Dr. Márcio GesterEndocrinologista · CRM-PA 14727 ← Início
Ilustração editorial em linhas finas azul-claro sobre fundo azul-marinho: o contorno de um olho visto de frente, com a retina desenhada ao fundo como uma rede delicada de vasos, e ao lado um pequeno calendário com um único dia marcado. Sem texto, sem pessoas, sem marcas.

Tenho diabetes e enxergo bem: preciso mesmo ir ao oftalmologista todo ano?

Em resumo: na maioria dos casos, sim. A retinopatia diabética pode ameaçar a visão sem dar sintoma nenhum 1, e o tratamento evita e às vezes reverte a perda visual quando ela é achada a tempo 1. No diabetes tipo 2 o primeiro exame de retina é feito no diagnóstico, e no tipo 1, depois de 5 anos de doença 1,8. A diretriz brasileira recomenda repetir todo ano quando não há retinopatia ou ela é leve 8; a americana aceita espaçar para cada 1 a 2 anos em quem teve exames normais e está com a glicose na meta 1. Na gravidez de quem já tinha diabetes, o exame passa a ser a cada trimestre 8. Quem vai começar caneta de semaglutida com a glicose muito alta há anos deve examinar a retina antes 3, e perda súbita de visão durante o tratamento pede avaliação oftalmológica imediata 9.

Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 16/09/2026

Contexto (o que saiu na mídia)

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou em 10/09, no congresso nacional da especialidade, um documento sobre a frequência ideal de consultas com o oftalmologista em cada fase da vida. Segundo a Agência Brasil, o texto destaca as pessoas com diabetes: recomenda exame com as pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular mesmo sem queixa na visão, e cita os usuários de canetas emagrecedoras pela possível associação com neuropatia óptica e com alterações da retinopatia. A mensagem está correta e merece ser detalhada, porque a pergunta que ela deixa em aberto é exatamente a que a pessoa faz: de quanto em quanto tempo, que exame, e o que a caneta tem a ver com isso.

Enxergar bem não quer dizer retina saudável

A retinopatia diabética é a lesão dos pequenos vasos da retina, a camada do fundo do olho que transforma luz em imagem. A diretriz americana de diabetes lembra que pessoas com retinopatia já ameaçando a visão podem não ter sintoma nenhum 1.

Quando a visão finalmente piora, em geral é porque o centro da retina inchou ou porque um vaso frágil sangrou dentro do olho. A diretriz brasileira justifica o rastreamento pela ausência de sintomas nas fases iniciais e pela eficácia do tratamento em prevenir a perda visual 8.

Na minha prática, "estou enxergando bem" é uma frase que atrasa esse exame com frequência. Ela é razoável para quem aprendeu que problema de vista se sente, e é exatamente o raciocínio que a retinopatia desmente.

Quando fazer o primeiro exame

Depende do tipo de diabetes, e a diferença tem uma razão simples: saber há quanto tempo a glicose está alta.

Diabetes tipo 2: no momento do diagnóstico 1,8. O diabetes tipo 2 costuma ficar anos sem ser descoberto, então a retina pode já ter lesão quando o exame de sangue finalmente aparece alterado. A diretriz brasileira cita um estudo em que, entre adultos que evoluíram de pré-diabetes para diabetes tipo 2, 12,6% já tinham retinopatia 3 anos depois do diagnóstico 8.

Diabetes tipo 1: 5 anos depois do início da doença, em adultos 1,8. Em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, a diretriz brasileira sugere considerar o rastreamento a partir dos 11 anos de idade, com 2 a 5 anos de diabetes 8.

Uma pergunta que eu faço na primeira consulta de quem tem diabetes tipo 2 é quando foi o último exame de fundo de olho com a pupila dilatada. A resposta frequente é o exame para trocar os óculos, que é outro exame, e é aí que a data real do rastreamento aparece.

Que exame é esse

Não é o exame de grau. A diretriz brasileira recomenda a avaliação inicial com as pupilas dilatadas, com retinografia (fotografias padronizadas da retina) ou mapeamento de retina, junto com a biomicroscopia de fundo, que é o exame do fundo do olho com lente no aparelho do oftalmologista 8.

A dilatação da pupila é o que permite examinar a retina com amplitude, e não só a pequena área visível pela pupila normal. O custo prático é conhecido: a visão fica embaçada e sensível à luz por algumas horas, e o dia do exame precisa de alguém para dirigir.

A fotografia da retina com leitura à distância também é aceita pelas duas diretrizes como forma de ampliar o acesso 1,8, e a americana inclui programas com leitura por inteligência artificial aprovados pela agência reguladora dos Estados Unidos 1. Esses programas precisam ter caminho rápido para o exame completo com o oftalmologista quando a foto mostra alteração 1.

Glicose alta muda o grau dos óculos temporariamente. Por isso a diretriz brasileira recomenda avaliar o controle da glicose antes do exame de refração 8, porque a lente receitada com a glicose descontrolada pode deixar de servir quando ela se acerta.

Todo ano ou a cada 2 anos: onde as diretrizes divergem

Aqui a diretriz brasileira e a americana escolheram caminhos diferentes, e a diferença é informação útil, não erro de nenhuma delas.

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda acompanhamento anual quando não há retinopatia ou ela é leve, e revisões mais frequentes quando ela é moderada ou grave 8. Para sustentar o intervalo anual, cita uma revisão sistemática com dados de 262.541 pessoas que concluiu que a evidência não apoiava aumentar o intervalo para além de 1 ano 8. O capítulo teve a última revisão em dezembro de 2021.

A Associação Americana de Diabetes (ADA), na edição de 2026, aceita considerar o exame a cada 1 a 2 anos se um ou mais exames anuais não mostraram retinopatia e a glicose está dentro da meta. Havendo qualquer grau de retinopatia, o exame volta a ser pelo menos anual 1.

Um dos dados que sustentam espaçar vem de pessoas com diabetes tipo 1 que tiveram a retina fotografada ao longo de 30 anos de acompanhamento 2. Com esses dados, os pesquisadores calcularam quanto tempo a retina costuma levar para chegar à fase que exige tratamento. Sem nenhuma retinopatia, essa chance ficou em cerca de 5% num intervalo de 4 anos; com retinopatia moderada, a mesma chance aparecia em 6 meses 2. O controle da glicose pesou muito: sem retinopatia, o risco de chegar à fase que exige tratamento foi de 1,0% em 5 anos com hemoglobina glicada de 6%, contra 4,3% em apenas 3 anos com glicada de 10% 2. O esquema individualizado reduziu em 58% o número de exames em 20 anos sem atrasar diagnósticos importantes 2.

Na minha leitura, os dois lados têm razão para o público que cada um enxerga. O dado americano mostra que, para quem tem retina limpa e glicose na meta, o risco de um intervalo maior é pequeno. O cuidado brasileiro leva em conta que a glicose de muita gente não fica estável por 2 anos seguidos, e que um exame espaçado também é um exame mais fácil de esquecer.

Anual ou a cada 2 anos: como essa escolha é feita

Para quem teve exames sem retinopatia e mantém a glicose na meta, as duas condutas são legítimas, e o que cada uma custa é diferente.

O exame anual custa uma consulta a mais por ano, a manhã com a vista embaçada pela dilatação, o transporte e, para quem depende do sistema público, a espera pela vaga. Em troca, poupa o risco de uma alteração nova ficar mais tempo sem ser vista, e mantém o exame como hábito fixo do calendário.

O exame a cada 2 anos poupa metade dessas idas e é sustentado por dados de quem tem retina limpa e glicose controlada 1,2. Ele cobra outra coisa: exige que a glicose continue de fato na meta durante todo o intervalo, e depende de a pessoa lembrar do exame depois de um ano inteiro sem ele.

O que decide não está em nenhum desses estudos. Pesa a facilidade de conseguir a consulta, se a pessoa tem com quem ir no dia da dilatação, quanto a glicose dela oscila na vida real e não só no último exame, e como ela convive com a ideia de passar 2 anos sem olhar a retina. Há quem durma melhor com o exame todo ano, e há quem prefira gastar essa energia em outra parte do tratamento. A minha preferência pessoal é pelo exame anual, porque vejo com frequência a glicose de um ano não ser a do ano seguinte; isso é uma preferência minha, e não a recomendação para todos.

Gravidez: o intervalo encurta

A gestação aumenta o risco de a retinopatia aparecer ou piorar em quem já tinha diabetes tipo 1 ou tipo 2 antes de engravidar. Para essas mulheres, a diretriz brasileira recomenda exame da retina a cada trimestre durante a gestação e durante o primeiro ano depois do parto 8, e a americana recomenda o exame antes da gravidez, no primeiro trimestre e, conforme o grau de retinopatia, a cada trimestre e até 1 ano depois do parto 1.

O melhor momento é antes de engravidar. Quem tem retinopatia deve estabilizar a lesão com tratamento antes da gestação, e a diretriz brasileira recomenda aconselhar sobre esse risco quem planeja engravidar 8.

O diabetes gestacional, aquele que surge durante a gravidez, é diferente: as mulheres que o desenvolvem não precisam de exame oftalmológico durante a gestação, porque não parecem ter risco maior de retinopatia 8.

Glicose que cai rápido e o que as canetas têm com isso

Baixar a glicose protege a retina a longo prazo 8, mas uma queda muito rápida pode piorar a retinopatia temporariamente. O fenômeno é conhecido desde os estudos com insulina, e é por isso que a diretriz brasileira recomenda considerar a avaliação da retina antes de começar o tratamento em quem tem diabetes mal controlado há muito tempo 8.

A semaglutida entrou nessa conversa por causa de um ensaio clínico de 2 anos com pessoas com diabetes tipo 2 de longa duração, glicose mal controlada e alto risco cardiovascular. A bula brasileira da semaglutida (Wegovy) descreve que complicações da retinopatia ocorreram em 3,0% de quem usou semaglutida e em 1,8% de quem recebeu uma injeção sem o remédio, que a diferença apareceu cedo e que isso foi observado em pacientes que usavam insulina e já tinham retinopatia conhecida 9. A mesma bula informa que não há experiência com o remédio em quem tem retinopatia diabética não controlada ou instável, e não recomenda o uso nessas pessoas 9.

O conjunto dos estudos aponta para a velocidade da queda da glicose, e não para um efeito tóxico do remédio na retina. Uma revisão sistemática de 2026 encontrou esse sinal só naquele ensaio, e nenhum outro ensaio clínico mostrou progressão maior da retinopatia com essa classe de remédios 4. Um consenso europeu de oftalmologistas e especialistas em diabetes chegou à mesma leitura e concluiu que os benefícios superam os riscos oculares, desde que a retina seja examinada antes de começar, principalmente em quem tem mais de 10 anos de diabetes ou hemoglobina glicada acima de 10% 3.

Na prática, o que eu faço antes de iniciar semaglutida em alguém com diabetes de longa data e glicada muito alta é conferir quando foi o último exame de retina e, se ele não for recente, pedir antes de começar. O erro comum nessa situação é começar a caneta sem saber como a retina estava no dia zero, e ele se evita com um pedido de exame.

Neuropatia óptica: o risco raro que a bula passou a citar

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica é uma falta de circulação no nervo óptico, que se apresenta como perda súbita de visão, em geral em um olho só e sem dor. A bula brasileira da semaglutida para obesidade incluiu essa condição nas advertências: estudos epidemiológicos indicam risco aumentado durante o tratamento, sem um prazo definido para quando pode aparecer, com cerca de 1 caso a mais a cada 10.000 pessoas tratadas por ano em adultos com diabetes tipo 2 9. A orientação da bula é que perda súbita de visão leve a exame oftalmológico, e que o remédio seja suspenso se o diagnóstico for confirmado 9.

O risco absoluto é baixo nas análises que o calcularam. Uma metanálise de estudos observacionais em diabetes tipo 2 estimou um risco absoluto de 0,014%, cerca de 1 caso a mais a cada 7.000 pessoas tratadas por ano 5. Outra, que separou os dados por indicação, encontrou cerca de 27 casos a cada 100 mil pessoas por ano com semaglutida contra 19 sem ela nos estudos observacionais de diabetes, e não encontrou aumento de risco nos estudos de uso para emagrecimento nem nos ensaios clínicos 6. Uma terceira classificou a certeza da evidência como baixa ou muito baixa e mostrou que o resultado mudava ao retirar um único estudo 7.

Na minha leitura, isso não é motivo para deixar de usar o remédio, e é motivo para duas atitudes concretas: contar à pessoa que esse risco existe e o que fazer se a visão cair de repente, e redobrar a conversa com quem já perdeu a visão de um olho ou já teve essa neuropatia, que é o cenário em que o consenso europeu recomenda discutir o risco antes de prescrever 3.

O que protege a retina além do exame

O exame acha a lesão; quem reduz a chance de ela aparecer é o tratamento do diabetes. A diretriz brasileira recomenda otimizar o controle da glicose e o da pressão arterial para reduzir o risco e retardar a progressão da retinopatia 8. Os números de glicada de 6% e de 10% da seção sobre o intervalo dos exames mostram o tamanho dessa diferença 2.

Quando a retinopatia chega a uma fase que ameaça a visão, há tratamento eficaz. A diretriz americana indica encaminhamento rápido ao especialista em retina, laser para as formas mais graves e injeções de medicamento dentro do olho, que são hoje o tratamento de primeira linha para o inchaço do centro da retina que prejudica a visão 1. O rastreamento existe para que a lesão seja encontrada enquanto esse tratamento ainda pode prevenir a perda de visão 8.

Em resumo, o que eu diria numa consulta

O exame de retina é o único jeito de saber como estão os vasos do fundo do olho, porque a retinopatia pode ameaçar a visão sem nenhum sintoma 1. Quem tem diabetes tipo 2 faz o primeiro no diagnóstico, e quem tem tipo 1 aos 5 anos de doença 1,8. Depois, o padrão brasileiro é anual 8; espaçar para 2 anos é aceitável pela diretriz americana só para quem teve exames normais e mantém a glicose na meta 1,2. Na gravidez de quem já tinha diabetes, o exame vai para cada trimestre 8. A semaglutida pede exame de retina antes do início em quem tem diabetes antigo e glicose muito alta 3,8, e perda súbita de visão durante o uso pede avaliação imediata 9, com risco absoluto baixo de neuropatia óptica 5,6.

A frase para levar: enxergar bem não é o resultado do exame de retina, e a data do seu último fundo de olho com a pupila dilatada vale tanto quanto a sua última hemoglobina glicada. Se você não lembra quando fez o seu, esse é o assunto da próxima consulta.

Quando procurar um endocrinologista

Vale marcar uma avaliação se você tem diabetes e não sabe quando fez o último exame de retina com a pupila dilatada; se recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2 e ainda não examinou a retina; se tem diabetes tipo 1 há mais de 5 anos sem esse acompanhamento; se está planejando engravidar e já tem diabetes; se a hemoglobina glicada está muito alta há anos e você vai começar ou intensificar o tratamento, inclusive com caneta; se tem retinopatia e pressão alta ao mesmo tempo; e se usa semaglutida e tem dúvida sobre o que observar na visão. Perda súbita de visão, sombra que cobre parte do campo visual ou muitos pontos escuros novos pedem atendimento oftalmológico no mesmo dia. Este texto não substitui a avaliação individual e não prescreve tratamento pela internet.


Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame oftalmológico nem a avaliação individual. Nenhuma medicação para diabetes ou obesidade deve ser iniciada, ajustada ou suspensa por conta própria.

Se você tem diabetes e quer organizar os exames de acompanhamento e o tratamento, agende uma avaliação com um endocrinologista.

Leia também

Fontes científicas

  1. American Diabetes Association Professional Practice Committee for Diabetes. 12. Retinopathy, Neuropathy, and Foot Care: Standards of Care in Diabetes-2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S261-S276. doi:10.2337/dc26-S012.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41358886/ · PubMed 41358886
  2. DCCT/EDIC Research Group, Nathan DM, Bebu I, Hainsworth D, Klein R, Tamborlane W, et al. Frequency of Evidence-Based Screening for Retinopathy in Type 1 Diabetes. N Engl J Med. 2017;376(16):1507-1516. doi:10.1056/NEJMoa1612836.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28423305/ · PubMed 28423305
  3. Carter P, Simó R, Lövestam-Adrian M, Pearce I, Bain SC, Dinah C, et al. Addressing the risk of ocular complications of GLP-1RAs; a multi-disciplinary expert consensus. Diabetes Obes Metab. 2025;27(12):7535-7543. doi:10.1111/dom.70160.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41058255/ · PubMed 41058255
  4. Francisco C, Neves JS, Laiginhas R, Falcão M. Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and diabetic retinopathy: a systematic review of diabetic retinopathy outcomes. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2026. doi:10.1007/s00417-026-07430-x.
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  5. Chrzanowski J, Walicka M, Burzyński J, Zaraś M, Michalak A, Fendler W. Semaglutide-associated risk of nonarteritic anterior ischemic optic neuropathy in patients with type 2 diabetes: A systematic review and meta-analysis of observational studies. PLoS Med. 2026;23(5):e1005064. doi:10.1371/journal.pmed.1005064.
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    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41692115/ · PubMed 41692115
  8. Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo da retinopatia diabética (Malerbi F, Andrade R, Morales P, Travassos S). Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, capítulo com última revisão em 21/12/2021, doi:10.29327/557753.2022-17
    https://diretriz.diabetes.org.br/manejo-da-retinopatia-diabetica/
  9. Bula profissional de Wegovy (semaglutida), Novo Nordisk do Brasil: advertências sobre retinopatia diabética e neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, e reações adversas
    https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Wegovy_Bula_Profissional.pdf

Fontes jornalísticas

Dúvidas dos leitores

Fiz exame de vista para trocar os óculos. Isso já conta como o exame da retina?

Não necessariamente. O exame de grau mede quanto a lente precisa corrigir, e a retinopatia diabética é procurada no fundo do olho, com a pupila dilatada e com mapeamento de retina ou retinografia, que é a fotografia padronizada da retina. Vale perguntar ao oftalmologista se o fundo de olho foi examinado com dilatação. Um detalhe prático: a glicose alta muda o grau temporariamente, e a diretriz brasileira recomenda avaliar o controle da glicose antes do exame para óculos, porque a receita feita com a glicose descontrolada pode não servir depois que ela se acerta.

Uso semaglutida e minha visão ficou embaçada. Devo parar a caneta?

Não suspenda por conta própria, mas não espere a próxima consulta de rotina. Perda súbita de visão, em um olho ou nos dois, pede avaliação oftalmológica sem demora, e é o próprio exame que define se há relação com o remédio. Visão que embaça e melhora ao longo dos dias pode ser mudança de grau acompanhando a variação da glicose, que também precisa ser avaliada. Avise quem prescreveu a caneta, porque a decisão de manter, ajustar ou suspender depende do que o oftalmologista encontrar.

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