pergunta que sobra depois da conversa pública é sempre a mesma, e é prática: quando isso acontece com você, por onde se começa?
Duas queixas diferentes que chegam com o mesmo nome
"Perdi a libido" é uma frase que descreve pelo menos dois quadros distintos, e a diferença entre eles decide o tratamento.
O primeiro é o transtorno do desejo sexual hipoativo, que é a ausência persistente de desejo, fantasias e interesse por seis meses ou mais, causando sofrimento para a própria mulher. O segundo é a síndrome geniturinária da menopausa, o conjunto de sintomas que vem da queda do estrogênio nos tecidos genitais e urinários: ressecamento, ardência, irritação, menos lubrificação, dor na relação, urgência para urinar e infecções urinárias de repetição 2. Os dois coexistem com frequência, e a distinção se faz pelo conjunto de sintomas e por uma conversa que inclua o corpo, a cabeça e a relação, não por um exame 3.
Num estudo populacional australiano com 10.554 mulheres, a proporção de mulheres com desejo baixo sobe de forma contínua com a idade e passa de 90% nas faixas mais velhas. Mas o sofrimento ligado a isso faz o caminho inverso: cai de forma importante depois dos 65 anos 1. Como o diagnóstico exige as duas coisas juntas, desejo baixo e incômodo com ele, o transtorno é mais frequente na meia-idade e na transição da menopausa do que na velhice 1.
Ou seja: desejo que diminui com os anos é a regra, não a doença. O que define o problema clínico é ele incomodar você.
A primeira pergunta que eu faço
Antes de qualquer exame, eu pergunto se dói.
Uma parte grande das mulheres que chega dizendo que perdeu o desejo está, na verdade, evitando uma relação que passou a ser desconfortável. O corpo aprende rápido a não querer o que machuca, e essa evitação é lida por fora como falta de interesse. Quando existe dor, o alvo do tratamento não é o desejo: é o tecido.
A segunda pergunta que eu costumo fazer é desde quando, e se veio junto com alguma outra coisa, um remédio novo, uma noite mal dormida que virou rotina, uma mudança na relação. A resposta a essa segunda pergunta muda o que eu trato primeiro.
Nenhuma mulher precisa querer sexo com determinada frequência para estar saudável. Desejo baixo que não incomoda ninguém não é alvo de tratamento, e transformar isso em meta é criar uma doença onde há uma fase da vida.
Quando é dor: o que o estrogênio local resolve
Para a disfunção sexual que vem da síndrome geniturinária da menopausa, o estrogênio vaginal em dose baixa é o tratamento hormonal preferencial 2. Ele age onde o problema está, com pouca passagem para o resto do corpo, e por isso não exige o mesmo tipo de conta de risco que a reposição sistêmica exige, seja ela por via oral, em comprimido, ou por via transdérmica, em gel, adesivo ou spray.
A bula brasileira do promestrieno, um dos estrogênios de uso vaginal disponíveis aqui, registra biodisponibilidade sistêmica menor que 1% depois da aplicação, e conclui daí que a aplicação vaginal não se relaciona a efeito estrogênico à distância, no útero, nas mamas ou na hipófise 13. Na mesma linha, a orientação da sociedade americana de ginecologia é que, nessas doses, não é preciso associar progestagênio para proteger o endométrio, diferente do que acontece na reposição sistêmica em quem tem útero 4.
Duas ressalvas que costumam faltar nas reportagens. A primeira: a bula brasileira do promestrieno contraindica o produto em quem tem histórico ou suspeita de câncer de mama, mesmo com a absorção mínima que ela própria descreve 13. É uma situação em que a decisão passa pelo médico assistente, e não se resolve pela bula nem por um texto na internet. A segunda: o tratamento é de manutenção. O tecido responde enquanto o estímulo existe, e volta ao estado anterior quando ele para. Quem espera resolver em vinte dias e nunca mais tocar no assunto vai se decepcionar.
Para a dor moderada a intensa, a diretriz americana lista ainda a prasterona de uso vaginal e o ospemifeno como alternativas ao estrogênio local 2. Nem tudo o que uma diretriz estrangeira lista está registrado e à venda aqui, e essa é uma conferência que se faz na consulta, não pela internet. Lubrificantes e hidratantes vaginais seguem úteis, sozinhos ou somados ao hormônio 2.
O que não é hormônio e responde por boa parte dos casos
Antes de discutir qualquer hormônio para desejo, o posicionamento brasileiro manda avaliar e tratar as causas frequentes: o próprio hipoestrogenismo, a síndrome geniturinária, depressão e outros transtornos psiquiátricos, efeito de medicamentos, obesidade e fatores da relação 12. Essa lista não é formalidade. Ela é onde está a maioria dos casos.
Os antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina são o exemplo mais concreto. Numa revisão sistemática de ensaios em mulheres tratadas para tensão pré-menstrual, queixa de disfunção sexual ou queda de libido apareceu em cerca de 7 a cada 100 mulheres que usaram o antidepressivo, contra cerca de 3 a cada 100 no grupo que recebeu comprimido sem efeito 10. A população desses ensaios não é de mulheres na menopausa, então o número não se transporta direto; o que se transporta é o mecanismo, reconhecido e dependente da dose 1,10. E há um detalhe prático: diferente do enjoo, que melhora com as semanas de uso, o efeito sobre o desejo tende a não passar sozinho.
Sono também entra por uma porta indireta. Fogacho que acorda de madrugada produz cansaço crônico, e cansaço crônico é um dos supressores de desejo mais previsíveis que existem. Nesse cenário, tratar o fogacho é tratar a libido, ainda que por um caminho que ninguém associa ao tema.
Testosterona: o que a evidência mostra, e o tamanho do efeito
Existe evidência boa, e ela é mais modesta do que a fama.
O consenso global de 2019, endossado pela Sociedade Internacional de Menopausa, pela Endocrine Society e por outras entidades, concluiu que o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres na pós-menopausa é a única indicação com base em evidência para testosterona em mulheres, com efeito terapêutico moderado, e que não há evidência suficiente para qualquer outro sintoma, condição ou prevenção de doença 5.
A metanálise que sustenta esse consenso reuniu 36 ensaios clínicos, com 8.480 participantes, e comparou testosterona com comprimido, adesivo ou creme sem efeito, ou com reposição de estrogênio isolada 6. O resultado mais fácil de traduzir é a frequência de encontros sexuais satisfatórios: a diferença média foi de 0,85 por mês, o que o próprio consenso resume como aproximadamente um encontro satisfatório a mais por mês 5,6. Houve também melhora do desejo, da excitação, do orgasmo, do prazer e da autoimagem, e redução do sofrimento ligado à queixa 6. Uma segunda revisão sistemática, feita por outro grupo, chegou a conclusões na mesma direção 7.
Na minha leitura, o valor desse número está em ele não ser zero e não ser uma transformação. Ele é uma média de grupo, e não uma promessa individual: parte das mulheres ganha mais que isso, parte não sente diferença. Para quem parte de um encontro satisfatório por mês, esse tamanho de efeito pode mudar a rotina; para quem esperava reencontrar a si mesma dos trinta anos, vai parecer pouco. As duas leituras são legítimas, e a conversa fica mais fácil quando o número está na mesa antes da receita.
A via de administração decide a segurança metabólica. Por via oral, a testosterona piorou o perfil de gorduras do sangue, com aumento do colesterol LDL, o que se deposita na parede da artéria, e queda do colesterol HDL, o que retira gordura da circulação, do colesterol total e dos triglicérides; por via transdérmica, não houve efeito significativo sobre esse perfil 6. Por isso as recomendações são de uso transdérmico, e o posicionamento brasileiro diz que a via oral deve ser evitada 8. Os efeitos indesejados que apareceram foram acne, com aumento de 46% acima do observado em quem usou o produto sem hormônio, e crescimento de pelos indesejados, com aumento de 69% na mesma comparação 6. Não apareceram queda de cabelo, aumento do clitóris nem alteração da voz nos ensaios 6. Esses ensaios são curtos, e a segurança de longo prazo segue sem dado, nem sobre mama, nem sobre coração 5.
O que as sociedades brasileiras decidiram
A literatura internacional não responde a pergunta que decide o tratamento aqui, que é o que existe para comprar e com qual respaldo.
Em dezembro de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicaram uma nota conjunta com três informações práticas 12. A primeira: a única indicação cientificamente reconhecida para testosterona na mulher é o transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, o que coincide com o consenso global. A segunda: não existe no Brasil formulação de testosterona aprovada pela Anvisa para uso em mulheres. A terceira: não há indicação de dosar testosterona para investigar valores baixos ou suposta deficiência androgênica feminina, e a dosagem serve para investigar excesso de hormônio masculino.
O posicionamento da FEBRASGO de 2024 detalha o resto 8. Como não há produto industrializado, o tratamento no Brasil é feito com manipulação, preferencialmente por via transdérmica, com dose inicial de 300 microgramas por dia. Não existem valores de referência validados que definam deficiência androgênica feminina passível de tratamento. Dosa-se testosterona antes de começar e cerca de três a quatro semanas depois, para conferir se a dose ficou na faixa fisiológica. Se não houver melhora em três a seis meses, interrompe-se. E a evidência de segurança do uso transdérmico vai até cerca de três anos.
A parte que quase nunca chega à paciente é como se ajusta a concentração da fórmula, e ela muda ao contrário do que a intuição sugere. Quanto a pele absorve depende do veículo que carrega a molécula: o Pentravan, feito com nanopartículas de fosfolipídios, entrega de 50% a 63% do que foi aplicado, enquanto um veículo alcoólico entrega de 9% a 14% 8. Como o veículo bom aproveita muito mais, ele leva concentração menor. Os dois exemplos de prescrição do próprio posicionamento são testosterona base 2 mg em Pentravan e 5 mg em veículo alcoólico, dentro de uma faixa sugerida de 1 a 5 mg, com uma aplicação por dia 8. Trocar o veículo sem recalcular a concentração é trocar a dose sem perceber.
O resto do cuidado é de aplicação: coxas, nádegas ou baixo ventre, longe da região das mamas, com a pele seca e mantida seca por duas a seis horas, porque molhar a área logo depois derruba em 81% a testosterona disponível 8. E há o contato pele a pele com quem convive, que transfere hormônio inclusive através de tecido.
O posicionamento fecha essa parte com a frase que explica por que existe dosagem de controle: com tantas variáveis, não é possível garantir que a fórmula manipulada entregue a dose adequada àquela mulher 8. O ajuste de verdade, portanto, não é aritmético. É laboratorial, e é o exame depois de começar, não antes, que diz se a conta funcionou naquela pele.
O erro mais comum que eu corrijo nesse assunto não é de quem usa: é de quem investiga. A mulher chega com a testosterona dosada e um resultado no fim da faixa, e a conclusão já veio pronta de que ali está a explicação. Não está. A nota conjunta é literal nos dois pontos: a testosterona não apresenta queda abrupta com a menopausa, havendo redução gradual ao longo da vida adulta, e deficiência de testosterona não é causa reconhecida de baixa libido na mulher 12. Ninguém errou ao pedir o exame, mas ele responde outra pergunta.
O chip, o laser e o que não passou no teste
O implante subcutâneo manipulado, que o mercado chama de chip, é desaconselhado pelas três sociedades por farmacocinética imprevisível e ausência de dados robustos de eficácia e segurança 12. O posicionamento da FEBRASGO é mais específico: níveis acima da faixa fisiológica aparecem já aos três meses depois da inserção 8. Isso importa porque os efeitos irreversíveis da testosterona, como o engrossamento da voz, são efeitos de dose alta mantida, não de dose fisiológica.
O laser vaginal de dióxido de carbono foi testado contra o próprio efeito da expectativa. Oitenta e cinco mulheres na pós-menopausa com sintomas vaginais suficientes para procurar tratamento foram sorteadas para receber três sessões do laser de verdade ou três sessões com um aparelho idêntico que não emitia a energia, sem que elas nem os avaliadores soubessem quem estava em qual grupo. Doze meses depois, não houve diferença entre os grupos na gravidade dos sintomas, na qualidade de vida, no exame da mucosa nem na análise do tecido 11. Os dois grupos melhoraram, o que diz muito sobre por que o relato individual de melhora não basta como prova num tema como este.
Quanto à reposição hormonal sistêmica, a revisão Cochrane de 2023 reuniu 36 estudos e 23.299 mulheres, quase todas na pós-menopausa. O estrogênio isolado provavelmente melhora um pouco a função sexual em quem tem sintomas de menopausa ou está nos primeiros anos depois dela, e provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença em mulheres não selecionadas por sintoma 9. Um detalhe dessa revisão explica o resto: nenhum dos 36 estudos incluiu apenas mulheres com disfunção sexual, e só sete tinham função sexual como desfecho principal 9. A reposição ajuda, principalmente por vias indiretas como fogacho e sono, e não é o tratamento do desejo. Também vale o inverso, e a diretriz americana é explícita: estrogênio não é recomendado para disfunção sexual que não vem de falta de estrogênio 2. Assim como a testosterona não é tratamento de composição corporal, de disposição ou de bem-estar geral 5,8.
A escolha, quando existe mais de um caminho
Quando a dor foi tratada, as outras causas foram afastadas e ainda sobra o desejo que incomoda, existem pelo menos três caminhos legítimos, e nenhum estudo escolhe por você.
Não tratar com hormônio poupa a exposição a um medicamento manipulado, sem produto aprovado no país, sem dado de segurança além de cerca de três anos, e poupa o custo mensal, que sai do bolso. Custa conviver com uma queixa que incomoda agora, e o "agora" tem peso próprio numa fase em que outras coisas do corpo também estão mudando. Investir nas frentes não hormonais, o que inclui sono, revisão de medicamentos, terapia sexual ou de casal e as abordagens psicológicas que a diretriz americana recomenda como parte do tratamento 2, costuma render mais do que o mercado sugere, e custa tempo e disposição num momento em que ambos estão escassos. Tentar a testosterona oferece a chance de um encontro satisfatório a mais por mês, em média, com um teste de três a seis meses e uma regra de parada clara 8, e custa acne e pelos em parte das mulheres, dosagens de controle e a aceitação honesta de que a segurança de longo prazo não está estabelecida.
Nenhuma dessas contas está nos estudos. O que os ensaios não medem é quanto essa queixa pesa na sua relação hoje, o que significa para você depender de um creme manipulado todos os dias, e se o que te move é recuperar frequência ou parar de sentir que algo está errado com você. Essas três perguntas decidem mais do que qualquer diferença média.
Se me perguntarem qual é a minha preferência pessoal, eu começo pelo que dói e pelo que não é hormônio, e deixo a testosterona por último. Mas essa é a minha preferência, não é a recomendação: para a mulher com o diagnóstico correto, que já tratou o resto e ainda sofre com a queixa, a testosterona é uma opção legítima, com respaldo do consenso internacional e do posicionamento brasileiro, e recusá-la em nome de cautela genérica seria negar um tratamento que existe.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
O que dá para fazer, e o que esperar: se dói, o estrogênio vaginal em dose baixa é o tratamento hormonal preferencial, age com pouca passagem para o resto do corpo e melhora os sintomas enquanto o uso se mantiver 2,13. Se o desejo é o problema e o resto já foi tratado, a testosterona transdérmica em dose fisiológica é a única indicação reconhecida, com ganho médio de cerca de um encontro satisfatório a mais por mês 5,6. Exame de sangue não faz esse diagnóstico 5,8,12.
Os riscos e o que fazer com eles: acne e crescimento de pelos foram os únicos efeitos que aumentaram de forma clara nos ensaios, e os dois são visíveis e reversíveis 6; dose alta mantida, que é o que o implante manipulado produz, é o que traz efeito que não volta atrás, e por isso ele é desaconselhado 8,12; segurança de longo prazo não está estabelecida, e é por isso que existe regra de parada em três a seis meses sem melhora 5,8.
A frase que eu gostaria que ficasse: desejo que diminui com os anos é o comum, e o que transforma isso em algo a tratar é você se incomodar com ele, não um número no exame nem uma expectativa de fora.
E a porta aberta: se a relação passou a doer e você concluiu que o problema era falta de vontade, ou se já ouviu que "é da idade" e foi embora com isso, existe uma conversa clínica a ser feita, e ela começa por perguntas que ninguém costuma fazer.
Quando procurar um endocrinologista
Vale marcar avaliação se a relação passou a doer ou se há ressecamento persistente, se o desejo caiu de forma clara e isso incomoda você, se a queixa apareceu logo depois de começar um medicamento novo, se o fogacho está quebrando suas noites, se você já usa ou pensa em usar testosterona manipulada ou implante e quer entender a dose e o acompanhamento, e sempre que aparecerem sinais de excesso de hormônio masculino durante um tratamento, como pelos grossos em áreas novas, acne persistente, queda de cabelo com padrão masculino ou qualquer alteração na voz, que é o sinal que pede avaliação sem esperar a próxima consulta. Nada disso se resolve pela internet, e nenhum texto substitui o exame e a conversa que separam uma causa da outra.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a orientação individual. Nenhum hormônio deve ser iniciado, ajustado, trocado de forma ou suspenso por conta própria, e nenhum antidepressivo deve ser interrompido sem conversa com quem o prescreveu.
Se você tem dúvidas sobre menopausa, desejo ou reposição hormonal, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
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→ https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2310-nota-conjunta-sbem-febrasgo-e-sbc-sobre-o-uso-de-testosterona-na-mulher - Bula profissional de promestrieno creme vaginal 10 mg/g, versão 05, Eurofarma. Seções de indicações, contraindicações, advertências e características farmacológicas.
→ https://consultaremedios.com.br/promestrieno/bula
Fontes jornalísticas
- UOL. Mônica Martelli fala sobre desejo e sexualidade na menopausa, em entrevista repercutida em veículos nacionais (23 e 24/08/2026). → https://www.uol.com.br/splash/
Dúvidas dos leitores
Minha médica pediu para dosar minha testosterona porque minha libido caiu. Esse exame responde?
Para essa pergunta, não. Não existe um valor de testosterona no sangue que separe a mulher com desejo baixo da mulher com desejo preservado, e nem o consenso internacional nem o posicionamento brasileiro reconhecem uma faixa que defina deficiência androgênica feminina tratável 5,8. A nota conjunta das sociedades brasileiras é ainda mais direta: dosar testosterona para investigar deficiência não tem indicação 12. O exame tem outro papel, que é investigar excesso de hormônio masculino quando há sinais disso, como pelos grossos em áreas masculinas, acne persistente ou queda de cabelo com padrão masculino. E há um terceiro uso, diferente dos dois: quem já iniciou o tratamento dosa para conferir se a dose não passou da faixa fisiológica 8. Diagnóstico é uma coisa, monitoramento é outra.
Fiz o implante hormonal e melhorei muito. Isso não prova que funciona para mim?
Prova que você melhorou, e isso é real. O que não dá para saber por dentro da própria experiência é quanto daquilo veio do hormônio e quanto viria de qualquer tratamento com expectativa alta, porque nos estudos o grupo que recebeu o tratamento sem efeito também melhora, às vezes tanto quanto 11. O problema específico do implante manipulado não é a sua sensação, é a dose: as sociedades brasileiras desaconselham exatamente por causa da farmacocinética imprevisível, e o posicionamento da FEBRASGO registra níveis acima da faixa fisiológica já aos três meses depois da inserção 8,12. Testosterona alta demais por tempo longo é o que produz os efeitos que não voltam atrás, como o engrossamento da voz. Se você está bem, vale conversar sobre migrar para uma forma em que a dose seja ajustável.
Uso antidepressivo e meu desejo sumiu. Devo parar o remédio?
Não por conta própria, e essa é uma das poucas coisas neste texto que eu diria com essa firmeza: interromper antidepressivo sem plano costuma custar caro. Vale, sim, levar a queixa para quem prescreveu, porque ela é reconhecida, é dependente da dose e, ao contrário do enjoo, tende a não passar com o tempo de uso. Existem caminhos: ajuste de dose, troca por outra medicação com menos esse efeito, ou manter e tratar a queixa em paralelo. A escolha depende de quanto o antidepressivo está segurando outras coisas na sua vida, e isso não é um cálculo que eu faça sozinho nem que você faça sozinha.
Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.