
Caneta de emagrecimento protege o coração? O que o estudo da tirzepatida realmente mostrou
Em resumo: a agência regulatória americana aprovou em 28 de agosto a tirzepatida (Mounjaro) para reduzir risco de eventos cardiovasculares em adultos com diabetes tipo 2, e as manchetes falaram em 8% de redução. O estudo que sustenta a decisão, o SURPASS-CVOT, comparou a tirzepatida com a dulaglutida (Trulicity), outra caneta semanal que já tinha proteção do coração comprovada, e não com placebo1,4. Nessa comparação, morte cardiovascular, infarto ou derrame aconteceram em 12,2% de quem usou tirzepatida e em 13,1% de quem usou dulaglutida, ao longo de cerca de quatro anos1. A diferença ficou dentro da margem que o estudo tinha se proposto a testar para dizer que a tirzepatida não é pior, mas não alcançou o critério para dizer que ela é melhor1. Não existe estudo de desfecho cardiovascular da tirzepatida contra placebo, e o desenho sem placebo foi deliberado1. No Brasil, a bula vigente da tirzepatida (Mounjaro) indica diabetes tipo 2 e controle crônico do peso, e não redução de risco cardiovascular7.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 29/08/2026
O que saiu na notícia
Nesta sexta-feira, 28 de agosto, a imprensa noticiou que o FDA, sigla de Food and Drug Administration, a agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, ampliou a indicação da tirzepatida (Mounjaro) para reduzir o risco de infarto e de derrame em adultos com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular. A cobertura circulou em português pela Reuters, pelo Valor e por vários portais no mesmo dia.
Boa parte das matérias trouxe um número: a tirzepatida teria reduzido eventos cardíacos graves 8% a mais do que o comparador. O número existe e não foi inventado. O que quase nenhuma matéria explicou é contra o que essa comparação foi feita, e o que o próprio estudo concluiu sobre ela. As duas coisas mudam a leitura.
O que o estudo comparou, e por que isso muda tudo
O estudo se chama SURPASS-CVOT e foi publicado no New England Journal of Medicine em dezembro de 20251. Ele sorteou 13.299 pessoas com diabetes tipo 2 e doença já instalada nas artérias para receber, uma vez por semana e por injeção, tirzepatida em dose de até 15 mg ou dulaglutida em dose de 1,5 mg. Ninguém, nem paciente nem médico, sabia quem estava em qual grupo.
O detalhe decisivo é o grupo de comparação. Quase todo estudo grande de medicamento compara o remédio novo com uma injeção sem efeito, o placebo, porque assim se mede o efeito contra nada. Aqui não foi assim: a dulaglutida é um medicamento que já havia demonstrado, num estudo anterior contra placebo, reduzir eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 24. Ou seja, a tirzepatida não foi comparada com nada. Foi comparada com algo que já funciona.
Os autores explicam que a ausência de um braço de placebo foi uma escolha deliberada, porque o benefício dessa classe de medicamentos já estava estabelecido e deixar metade das pessoas sem tratamento comprovado seria difícil de justificar1. A escolha é defensável do ponto de vista ético. Ela só precisa ser lembrada na hora de ler o resultado.
O que o resultado mostrou, em português
O desfecho principal juntava três coisas: morte por causa cardiovascular, infarto e derrame. Ao longo de um acompanhamento que durou cerca de quatro anos, esse desfecho aconteceu em 801 das 6.586 pessoas do grupo da tirzepatida, ou 12,2%, e em 862 das 6.579 pessoas do grupo da dulaglutida, ou 13,1%1.
A diferença entre os dois grupos foi de menos de um ponto percentual em quatro anos. Cada um dos três componentes isolados, morte cardiovascular, infarto e derrame, apontou numericamente a favor da tirzepatida, e nenhum deles alcançou diferença que se firmasse na análise1.
As pessoas do estudo tinham em média 64 anos, 29% eram mulheres, o índice de massa corporal médio era 32,6 e a hemoglobina glicada média era 8,4%, com diabetes de quase 15 anos de duração1. É gente com diabetes de longa data, sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular já estabelecida. Não é a pessoa que começou uma caneta este mês para perder dez quilos.
A diferença entre "não é pior" e "é melhor"
O ponto que a manchete atropelou não é preciosismo estatístico.
Existem duas perguntas diferentes que um estudo pode fazer. A primeira é: o remédio novo é pelo menos tão bom quanto o antigo? A segunda é: o remédio novo é melhor que o antigo? São perguntas distintas, com critérios distintos, e um estudo pode responder sim para a primeira e não para a segunda. Foi exatamente o que aconteceu.
O SURPASS-CVOT foi desenhado para testar primeiro se a tirzepatida não era pior que a dulaglutida, com uma margem acertada com os reguladores antes de o estudo começar. Esse critério foi cumprido1,3. O critério para declarar superioridade, que era mais exigente, não foi cumprido1. A conclusão publicada pelos autores é literalmente essa: a tirzepatida foi não inferior à dulaglutida quanto ao conjunto de morte cardiovascular, infarto e derrame1.
O tal 8% é a tradução em porcentagem da diferença relativa entre os dois grupos, e essa diferença ficou numa faixa que ainda inclui a possibilidade de não haver diferença nenhuma. Na linguagem que uso no consultório: a tirzepatida ficou por cima, mas não o suficiente para que se possa afirmar que ficou por cima. É uma tendência que não se firmou, e escrever "reduziu 8%" transforma tendência em fato.
Na minha leitura, isso não diminui a aprovação. Mostrar que uma caneta não perde para outra que já protege o coração é informação clínica valiosa, e a interpretação de que a não inferioridade confirma um perfil cardioprotetor, e não apenas seguro, é defendida por quem comentou o estudo3. O que não cabe é vender isso como uma caneta que protege mais que as outras.
O número que apareceu depois, e o peso dele
Uma análise posterior, publicada na JAMA Cardiology em 2026, alargou o desfecho para seis componentes, somando morte por qualquer causa, infarto, derrame, revascularização, insuficiência cardíaca e desfechos renais adversos2. Nesse recorte mais amplo, a diferença absoluta favorável à tirzepatida foi de 3,7 pontos percentuais, o que corresponde a tratar cerca de 27 pessoas por volta de quatro anos para evitar um desses eventos.
Esse número é chamativo e precisa vir com a etiqueta certa. Ele não era a pergunta original do estudo: foi montado depois de os resultados serem conhecidos, e os próprios autores o classificam como gerador de hipótese, justamente porque o desfecho principal, definido antes, não alcançou superioridade2.
Análise feita depois de ver o resultado é uma ferramenta legítima de pesquisa e uma armadilha comum de comunicação. Ela serve para desenhar o próximo estudo, não para fechar a conta deste. Eu a menciono porque ela vai aparecer em material de divulgação nos próximos meses, e quem só vir os 3,7 pontos percentuais sem a etiqueta vai achar que a pergunta já foi respondida.
Por que não existe comparação com placebo
Não há estudo de desfecho cardiovascular da tirzepatida contra placebo em pessoas com diabetes tipo 2, e essa lacuna é estrutural, não um descuido1. Quando a tirzepatida chegou, a classe dos análogos de GLP-1 já tinha benefício cardiovascular demonstrado, e o padrão ético passou a ser comparar com tratamento ativo.
A consequência prática é que a pergunta "quanto a tirzepatida reduz o risco em relação a não usar nada" não tem, e provavelmente nunca terá, uma resposta direta em ensaio clínico nessa população. O que se tem é uma cadeia: a dulaglutida reduziu eventos contra placebo4, e a tirzepatida não ficou atrás da dulaglutida1. A cadeia é razoável e é diferente de medição direta.
Para quem tem obesidade sem diabetes, o cenário é outro e vale separar. A evidência de proteção cardiovascular nesse grupo veio da semaglutida, em estudo próprio contra placebo em pessoas com obesidade e doença cardiovascular sem diabetes5. A tirzepatida tem eficácia de peso bem documentada nessa população6, mas eficácia de peso e redução de eventos cardiovasculares são desfechos diferentes, e um não substitui o outro.
O que vale no Brasil hoje
A aprovação noticiada é da agência americana. O texto que vale aqui é a bula vigente registrada na Anvisa, e ela traz duas indicações para a tirzepatida (Mounjaro): melhorar o controle glicêmico de adultos com diabetes tipo 2, em conjunto com dieta e exercícios, e controle crônico do peso em adultos com índice de massa corporal a partir de 30, ou a partir de 27 na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso7.
Redução de risco cardiovascular não está entre elas. O único lugar da seção de indicações onde a palavra cardiovascular aparece é fácil de ler ao contrário: doença cardiovascular é citada como um dos exemplos de comorbidade que, somada ao sobrepeso, qualifica a pessoa para a indicação de peso7. É o oposto de dizer que o remédio é indicado para tratar o risco cardiovascular.
Essa divergência entre as duas agências é comum e não é contradição: cada uma avalia o mesmo pacote de evidência no seu próprio calendário e com o seu próprio critério. A indicação americana pode ou não vir a ser espelhada aqui, e isso depende de um pedido do fabricante à Anvisa e da análise dela.
Na prática do consultório, a diferença é menos dramática do que parece. A escolha do medicamento no diabetes tipo 2 já considera o coração há anos, com ou sem a frase escrita na bula. O que a indicação registrada muda é o que se pode afirmar em material de divulgação e, em alguns contextos, a conversa com convênio.
Se você já usa uma caneta, isso muda alguma coisa?
Suponha que você tenha diabetes tipo 2, use uma caneta semanal e tenha lido a manchete. Existem dois caminhos legítimos aqui, e os dois têm defensores.
Trocar de caneta custa recomeçar a escada de dose, atravessar de novo o período de enjoo e alteração intestinal que costuma acompanhar o início, e assumir a diferença de preço e de disponibilidade entre as apresentações. Poupa a sensação de estar num tratamento que ficou para trás e, se o controle atual não estiver bom, pode entregar um controle melhor do açúcar e mais perda de peso.
Não trocar poupa tudo isso e mantém um tratamento que já se provou tolerável para você. Custa conviver com a dúvida de estar deixando algo na mesa, ainda que o estudo não tenha demonstrado que há algo na mesa.
O que nenhum estudo mede, e por isso a decisão é sua: o quanto vale para você a estabilidade de algo que já funciona, quanto pesa no seu orçamento a diferença entre as apresentações, o quanto o enjoo do início atrapalhou a sua vida da primeira vez, e se você é do tipo que dorme melhor tendo feito a mudança ou tendo mantido o que estava. Eu tenho uma preferência, que é não trocar tratamento que está funcionando por causa de notícia. Minha preferência não é a recomendação: ela é o meu jeito de pesar risco, e o seu caso tem variáveis que o meu jeito não enxerga.
O que ainda não se sabe
Não se sabe se a tirzepatida é superior à dulaglutida para o coração, e o estudo desenhado para responder isso não conseguiu1. Não se sabe qual seria o tamanho do benefício contra placebo, e não haverá ensaio para medir1. Não se sabe se o resultado do desfecho ampliado, o de seis componentes, se confirmaria num estudo desenhado para testá-lo desde o início2.
Também não se sabe o que acontece em quem tem obesidade sem diabetes, que é boa parte de quem usa caneta hoje. Para esse grupo, a evidência cardiovascular disponível é de outra molécula5.
Uma última incerteza é se o resultado se transfere para outra gente. As pessoas do SURPASS-CVOT tinham doença nas artérias já estabelecida e diabetes de quase quinze anos1. Quem tem diabetes recente e coração sem doença conhecida corre risco bem menor, e benefício medido em população de alto risco costuma encolher quando aplicado a risco baixo.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
A notícia é boa e é mais estreita do que parece. Uma caneta a mais teve o coração testado com seriedade, em treze mil pessoas por quatro anos, e passou no teste de não ser pior que uma concorrente que já protegia1,4. Isso é diferente de ter provado que protege mais, e a diferença aparece no próprio estudo publicado: o critério de superioridade não foi alcançado1.
Os riscos práticos de ler a manchete pela metade são dois, e são opostos. Um é trocar um tratamento que funciona atrás de um benefício que o estudo não demonstrou, pagando o preço do recomeço para nada. O outro é o inverso: concluir que a caneta "não funciona para o coração" e descartar uma opção que se mostrou pelo menos equivalente a um medicamento com proteção comprovada.
A frase para levar embora: no diabetes tipo 2 com doença cardiovascular, a tirzepatida entrou na lista das opções defensáveis, e não no topo dela. Com essa notícia circulando, eu espero que a pergunta sobre trocar de caneta apareça mais nas consultas das próximas semanas, e ela merece ser respondida olhando o seu controle e a sua tolerância, não a data da manchete.
Se você usa caneta e ficou em dúvida, não mude nada por conta própria antes de conversar com quem acompanha você. O que faz sentido é levar a pergunta pronta para a próxima consulta.
Procure um endocrinologista se você tem diabetes tipo 2 e nunca conversou sobre qual tratamento faz mais sentido para o seu risco de coração; se já teve infarto, derrame ou colocou stent e não sabe se a sua medicação de diabetes foi escolhida pensando nisso; se usa uma caneta e o açúcar segue fora da meta; se está considerando trocar de medicação por causa de notícia; ou se usa caneta para peso, sem diabetes, e quer entender o que a evidência cobre e o que ela ainda não cobre no seu caso. Nada disso se resolve pela internet, e este texto não substitui a avaliação de quem examina você.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem a prescrição de um profissional habilitado. Nenhuma das medicações citadas deve ser iniciada, trocada ou interrompida por conta própria: todas exigem avaliação individual, têm efeitos adversos e contraindicações, e a indicação registrada em bula pode mudar.
Se você tem diabetes tipo 2 e quer entender qual tratamento faz mais sentido para o seu risco cardiovascular, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
- Nicholls SJ, Pavo I, Bhatt DL, Buse JB, Del Prato S, Kahn SE, et al. Cardiovascular Outcomes with Tirzepatide versus Dulaglutide in Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2025;393(24):2409-2420. doi:10.1056/NEJMoa2505928.
→ https://doi.org/10.1056/NEJMoa2505928 · PubMed 41406444 - Nissen SE, Wolski K, D'Alessio D, Weerakkody G, Kiljanski J, Wiese RJ, et al. Cardiorenal Outcomes With Tirzepatide Compared With Dulaglutide in Patients With Diabetes and Cardiovascular Disease. JAMA Cardiol. 2026;11(6):544. doi:10.1001/jamacardio.2026.0767.
→ https://doi.org/10.1001/jamacardio.2026.0767 · PubMed 41903177 - Cosentino N, Krittanawong C, Pontone G. Tirzepatide and Cardioprotection in Type 2 Diabetes: Insights From SURPASS-CVOT. Diabetes Obes Metab. 2026;28(7):5413-5415. doi:10.1111/dom.70766.
→ https://doi.org/10.1111/dom.70766 - Gerstein HC, Colhoun HM, Dagenais GR, Diaz R, Lakshmanan M, Pais P, et al. Dulaglutide and cardiovascular outcomes in type 2 diabetes (REWIND): a double-blind, randomised placebo-controlled trial. Lancet. 2019;394(10193):121-130. doi:10.1016/S0140-6736(19)31149-3.
→ https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31149-3 · PubMed 31189511 - Lincoff AM, Brown-Frandsen K, Colhoun HM, Deanfield J, Emerson SS, Esbjerg S, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023;389(24):2221-2232. doi:10.1056/NEJMoa2307563.
→ https://doi.org/10.1056/NEJMoa2307563 · PubMed 37952131 - Jastreboff AM, Aronne LJ, Ahmad NN, Wharton S, Connery L, Alves B, et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. N Engl J Med. 2022;387(3):205-216. doi:10.1056/NEJMoa2206038.
→ https://doi.org/10.1056/NEJMoa2206038 · PubMed 35658024 - Bula vigente da tirzepatida (Mounjaro) hospedada pela Anvisa, seção Para que este medicamento é indicado
→ https://bula-anvisa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/112600202_paciente.pdf
Fontes jornalísticas
- Reuters via InfoMoney: agência dos EUA aprova a tirzepatida (Mounjaro), da Lilly, para reduzir risco cardiovascular (28/08/2026) → https://www.infomoney.com.br/saude/agencia-dos-eua-fda-aprova-mounjaro-da-lilly-para-reduzir-risco-cardiovascular/
- Valor Econômico: regulador dos EUA aprova a tirzepatida (Mounjaro), da Eli Lilly, para reduzir risco cardiovascular (28/08/2026) → https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/08/28/regulador-dos-eua-aprova-mounjaro-da-eli-lilly-para-reduzir-risco-ca
Dúvidas dos leitores
Eu uso a caneta para emagrecer, não tenho diabetes. Essa notícia vale para mim?
Não diretamente. O estudo que sustenta a aprovação incluiu só adultos com diabetes tipo 2 que já tinham doença nas artérias, com idade média de 64 anos e diabetes de longa data. Quem usa caneta para tratar obesidade sem diabetes está fora dessa população, e para esse grupo a evidência de proteção do coração que existe hoje é de outra molécula, a semaglutida. Isso não quer dizer que a tirzepatida faça mal ao coração, quer dizer que ainda não foi medida nessa situação.
Devo pedir para trocar minha caneta por causa disso?
Essa é uma conversa para a consulta, e a resposta honesta é que a notícia sozinha não obriga ninguém a trocar. O estudo não mostrou que a tirzepatida protege mais que a outra caneta testada: mostrou que ela não protege menos. Se o seu tratamento atual está funcionando, com açúcar controlado e sem efeito adverso que atrapalhe, trocar por causa de uma manchete costuma render mais incômodo do que ganho. Se ele não está funcionando, aí a conversa é outra e vale ter, independentemente da notícia.
No Brasil já posso usar a tirzepatida para proteger o coração?
A aprovação anunciada é da agência americana, não da Anvisa. A bula vigente aqui traz duas indicações para a tirzepatida (Mounjaro), controle do açúcar no diabetes tipo 2 e controle crônico do peso, e nenhuma delas é redução de risco cardiovascular7. A palavra cardiovascular aparece uma única vez na seção de indicações, e no sentido oposto ao da manchete: como um exemplo de doença que, junto com sobrepeso, qualifica a pessoa para a indicação de peso7. Isso não impede o médico de considerar o coração ao escolher o tratamento, o que já se faz há anos, mas é diferente de existir indicação registrada aqui.
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