
Manchas escuras no pescoço: não é sujeira, é um sinal que pede exame de sangue
Em resumo: a mancha aveludada e escurecida na nuca, nas axilas e nas dobras chama-se acantose nigricans e é um dos sinais mais confiáveis de insulina alta que dá para ver a olho nu. Em adultos de meia-idade, entre os que tinham a mancha e já vinham com glicose alterada, cerca de 96 em cada 100 tinham mesmo resistência à insulina 2. Uma revisão sistemática publicada em julho de 2026 encontrou que, nos estudos em que todos os participantes tinham a mancha, 67,4% preenchiam os critérios completos de síndrome metabólica 1. No Brasil, a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes lista a acantose nigricans entre os critérios que indicam fazer o rastreamento de diabetes tipo 2, em adultos e em crianças 12. Esfregar não adianta, porque a cor vem da pele que ficou mais grossa.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 24/08/2026
Contexto: o que saiu na mídia
Circulou no fim de semana uma reportagem sobre as manchas escuras que aparecem no pescoço e nas axilas, com o recado de que elas não são falta de higiene e podem sinalizar resistência à insulina. O recado está certo, e é um dos poucos temas em que a versão que chega ao público é fiel ao que a literatura mostra.
O que costuma faltar nessas matérias é o passo seguinte, que é o que decide alguma coisa: o que fazer quando a pessoa se reconhece na descrição. A mancha é útil justamente porque ela aponta para um exame, e não porque ela mesma seja o diagnóstico.
O que é essa mancha (e por que ela não sai esfregando)
Acantose nigricans é uma placa de pele mais escura, mais espessa e com textura aveludada, quase sempre em áreas de dobra e atrito. A localização é bastante típica: o pescoço, na parte de trás e nas laterais, é o local mais frequente, seguido das axilas, e ela também aparece na virilha, nos cotovelos e nos nós dos dedos 2,3. Num estudo mexicano com 320 adultos de 40 a 60 anos, entre as 240 pessoas que já tinham glicose alterada os locais mais atingidos foram o pescoço, em 29,6% delas, e os nós dos dedos, em 26,7% 2.
O ponto que muda o entendimento de tudo é este: a cor escura não vem de mais melanina, o pigmento que dá cor à pele. Ela vem do espessamento da própria pele, que ganha camadas e relevo e passa a refletir menos luz. É o mesmo motivo pelo qual a pele do cotovelo e do joelho, que é naturalmente mais espessa, parece mais escura que a do antebraço.
Isso explica por que esfregar não resolve, e por que bucha e sabão agressivo tendem a piorar, somando irritação e mais espessamento a um problema que nunca esteve na superfície. Também explica por que a mancha demora a sair mesmo quando a causa é tratada: o que precisa mudar é a espessura da pele, e isso leva meses.
Por que a insulina engrossa a pele
A insulina é o hormônio que coloca o açúcar do sangue para dentro das células. Quando o corpo responde mal a ela, o pâncreas compensa produzindo mais, e a pessoa passa a circular com insulina alta mesmo com a glicose ainda normal. Esse estado é o que se chama de resistência à insulina.
Em concentração alta, a insulina deixa de agir só onde deveria. Ela passa a estimular receptores de fatores de crescimento nas células da pele, os queratinócitos, e nos fibroblastos da derme, e o resultado é multiplicação celular onde não havia motivo para multiplicar 3,4. A pele responde ficando mais grossa nas áreas de atrito, que são as que já sofrem estímulo mecânico.
Vista assim, a mancha deixa de ser um problema estético com causa misteriosa e passa a ser o que ela é: um efeito visível de um hormônio que está sobrando. É por isso que ela funciona como sinal, e é por isso que ela responde quando o excesso de insulina cede.
O que a mancha diz sobre o risco em adultos
Esse estudo avaliou de forma consecutiva 320 pessoas entre 40 e 60 anos, divididas em dois grupos: 80 com glicemia normal e 240 já com pré-diabetes ou diabetes. A mancha estava presente em 46,3% do total, sendo 36,3% no grupo com glicose normal e 49,6% no grupo com glicose alterada 2.
Entre as pessoas do grupo com glicose alterada que tinham a mancha, cerca de 96 em cada 100 tinham mesmo resistência à insulina medida em exame. No grupo com glicose ainda normal, esse número foi de cerca de 86 em cada 100 2. É um sinal que confirma bem quando está presente.
A recíproca não vale. Mais da metade das pessoas avaliadas não tinha a mancha, e esse estudo não mediu quantas delas tinham resistência à insulina assim mesmo, o que já basta para a conclusão prática: a ausência da mancha apenas não acrescenta informação, e não serve para descartar nada.
Para a síndrome metabólica, o conjunto que reúne cintura aumentada, pressão alta, triglicerídeos altos, colesterol bom baixo e glicose alterada, a revisão sistemática publicada em julho de 2026 reuniu 656 artigos, dos quais 322 eram relatos de caso. Nesse conjunto amplo, a resistência à insulina foi o componente mais associado à mancha, presente em 72,6%. A parte mais confiável do trabalho é uma subanálise que deixou os relatos de caso de fora e ficou só com os estudos em que todos os participantes tinham a mancha: nela, 67,4% preenchiam os critérios completos de síndrome metabólica 1.
O que a mancha diz em crianças e adolescentes
Na infância e na adolescência o sinal é ainda mais falante. A acantose nigricans é o achado de pele mais comum na obesidade pediátrica e caminha junto com marcadores de risco: resistência à insulina medida em exame, marcadores de inflamação mais altos e colesterol bom mais baixo 3,4.
A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes registra que a acantose nigricans está presente em quase 90% das crianças que recebem diagnóstico de diabetes tipo 2, e que a idade média desse diagnóstico é em torno dos 13 anos, justamente o período de maior resistência à insulina da vida 12.
Isso tem uma consequência prática que vale para qualquer família: a mancha no pescoço de uma criança com excesso de peso não é uma questão de pele para resolver com creme. É a indicação de um exame de sangue.
A parte que a evidência complica
Um estudo com 670 crianças mexicano-americanas, de 6 a 17 anos, aplicou modelagem estatística para separar o que causa o quê, e o resultado contraria a leitura simples do sinal: a obesidade explicava a associação entre resistência à insulina e a mancha, sem que se sustentasse uma relação causal direta entre a insulina alta e a lesão de pele naquela população 5.
A mancha talvez seja melhor entendida como um marcador composto de risco cardiometabólico, e não como um termômetro puro da insulina. Ela sinaliza um conjunto, do qual o peso é parte central, e não uma medida isolada.
Na minha leitura, isso não muda a conduta. O valor do sinal está em quem ele identifica, não no mecanismo exato que o produziu. Uma pessoa com a mancha continua sendo uma pessoa que merece o exame, e o exame continua sendo o mesmo. O achado serve para eu não prometer ao paciente que a mancha mede a insulina dele com precisão, porque ela não mede.
O que diz a diretriz brasileira
No Brasil a orientação é objetiva e vale a pena conhecer, porque ela transforma o sinal em conduta. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes indica rastreamento de diabetes tipo 2 para todo adulto acima de 35 anos, e para adultos abaixo dessa idade que tenham sobrepeso ou obesidade mais um fator de risco adicional. A acantose nigricans está nessa lista de fatores, ao lado de história familiar de diabetes em parente de primeiro grau, hipertensão, colesterol bom abaixo de 35 mg/dL, triglicerídeos acima de 250 mg/dL, síndrome dos ovários policísticos e sedentarismo 12.
Em crianças e adolescentes, o critério é sobrepeso ou obesidade, mais idade a partir de 10 anos ou puberdade já iniciada, mais um ou mais fatores adicionais, e a acantose nigricans também está entre eles 12.
Há um ponto em que a diretriz brasileira se afasta deliberadamente da literatura internacional, e a diferença é conteúdo, não defasagem. Os textos americanos costumam destacar que o sinal é especialmente preditivo em determinados grupos étnicos. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes considera inadequado contabilizar etnia entre os critérios de rastreamento na população brasileira, pela miscigenação do país 12. As duas posições são defensáveis, cada uma para a população que descreve, e para quem lê daqui a que vale é a brasileira.
Quando a mancha não é sobre insulina
Duas situações fogem do roteiro, e é por causa delas que a avaliação é presencial.
A primeira são os medicamentos. Uma revisão sistemática de 38 estudos identificou 13 fármacos capazes de provocar a mancha, sendo o ácido nicotínico, também chamado de niacina, e a própria insulina os dois mais frequentemente descritos. A lista inclui ainda corticoides por via sistêmica, anticoncepcionais orais e estrogênios, e inibidores de protease. O comportamento típico é bom de saber: a mancha causada por remédio costuma regredir depois que o medicamento é suspenso 7. É uma causa que se resolve identificando, e por isso a pergunta sobre o que a pessoa começou a tomar nos últimos meses entra cedo na consulta.
A segunda é rara e séria. Existe uma forma associada a tumor, que responde por menos de 1% dos casos em adultos, e nela a mancha é um sinal produzido a distância pelo próprio câncer. O quadro é diferente: aparecimento abrupto em vez de gradual, extensão grande e rápida, áreas incomuns, e adulto sem excesso de peso. Os tumores envolvidos costumam ser agressivos, com sobrevida média em torno de 12 meses após a detecção do câncer, o que explica por que esse cenário justifica investigação rápida 8,9.
Escrevo isso com um cuidado deliberado: menos de 1% é muito pouco, e a leitura correta não é sair procurando câncer. A leitura correta é que a velocidade e o contexto do aparecimento mudam a conduta, e por isso a pergunta que eu faço na consulta é há quanto tempo a mancha apareceu e se ela veio devagar, ao longo de anos, ou rápido, em semanas.
A mancha sai? O que faz ela voltar atrás
Sai, na maioria das vezes, e a razão é anatômica: a pele em si é normal e está apenas reagindo a um estímulo. Retirado o estímulo, ela tende a voltar ao que era 3.
A evidência mais forte é a da perda de peso. Uma coorte prospectiva acompanhou 319 pessoas com obesidade submetidas a cirurgia bariátrica pela técnica de gastrectomia vertical, das quais 141 tinham a mancha, e observou remissão em 86,5% delas, ou seja, 122 das 141. A melhora da pele acompanhou a redução medida da espessura da epiderme e da pigmentação 10. É um estudo observacional, sem grupo de comparação que não tenha operado, então ele mostra o que acontece depois da cirurgia, não que a cirurgia seja o único caminho.
Perda de peso sem cirurgia também reverte, e as lesões do pescoço e das dobras podem desaparecer por completo com redução de peso e tratamento da resistência à insulina 3.
A metformina aparece associada à melhora, mas com evidência mais frágil, e isso precisa ser dito com a força que ela tem: são relatos de caso e séries pequenas, não ensaios randomizados. Um caso documentado descreve resolução completa de uma acantose extensa no tronco após cerca de dois anos de metformina somada à perda de peso 11. Dois anos, e não duas semanas, é a escala de tempo realista de que estamos falando.
Sobre as canetas injetáveis que mais chegam à consulta hoje, como a semaglutida e a tirzepatida, a resposta honesta é que faltam estudos avaliando diretamente a regressão da mancha com elas. É razoável esperar melhora, já que elas produzem perda de peso e melhora da resistência à insulina, que são exatamente os mecanismos que funcionam. Mas isso é raciocínio, não medida, e eu prefiro dizer que não foi estudado a dar um número que ninguém produziu.
Os tratamentos tópicos, com ureia ou derivados de vitamina A, produzem melhora cosmética modesta e não tocam na causa.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
A mancha é uma boa notícia disfarçada de problema estético. Ela é um dos poucos sinais de risco metabólico que o corpo mostra de graça, sem exame e sem custo, e ela aparece antes de o diagnóstico de diabetes existir. Quem a percebe cedo ganha tempo.
O que ela pede é um exame de sangue, não um creme. No Brasil, o que a mancha aciona é o rastreamento de diabetes, com glicemia de jejum e hemoglobina glicada 12. Na prática eu costumo pedir junto o perfil de colesterol e triglicerídeos e uma avaliação do fígado, porque são as companhias frequentes do quadro. Vale conhecer uma referência a mais: a diretriz da Society for Endocrinology sobre excesso de androgênios em mulheres, entidade britânica que reúne endocrinologistas, lista a acantose nigricans como gatilho para investigar resistência à insulina grave e detalha esse painel, incluindo insulina e glicose de jejum colhidas no mesmo tubo e o teste de tolerância à glicose quando os exames iniciais ficam em cima do muro, por ser mais sensível que a glicada para pegar alteração precoce 6. A partir daí a conversa deixa de ser sobre a pele e passa a ser sobre o risco que ela revelou.
Aqui existe uma escolha real, e ela é sua. Dá para tratar a mancha e dá para tratar a causa, e as duas coisas custam coisas diferentes. Tratar a mancha por fora é mais rápido, mais barato no começo e melhora o que incomoda hoje, que costuma ser andar de gola alta no calor de Belém, ou evitar levantar o braço. Tratar a causa é lento, leva meses até a pele mudar, exige mexer em peso e em rotina, e em compensação é o único caminho que altera o desfecho que interessa, que é desenvolver ou não diabetes. Nenhum estudo mede o quanto aquela mancha pesa na sua autoestima, nem quanto tempo você tem disponível agora para uma mudança de rotina, e essas duas coisas entram legitimamente na conta. Minha preferência pessoal é começar pela causa e deixar o cuidado estético como acompanhante, mas isso é a minha preferência e não é a recomendação: quem se incomoda muito com a aparência tem razão em querer resolver as duas frentes ao mesmo tempo.
A pessoa que chega tendo esfregado a mancha por meses não foi descuidada. Ver algo escuro na pele e concluir que é sujeira é uma conclusão perfeitamente razoável para quem nunca ouviu falar de acantose nigricans, e o constrangimento que costuma vir junto é gratuito. A frase para levar embora é curta: a mancha não é sobre limpeza, é sobre metabolismo, e o lugar de investigar isso é no laboratório.
Quando procurar um endocrinologista
Vale marcar avaliação se você percebeu escurecimento aveludado no pescoço, nas axilas, na virilha ou nos nós dos dedos, principalmente junto com excesso de peso, história de diabetes na família, pressão alta ou alterações de colesterol. Se a mancha apareceu numa criança ou num adolescente com sobrepeso, a avaliação é indicada mesmo sem nenhum sintoma, porque é exatamente esse o cenário em que o rastreamento está recomendado no Brasil.
Procure com mais rapidez se a mancha surgiu de forma abrupta, se está se espalhando depressa e para áreas fora das dobras habituais, se veio acompanhada de perda de peso sem explicação, ou se apareceu em um adulto sem sobrepeso. E leve a lista dos remédios que você começou nos últimos meses, porque alguns deles causam a mancha e a suspensão resolve. Nada disso se decide pela internet nem por foto: o valor dessa avaliação está em juntar o que se vê na pele com o exame de sangue e com a sua história.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, e nenhuma conduta descrita aqui, incluindo o uso de metformina ou de medicamentos para perda de peso, deve ser iniciada por conta própria. A indicação, a dose e o acompanhamento dependem de avaliação individual.
Se essas manchas apareceram em você ou em alguém da sua família e você quer entender o que elas dizem sobre a saúde metabólica, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
- Gillespie J, Roland-McGowan J, Diehl K, Latour E, Nelson J, Tobey T, et al. Is Acanthosis Nigricans a Marker for Metabolic Syndrome? A Systematic Review. American Journal of Clinical Dermatology. 2026. doi:10.1007/s40257-026-01058-7.
→ https://doi.org/10.1007/s40257-026-01058-7 · PubMed 42501242 - Álvarez-Villalobos N, Rodríguez-Gutiérrez R, González-Saldivar G, Sánchez-García A, Gómez-Flores M, Quintanilla-Sánchez C, et al. Acanthosis nigricans in middle-age adults: A highly prevalent and specific clinical sign of insulin resistance. International Journal of Clinical Practice. 2019;74(3). doi:10.1111/ijcp.13453.
→ https://doi.org/10.1111/ijcp.13453 · PubMed 31769902 - Armstrong S, Lazorick S, Hampl S, Skelton J, Wood C, Collier D, et al. Physical Examination Findings Among Children and Adolescents With Obesity: An Evidence-Based Review. Pediatrics. 2016;137(2). doi:10.1542/peds.2015-1766.
→ https://doi.org/10.1542/peds.2015-1766 - Maguolo A, Maffeis C. Acanthosis nigricans in childhood: A cutaneous marker that should not be underestimated, especially in obese children. Acta Paediatrica. 2019;109(3):481-487. doi:10.1111/apa.15031.
→ https://doi.org/10.1111/apa.15031 · PubMed 31560795 - Lopez-Alvarenga J, Chittoor G, Paul S, Puppala S, Farook V, Fowler S, et al. Acanthosis nigricans as a composite marker of cardiometabolic risk and its complex association with obesity and insulin resistance in Mexican American children. PLOS ONE. 2020;15(10):e0240467. doi:10.1371/journal.pone.0240467.
→ https://doi.org/10.1371/journal.pone.0240467 · PubMed 33057385 - Elhassan Y, Hawley J, Cussen L, Abbara A, Clarke S, Kempegowda P, et al. Society for Endocrinology Clinical Practice Guideline for the Evaluation of Androgen Excess in Women. Clinical Endocrinology. 2025;103(4):540-566. doi:10.1111/cen.15265.
→ https://doi.org/10.1111/cen.15265 - Mourad A, Haber R. Drug-induced acanthosis nigricans: A systematic review and new classification. Dermatologic Therapy. 2021;34(2). doi:10.1111/dth.14794.
→ https://doi.org/10.1111/dth.14794 · PubMed 33480113 - Popa M, Popa A, Tanase C, Gheorghisan-Galateanu A. Acanthosis nigricans: To be or not to be afraid (Review). Oncology Letters. 2018. doi:10.3892/ol.2018.9736.
→ https://doi.org/10.3892/ol.2018.9736 · PubMed 30944606 - Braverman I. Skin signs of gastrointestinal disease. Gastroenterology. 2003;124(6):1595-1614. doi:10.1016/s0016-5085(03)00327-5.
→ https://doi.org/10.1016/s0016-5085(03)00327-5 · PubMed 12761719 - Fu Z, Zeng J, Zhu L, Wang G, Li P, Li W, et al. Clinical factors associated with remission of obese acanthosis nigricans after laparoscopic sleeve gastrectomy: a prospective cohort study. International Journal of Surgery. 2023;109(12):3944-3953. doi:10.1097/js9.0000000000000693.
→ https://doi.org/10.1097/js9.0000000000000693 · PubMed 37678289 - Giri D, Alsaffar H, Ramakrishnan R. Acanthosis Nigricans and Its Response to Metformin. Pediatric Dermatology. 2017;34(5). doi:10.1111/pde.13206.
→ https://doi.org/10.1111/pde.13206 - Sociedade Brasileira de Diabetes. Diagnóstico de diabetes mellitus. Diretriz da SBD, capítulo publicado em 05/07/2024 e atualizado em 12/08/2026 (Quadros 2 e 4, critérios de rastreamento do DM2 em adultos e em crianças e adolescentes).
→ https://diretriz.diabetes.org.br/diagnostico-de-diabetes-mellitus/
Fontes jornalísticas
- Tua Saúde. Manchas escuras no pescoço e nas axilas não são falta de higiene: podem ser um sinal visível de resistência à insulina (22/08/2026). → https://www.tuasaude.com/news/2026/08/22/manchas-escuras-no-pescoco-e-nas-axilas-nao-sao-falta-de-higiene-podem-ser-um-sinal-visivel-de-resistencia-a-insulina/
Dúvidas dos leitores
Existe creme que tire a mancha?
Existem cremes que clareiam um pouco, com ureia ou com derivados de vitamina A, e o efeito é cosmético e parcial. Eles agem na camada de cima e deixam intacto o que está produzindo a mancha, então a tendência é ela voltar enquanto a causa continuar ativa. Têm o seu lugar: quem se incomoda muito com a aparência pode usá-los, desde que saiba que são um complemento. O que a evidência mostra mudando a pele de verdade é a queda de peso e a melhora da resistência à insulina, e nesse caso a mancha clareia porque a pele volta a ficar mais fina, não porque foi branqueada.
Minha filha adolescente tem essa mancha no pescoço. Preciso me preocupar?
Preocupar não, investigar sim. Em crianças e adolescentes a mancha é um dos critérios que a diretriz brasileira usa para indicar o exame de rastreamento de diabetes tipo 2, junto com sobrepeso ou obesidade, idade a partir de 10 anos ou puberdade iniciada, e história familiar 12. Ou seja, ela é um motivo para pedir exame de sangue, e o exame é que dá o diagnóstico. Vale também mostrar a mancha ao pediatra ou ao endocrinologista em vez de tratar como problema de pele, e evitar transformar isso em cobrança sobre o corpo dela, que costuma piorar tudo.
Sou magro e apareceu essa mancha. Muda alguma coisa?
Muda o roteiro da consulta, sim. A grande maioria dos casos acontece junto com excesso de peso, então mancha que aparece em adulto sem sobrepeso pede uma avaliação mais cuidadosa, principalmente se surgiu rápido, se está se espalhando por áreas incomuns ou se veio acompanhada de perda de peso sem explicação 8,9. Na maioria das vezes a explicação continua sendo simples, e inclui remédios que causam a mancha 7 e formas de resistência à insulina que não dependem do peso. Mas é justamente esse cenário que não se deve avaliar pela internet.
Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.